<body> <div class = 'arrbames'><script language="JavaScript" src="http://www.ig.com.br/paginas/home/barra/v8/igbarra.js"></script></div> *�* Templo das Sombras *�*

01/11/2008 12:52

Capítulo 62

- Sua idiota... - Drew tinha dificuldades para respirar. Ele não conseguia tirar os olhos de Harmonny, ela estava caída no chão e suas asas estavam visivelmente mortas. - Por que fez isso?!
Harmonny olhou para ele e sorriu, suas lágrimas misturavam-se ao sangue que respingara em seu rosto:
- Este é o preço que eu tive que pagar, Anjo amado. Só espero tornar-me merecedora do perdão celestial...
Drew não falou mais nada, a voz negava-se a sair. Harmonny caminhou até ele com dificuldade. Ela apoiou-se no ombro esquerdo do Anjo, tentando soltar as cordas que prendiam suas asas.
- Isso deve ajudar... - Um pouco da Magia Negra de Harmonny foi o suficiente para que as cordas caíssem, rompidas. Drew sufocou um gemido de dor, ao sentir tal Magia tocar suas asas, o mesmo foi com todas as partes presas de seu corpo. Em pouco tempo, Drew estava livre.
- Obriga... Harmonny, você está bem?
Não estava. Uma Anjo naquelas condições jamais poderia gastar qualquer resquício de magia que lhe restasse. Tomada por uma súbita fraqueza, Harmonny desmaiou.
Drew não a deixou tocar o chão, colocou-a nos braços e caminhou até a porta. Ele não sentia vida alguma na Anjo, mas sabia que ela não estava morta; Harmonny jamais abandonaria uma batalha daquele jeito. Ao olhar para trás, Drew pode ver a generosa trilha de sangue que escorria das asas de Harmonny, gota a gota a vida de sua querida amiga escorria e tocava o chão, criando uma cena repulsiva, cruel e traumatizante.
As lágrimas escorriam frias do rosto de Drew, mesmo contra sua vontade, seus olhos frios e amarelados tornavam-se escuros, cinzas, ilustrando sua vontade de matar. Aquele não era o comportamento de um Anjo, mas naquela hora ele não era um Anjo, Drew mostrava sem medo sua forma mais cruel, aquela que as pessoas que o criaram como arma de guerra mais gostavam.
Porém, algo que nunca havia acontecido: mesmo com todo o seu poder para matar despertado, Drew ainda tinha controle sobre sua visão, seus pensamentos e seu corpo, talvez o sopro do poder de Harmonny que entrara em contato com seu corpo o tivesse ajudado, talvez a Magia Negra da Anjo mantivesse a sua sob controle. Ciente desse fato, Drew sorriu, um sorriso digno de um demônio.
Bastou um golpe da espada enegrecida de Drew para que a poderosa porta cedesse, em pouco tempo ele estava do lado de fora, no lado Oeste daquele labirinto de portas e corredores, o mais longe possível de Serenna, Ylua e da saída.
Não era possível erguer vôo naquele labirinto, simplesmente não havia espaço para que o Anjo esticasse suas belas asas e, mesmo que o fizesse, não havia espaço para movimentá-las. Com Harmonny desmaiada em seus braços, Drew começou a correr.
- Drew... Me solta. - Para seu alívio, Harmonny abriu os olhos, mas o sorriso em seu rosto havia desaparecido e não havia sinais de que ele voltaria. - Me deixa aqui e vai.
- Não. Tente descansar, prometo que tiro você daqui em pouco tempo.
- Anjo burro, pare de perder tempo! - Harmonny tinha dificuldade para falar, engasgara com o próprio sangue. - Me deixa aqui, eu não passo de um cadáver que se recusa a fechar os olhos. Há duas pessoas vivas que precisam de você muito mais do que eu precisei.
Vendo que Drew não a soltaria, Harmonny tocou sua nuca, descarregando nela uma pequena quantidade de Magia Negra, suficiente para que os reflexos do Anjo o obrigassem a soltá-la.
- Agora vai. - Ela dizia. - Antes que eu jogue toda a maldita energia que me resta em você.
O Anjo obedeceu e, pela primeira vez desde que abrira os olhos, ele pensou em como estariam Serenna e Ylua, se estariam juntas, se estariam vivas...

===

De fato, as duas ainda estavam vivas, o que não significava que estavam bem. Estavam presas no mesmo cômodo, mas uma barreira impossibilitava qualquer troca de palavras ou ações. Muitas vezes, Serenna acreditava não conseguir ouvir a própria voz, quando gritava para o nada.
Ylua estava acorrentada de cabeça para baixo, completamente presa á parede. Ela assumira sua forma humana, para que suas asas não fossem prejudicadas.
Já Serenna estava acorrentada á um tipo de roda de madeira, sua coluna seguia a linha do objeto, enquanto seus braços estavam amarrados para cima. A jovem suspeitava que estava presa há três dias, mais ou menos; no que seria seu primeiro dia como prisioneira, ela recebera a visita de Tundra. A Ninfa estava em sua forma mais bela, ostentando com orgulho e enfeite dourado na testa e um sorriso confiante de vitória.
- Essa roda é a minha favorita... Geralmente é usada para arrancar as asas dos Anjos, mas acredito que será divertido deixar você aqui. - Ela explicou, enquanto fazia a mortal girar. Depois disso, a imagem silenciosa de Ylua, vista através da barreira, era sua única companhia fora o Elfo que a alimentava uma vez ao dia, o mesmo Elfo que, dias atrás, ela reconhecera como o irmão de Frederick.
- De fato, era meu irmão mais velho... - Foi a única vez que Serenna o ouviu falar. - Meu nome é Cornellius, e isso é tudo que posso dizer e fazer por você.
Desde então, sempre que entrava, Cornellius não ousava falar ou tirar os olhos do chão. E assim se passaram três longos dias.
- Eu fico imaginando quando Tundra voltará, ou melhor ainda, quando ela vai decidir nos matar, finalmente. - Serenna e Ylua se entreolhavam apesar de nenhuma ouvir o que a outra pronunciava. - E Drew? Acha que ele ainda está vivo?
Para a surpresa da garota, Ylua sorriu e assentiu com a cabeça. Provavelmente havia entendido por leitura labial ou pelo brilho nos olhos da amiga, no momento em que ela pronunciara o nome de Drew. Em resposta, a Anjo geralmente dizia coisas como "tudo vai ficar bem" e "tudo o que podemos fazer é esperar", além dos momentos em que ela mergulhava em meditação profunda e ficava repetindo feitiços e outras coisas que Serenna não fazia idéia do que eram.
De fato, esperar era tudo o que elas podiam fazer. Esperar pelo Anjo envolto em fúria que as procurava, desejando apenas que elas ainda estivessem vivas.

enviada por ºMaah!º



12/10/2008 14:40

Capítulo 61

Drew tinha medo de abrir os olhos, muita coisa ainda não estava resolvida, o mundo todo corria perigo mortal. O Anjo lembrou-se de Mortis e de sua fome insaciável por corpos celestes.
“Ela tinha o tamanho de uma bola de basquete brilhante, da última vez... Os humanos nunca foram muito compreensíveis ou crédulos, como será que eles estão reagindo?”, Drew já imaginava os jornais anunciando o fim do mundo, o castigo divino, entre outras tantas coisas. Tundra havia gerado um colapso mundial, apenas para divertir-se...
- Drew... – Uma voz sofrida, vinda do outro lado da sala, o chamava. Pela primeira vez desde que acordara, Drew sentiu dor. – Acorde.
Só então Drew percebeu que suas asas estavam suspensas, mas ele mal as sentia. Só então ele percebeu que estava de pé, que seus braços estavam para trás e presos por correntes, assim como seus pés. Ele percebeu que tinha uma coleira envolta do pescoço, presa por uma corrente que se unia á parede; suas asas estavam dolorosamente juntas e amarradas com força por uma corda resistente, que nem suas poderosas asas conseguiam romper.
Pela primeira vez desde que voltara á Terra, Drew abriu os olhos.
Ele demorou um pouco para acostumar-se com a luz que, apesar de fraca, irritava seus olhos. A primeira coisa que ele enxergou claramente foram as tochas; cinco tochas presas ás paredes de pedra. Ele conseguiu ver o contorno de uma grande porta, ela estava há poucos metros do Anjo, mas era como se estivesse do outro lado do mundo. Drew nunca conseguiria alcançá-la naquelas condições.
Ao olhar para o lado, Drew viu correntes, instrumentos de tortura e alguns ossos, além das manchas de sangue que cobriam grande parte do chão e das paredes.
O estômago de Drew revirou-se violentamente, pela primeira vez, o Anjo quase vomitou. Drew ofegava e suava frio, tentou se mexer, mas quase perdeu o equilíbrio. Ela forçado a ficar de pé, pois se sentasse ou ficasse de joelhos, a coleira em seu pescoço o estrangularia. Ele colocava toda a sua força nas asas, tentando inutilmente romper as cordas que tanto o incomodavam. Virando o pescoço o máximo que podia, ele viu o quão amarradas elas estavam: duas cordas extremamente fortes estavam enroladas em suas asas, enquanto cordas mais finas percorriam cada pena branca, imobilizando suas asas totalmente. Havia três nós: um no começo das asas, perto das costas do Anjo, o segundo no meio das asas, onde as penas eram maiores e diminuíam de tamanho, seguindo para o terceiro nó, que unia dolorosamente as pontas de suas asas. Drew nunca havia se sentido tão desconfortável.
Ele tentou invocar uma de suas espadas, mas as correntes eram muito pesadas e puxavam seus braços para baixo, quase os quebrando, qualquer peso extra os deixaria inúteis, com certeza. Só lhe restava pedir ajuda, mas para quem?
Naquele momento, Drew viu algo se mover do outro lado da sala, bastante próximo a porta. Quem quer que fosse, estava sentado, praticamente jogado contra a parede, e se levantava aos poucos.
- Quem está aí? – Drew perguntou. Aparentemente, o outro também estava amarrado, já que não conseguia usar os braços para levantar-se. Aquela mesma voz que o chamara respondeu:
- Drew... Perdoe-me.
O Anjo reconheceu imediatamente a voz de Harmonny, ele jamais confundiria aquela voz.
- Harmonny! Harmonny é você? O que está fazendo aqui?
A Anjo tentava disfarçar o choro:
- Drew, por favor, me perdoe. Tundra está completamente louca! Vocês ficaram presos por apenas dois dias, algumas horas depois de vocês irem para o Nada, Tundra foi também! Mas quando ela voltou, estava completamente mudada! Ela me forçou a prendê-lo e a seus amigos também, e depois me prendeu aqui... Eu queria ajudá-los Drew, mas não posso.
As chamas iluminaram Harmonny momentaneamente. Ela tinha a cabeça abaixada, os cabelos extremamente brancos cobriam seu rosto, mas era possível ver o brilho de suas lágrimas que caíam no chão. Ao ver aquela cena, o estômago de Drew simplesmente não suportou, era como se tudo que estivesse dentro dele quisesse deixar o corpo desesperadamente, desde os ossos até a alma.
Assim como ele, Harmonny estava acorrentada, porém suas asas negras, que outrora foram tão graciosas, estavam completamente destruídas, e o pior, cada asa estava atravessada por uma estaca de madeira. Era a cena mais horrenda que Drew já presenciara. As asas da Anjo estavam esticadas ao máximo, o sangue que escorria delas brilhava ao tocar as poucas penas negras que lhe restavam. Harmonny ergueu a cabeça com dificuldade, apesar da dor, ela sorria:
- A vaidade é um pecado que eu não relutei em cometer... Eu tinha tanta paixão por essas asas, eu cuidava tanto delas... Este é o castigo que eu devo pagar pelo meu pecado.
Drew não conseguia parar de olhar, era simplesmente impossível que aquela cena fosse real, aquilo era medonho, mesmo para Tundra. As lágrimas escorriam involuntariamente pelo rosto do Anjo.
- Ah Drew... – Harmonny fitava o teto negro, sorrindo. – Você é um tolo. Eu mereço sofrer infinitamente mais, se contarmos todos os pecados que eu já cometi. Eu traí você na primeira Guerra. Você confiava em mim, mas eu não hesitei em fornecer seus brilhantes planos de ataque para os Elfos. Muitos morreram por minha culpa, e eu não derramei uma lágrima por eles... Eu traí você, Drew. Aproveitei-me da sua confiança para continuar viva, você não conseguiu me matar, mesmo sendo um líder e estando em Guerra. Você pecou por minha causa, se não fosse por mim, você seria o Anjo perfeito.
- Eu jamais serei um Anjo perfeito, Harmonny. Um corpo criado para a guerra não merece nem ser chamado de Anjo. Eu já cometi inúmeros pecados, fiz coisas que podem ser consideradas crimes, e tudo isso porque quis. Você não me influenciou em nada, Harmonny. Naquele dia, eu apenas a deixei viva porque, por pior que fosse o seu ato, eu jamais seria capaz de matar a única Anjo que me ajudou quando eu mais precisava. Se este é o seu castigo, o meu é vê-la sofrer assim. Eu penso se ainda há alguma forma para nos redimirmos.
Harmonny encostou a cabeça na parede fria e encarou os bonitos olhos amarelos de Drew:
- Você não precisa se redimir de nada, Drew. Você luta para que este mundo encontre a paz, assim como todos os outros. Você protege as outras raças, você É um Anjo. – Harmonny chorava intensamente, mas o sorriso não sumia de seu rosto. Já eu sou apenas a sombra de um nada. Sou um corpo desgraçado que virou as costas para Deus. O mínimo que eu posso fazer é ajudá-lo a sair daqui...
- O quê? Mas como?
Estas correntes que me prendem, até um humano conseguiria quebrá-las, são muito mais fracas que as suas. Estas correntes servem apenas para o divertimento de Tundra, ela sabia que eu me colocaria nesta encruzilhada. Se eu quebrar estas correntes, todo o meu peso vai cair sobre minhas asas, elas vão rasgar e eu vou morrer. Mas se eu quebrar as correntes dos meus pulsos e tirar minhas asas destas estacas, eu estarei livre e poderei libertá-lo, porém...
- Suas asas vão ficar completamente inutilizadas!
- E um Anjo que não voa não tem motivos para viver.
- Harmonny, não faça isso, eu não permito que você faça isso!
- Eu não obedeço a ordens de um Anjo há muitos séculos, porque diabos obedeceria você agora?
Drew gritava inutilmente, porém Harmonny estava decidida e não havia nada que a fizesse mudar de idéia. Ela quebrou as correntes que lhe prendiam os pulsos com facilidade. Colocou as duas mãos na parede e começou a desprender as asas. Drew não conseguia imaginar sua dor naquela hora, já que ela a disfarçava com gemidos baixos e lágrimas silenciosas. Em poucos minutos Harmonny caiu no chão, suas asas, agora livres, exibiam um buraco bem no centro, de onde escorria sangue incessantemente. Ela rompeu as outras correntes e levantou-se com dificuldade. Uma breve tentativa de mexer as asas resultou num grito de dor e no veredicto: Harmonny jamais voaria novamente.


enviada por ºMaah!º



20/09/2008 14:33

Capítulo 60

- É bom vê-los juntos pela última vez, meus queridos. – Tundra exibia seu sorriso demoníaco. Ela estava de braços abertos, perante Drew, Ylua e Serenna, os três estavam de pé, porém mais pareciam bonecos sem vida do que qualquer outra coisa.
Atrás da Ninfa, Frederick assistia a cena caído, ofegante, humilhado. Sua visão estava embaçada e seu peito doía violentamente.
“Não é possível”, ele pensava. “Não é possível que os três estejam derrotados...”
Deliciando-se com o momento de sua vitória, Tundra observava cuidadosamente suas três vítimas, principalmente Serenna.
- E pensar de foi tão fácil... – Ela dizia, pressionando suas poderosas garras contra o rosto pálido da garota. – Chegou até a ser entediante. Mas nada me impede de continuar me divertindo com vocês, eu realmente quero ver todo o seu sangue escorrer do corpo, Serenna, gota á gota.
Ylua tinha um grito preso na garganta. A presença da Ninfa era terrível, deixava qualquer um em pânico, ainda mais agora que ela tinha Drew e Serenna em seu poder. Aproveitando-se da distração de Tundra, Ylua olhou para Frederick, na esperança de que ele percebesse que ela estava acordada, mas não, infelizmente o Elfo estava perdido demais no próprio desespero.
“Senhor Drew me disse que a telepatia dos Elfos é mais fraca que a nossa, mas é a minha última esperança...”, no instante daquele pensamento, Tundra olhou para Ylua. A Anjo estava em pânico, ao ver Tundra se aproximando, ela tentou desesperadamente controlar o próprio coração, não poderia parecer assustada, não poderia nem mesmo parecer que estava viva!
- Ylua... Sua vadiazinha cretina. – Tundra a olhava com desprezo. – Você foi a que mais me irritou. – Como uma criança que desconta a raiva em um brinquedo, Tundra deu em Ylua um violento tapa. A Anjo caiu pesadamente no chão, forçando o próprio silêncio. Movimentando a mão esquerda, Tundra fez Ylua reerguer-se:
- Já sei o que vou fazer com você. – Tundra abriu a bocarra, exibindo os dentes afiados. – Vou espancar esse corpo, reduzi-lo á uma porção de carne irreconhecível! – Tundra apertou a garra do dedo indicador contra o pescoço de Ylua, liberando um filete de sangue que deu novo tingimento á garra da Ninfa. Ylua escondia a dor como podia, tentando fazer parecer que nada sentia.
- Você é desprezível, Tundra. – Felizmente, Frederick conseguia reunir forças para se levantar. Ele tinha dificuldade em manter-se de pé, mas distraíra Tundra, Ylua deveria aproveitar-se deste momento para tentar se comunicar com Drew e Serenna.
- Você não respeita nem mesmo um corpo sem alma! Nem mesmo Lúcifer a aceitaria no Inferno!...
Ylua imaginava o que Frederick falaria em seguida, mas ele foi interrompido por uma rajada de Tundra, que atravessou seu corpo semitransparente e o derrubou:
- CALE-SE! Você não passa de um Elfo, inútil como todos de sua raça! Não se como você continua vivo neste plano de existência, mas sei que seu tempo fica cada vez menor, Elfo desgraçado! Você vai morrer como todos os outros, e vai sofrer por não conseguir salvá-los!
“Senhor Drew?”, Ylua concentrava-se ao máximo. “Senhor Drew, pode me ouvir?”. Mas não houve resposta. Ylua tentou com Serenna e nada, eles estavam completamente inconscientes. Ao tentar comunicar-se novamente com Drew, Ylua notou certa resistência do Anjo, ele ainda lutava contra o poder de Tundra, conseguindo manter-se consciente por poucos segundos.
- O... O que está havendo aqui? – Drew perguntou, com voz abafada.
A voz do Anjo atravessou Tundra com violência. Os olhos da Ninfa se esbugalharam, cheios de ódio:
- O que é você, Drew? Um demônio do Inferno com asas brancas? – Assumindo a verdadeira forma lentamente, Tundra olhou para Drew:
- Você não deveria passar de um corpo sem alma! Uma casca vazia! Como é possível que tenha forças para falar?
Drew recuperava a energia lentamente e Tundra se aproximava. Ylua não poderia estragar seu disfarce agora, mas ela tinha de ajudar seu querido Mestre:
“Frederick, por favor, preste atenção”, Ylua reunia toda a energia que conseguia para comunicar-se com o Elfo. “Frederick, preciso pedir para que você sirva de isca. Distraia Tundra por alguns segundos, tire o olhar dela do Senhor Drew para que eu possa purificar seu corpo!”
“Y-Ylua? É você? Está viva?”, felizmente, Frederick havia recebido a mensagem telepática.
“Por favor, Frederick, não há tempo para explicações!”
“Como quiser, eu a ajudarei!”
Tundra estava a poucos centímetros de Drew, Frederick não tinha tempo a perder:
- Vê, Tundra? Esse estúpido truque de Magia Negra não é o suficiente para derrotá-los.
- Criatura idiota... – Tundra gerava uma pequena bola negra entre as mãos. Ela virou-se rapidamente e lançou-a contra Frederick, gritando:
- VOU ACABAR COM VOCÊ AGORA!
Aquele tempo era o suficiente. Ylua pegou a mão de Drew e a apertou, concentrando toda a energia que podia. Drew a olhava, sem entender, mas logo era possível sentir a energia da Anjo passando para seu corpo. Sua visão ficava mais nítida, ele não sentia mais dores, pelo contrário, sentia como se tivesse despertado de uma longa meditação, muito mais forte do que antes.
“Ylua...”
“Shhh! Tundra não sabe que estou acordada. Na verdade, nunca fui vítima daquela ampulheta maldita... Eu tive poder para purificá-la, senhor Drew! E tive poder para fazer o mesmo com você!”
“Nunca senti tanto orgulho de um aprendiz, Ylua. Infelizmente não há tempo para elogios ou gratificações, se perdermos tempo, morreremos com certeza”.
O amarelo dos olhos de Drew ficou mais escuro. Ylua tremeu e engoliu em seco, ela sabia que todos correriam risco caso ele se descontrolasse.
- Não prefere lutar comigo, Ninfa? – Drew esticou o braço direito, invocando uma espada longa e amarela como seus olhos.
“Senhor Drew é incrível!”, pensava Ylua. “Mesmo num lugar como este Nada, ele consegue invocar qualquer espada!”.
Tundra olhou indiferente para a espada, mas sorriu ao ver a determinação e a força recém conquistada nos olhos de Drew. Ela, em sua forma verdadeira, disse com voz estridente:
- Prefiro sim, meu querido... Mas no mundo real, onde a dor É real.
Um movimento de mãos, um vento avermelhado que causava dor onde tocasse. Logo Drew, Serenna, Ylua e Tundra deixavam o chão, acompanhados dos gritos de Frederick, que jamais poderia voltar. Drew fechou os olhos, assustado. Pela primeira vez ele parara para pensar. Ele havia se esquecido de que havia um mundo real, que o Nada não passava da Prisão Espiritual – uma das formas de tortura utilizadas por Tundra-, que eles só estavam lá por causa de Harmonny, que queria protegê-los. E agora eles voltariam... Há quanto tempo estavam no Nada? Em que época estariam quando chegassem á Terra? Como ela estaria, já que fora submetida ao poder de Mortis, a estrela de Tundra? O Templo das Sombras, as estrelas e os Universos ainda estavam em seu lugar? Essas e muitas outras perguntas ecoavam na cabeça de Drew, incessantemente. Ele tinha medo de abrir os olhos e encontrar um mundo completamente devastado.
Poucos segundos depois, Drew tocou levemente o chão de pedra.

enviada por ºMaah!º



06/09/2008 17:37
Gente, por favor, perdoem o estado do Templo. O Blig está com bugs absurdos, as postagens demoram séculos para serem publicadas e, ainda sim, não são publicadas direito. Se o bug não melhorar, é possível que eu transfira o Templo para algum outro endereço que, com certeza, será publicado aqui.
Eu espero sinceramente que esses problemas tão desconfortáveis acabem logo. Mas até lá, paciência é a palavra.
enviada por ºMaah!º



31/08/2008 18:22

Capítulo 59

Frederick já não passava de uma sombra levemente colorida. Sentia dores por todo o corpo e andar exigia um imenso sacrifício. Serenna havia se esquecido completamente do Elfo, por isso ele sabia que não tinha mais tempo.
"É incrível que eu ainda esteja aqui", ele pensava. "Só espero ter tempo o suficiente para reunir todos os outros...".
- Não, você não terá. - A voz de Tundra ecoava. Segundos depois, envolta em uma nuvem de Magia Negra, ela surgia.
- Você está aqui há tempo demais. Me irrita ver a quantidade de energia que aquela mortal patética depositou na sua projeção. Mas isso não importa agora, logo todos vocês estarão mortos.
- Ora, cale-se. - Frederick não demonstrava a preocupação que sentia. - Alguém que esconde a própria natureza, que oculta a aparência atrás de uma forma bela, não pode ser tão poderosa quanto diz.
O sorriso de Tundra desapareceu, dando lugar ao ódio extremo. Num piscar de olhos ela avançava contra o pescoço de Frederick, tirando-o do chão:
- Eu poderia te matar agora, mas não me interessa matar alguém que nem ao menos existe. Vou provar que não me envergonho de minha verdadeira forma, serzinho inútil.
Aquela cena, com certeza, reinaria nos pesadelos de qualquer criança: a pele pálida de Tundra descamava, seus olhos de profundidade oceânica ficavam esbugalhados e vermelhos, com veias negras correndo por todo o globo ocular. Seu sorriso ficava ainda maior e seus dentes ficavam mais afiados do que as presas de Cerberus - o cão que, segundo as crenças humanas, guardava os portões do Inferno. Suas unhas cresceram vinte centímetros, aproximadamente, todas cobertas por um esmalte vermelho que começava a descascar. Porém, se alguém chegasse perto o suficiente de suas garras, saberia que não se tratava se esmalte, e sim do sangue de suas últimas vítimas - Anjos e Elfos do Castelo, provavelmente. Ela crescera quase meio metro e sua pele assumira um tom azul-acinzentado. As únicas coisas que não mudaram foram o cabelo azulado e o enfeite em sua testa, que brilhava como nunca.
- Ao contrário do que pensa, Elfo, eu me orgulho muito desta forma.
Frederick estava paralizado.
- Agora sim, Elfo. VOU QUEBRAR SEU PESCOÇO! - As garras de Tundra apertavam a garganta do Elfo violentamente. Para seu alívio, um leve som a distraíra: o som da última pedra das ampulhetas, que tocava o outro lado.
- Finalmente. Poderei matar seus amigos na sua frente, sem que você possa fazer nada! Você vai morrer, Elfo. Todos vão!
E com uma risada demoníaca, Tundra e Frederick foram envolvidos na mesma nuvem de Magia Negra, desaparecendo.
===
Ao mesmo tempo, Ylua andava sem destindo, com a pedra apertada contra o peito. Seu coração havia disparado de repente, ela podia sentir que algo estava muito errado.
Sem que ela notasse, a pequena pedra esquentava até ficar á uma temperatura bastante elevada, o que obrigou a Anjo a jogá-la no chão, com um grito abafado.
A pedrinha vibrava com violência, emitindo uma vibração cada vez mais alta.
- O que está acontecendo? - Tundra ficava desesperada com o barulho, que só aumentava. Sem ter o que fazer, ela simplesmente tampou os ouvidos com as mãos e protegeu o rosto com suas pequenas asas azuladas.
O barulho enlouqueceria qualquer um, as lágrimas de pânico já escorriam pelo rosto da Anjo. De repente, tudo ficou silencioso. Ainda tremendo, ela descobriu o rosto, fitando a pedra que voltara a ficar imóvel. Com um estalo, a pequena pedra azul rompeu-se em duas partes idênticas.
- Minha Nossa. - Ylua não se atrevia a tocá-las. Imediatamente a vibração recomeçara. Cada pedra corría para um dos lados da Anjo, em alta velocidade, as duas começaram a girar, cercando-a completamente.
- O QUE DIABOS ESTÁ HAVENDO AQUI?! - Ylua gritava, tentando fazer com que a voz ficasse mais alta do que a vibração. Em completo pânico, a Anjo lançou-se contra a barreira que as pedras projetavam, mas era impossível fugir. Logo Ylua teve a desagradável sensação de ser tirada do chão com violência. De fato, a tal barreira a estava transportando para algum lugar.
Ylua não sabia, mas o mesmo acontecia com Serenna e Drew. Como suas ampulhetas estavam intactas, houve muito mais energia na criação da barreira. Enquanto estavam sendo transportados, por apenas alguns segundos, tando o Anjo quanto a humana despertaram do transe, logo entendendo tudo o que se passara e tudo o que acontecia naquele momento: Tundra desejava reuní-los.
A batalha final começara.
enviada por ºMaah!º



16/08/2008 18:00

Capítulo 58

Mais da metade das pedras da ampulheta de Serenna já haviam caído, o tempo parecia passar mais rápido. Agarrada á ampulheta como se protegesse o tesouro mais valioso do mundo, Serenna caminhava lenta e sem se importar com o caminho que seguia. Em sua mente, incontáveis vozes gritavam seu nome, desesperadas. Não era possível dizer quem ou quantas vozes eram, mas Serenna não dava atenção á elas, como se não as escutasse.
- Quem são essas pessoas? - Perguntava Serenna, fitando a ampulheta, completamente em transe.
- Ninguém - Foi a resposta. Uma voz gélida ecoava de dentro do artefato. Serenna olhava a ampulheta como se ela fosse a única coisa na qual pudesse confiar.
- Tudo vai acabar bem, não vai? Vai tudo voltar ao normal? - Perguntava a jovem, com um sorriso crédulo, beirando o infantil.
- É claro que vai, minha criança.- Com uma gargalhada, a ampulheta silenciou-se.
As vozes que ecoavam na mente de Serenna ficavam cada vez mais intensas e desesperadas, implorando á jovem para que despertasse do transe. Infelizmente, a Magia Negra da ampulheta já havia tomado sua alma por completo, Serenna agora pertencia á Tundra.
====
-Maldição... - Drew mal conseguia manter-se de pé. Andava e segurava a ampulheta com grande dificuldade. O sono o dominava, era difícil respirar e a visão do Anjo ficava cada vez mais embaçada. Sem forças para nada, Drew deixou-se cair:
- O que essa ampulheta maldita está fazendo comigo? Eu... Nunca me senti tão fraco assim...
- Interessante, não é? - Dizia uma voz vinda da ampulheta. Drew logo reconheceu a voz de Tundra. - É interessante como as ampulhetas que eu forjo funcionam bem. Logo você não passará de um corpo sem alma.
- Tundra... O que quer dizer?
- Estou surpresa que um Anjo como você nunca tenha estudado o funcionamento das ampulhetas forjadas com Magia Negra. O mínimo que eu posso fazer antes de sua morte é explicar-lhe o que acontece com você enquanto conversamos: imagine a parte de cima da ampulheta, onde as pedras ficam; ela representa o seu corpo. A parte de baixo da ampulheta, onde as pedras caem, são o meu corpo. E as pedras...
- Representam a minha alma. - Dizia Drew, horrorizado.
- Exato. Quanto mais tempo você passa com essa ampulheta, mais rápido as pedras caem e mais da sua alma fica em meu poder. Sua alma pertence a mim agora, meu querido Anjo Drew.
Tundra gargalhou, ciente que havia conseguido o que queria. Drew simplesmente não sabia o que fazer, sentia ódio de si mesmo por ter sido seduzido tão facilmente pelas ofertas de Tundra.
- Eu fui um tolo. - Drew tinha dificuldades para respirar. - Eu já devia ser... Mais do que qualquer um, eu já devia saber... Que esses estúpidos sentimentos e emoções, nos quais os humanos tanto se apegam... Só nos deixam mais fracos e vulneráveis. Não me restam dúvidas de que os sentimentos são apenas para... Fracos. - Terminando tal frase com grande dificuldade, Drew tombou por completo, inconsciente.
====
- Como eu vou achá-los agora? - Ylua caminhava há algum tempo, procurando Drew, Serenna e Frederick. Mas no reino de Tundra, era praticamente impossível encontrá-los. Por impulso, a Anjo apertou a pedra que sobrara da ampulheta contra o próprio peito.
"Havia uma única pedra que não era feita totalmente de Magia Negra... Por que algo assim estaria na ampulheta de Tundra?", sem parar de caminhar, Ylua tentava encontrar qualquer explicação para a existência de uma pedra "pura" em um artefato forjado com Magia Negra. Andando a passos largos, Ylua analizava a pequena jóia de todos os ângulos possíveis, porém, um rápido pensamento a fez parar:
- Que Tundra é totalmente má, não tenho dúvidas. Mas talvez a alma da pessoa que receba essa ampulheta consiga neutralizar pelo menos uma das pedras! É claro! - Tundra apoiou o rosto num único dedo, pensativa. - Então o poder da alma de quem toca a ampulheta é equivalente ao poder de uma única jóia... O que quer dizer que as ampulhetas são artefatos absurdamente poderosos! Mas supondo que haja pelo menos uma jóia purificada em cada ampulheta, talvez eu consiga encontrar Serenna e senhor Drew!
Com um grande sorriso, Ylua apertou ainda mais a pedra contra seu peito e, confiando plenamente em si e em sua decisão, retomou a caminhada em direção á uma grande e perigosa batalha.
enviada por ºMaah!º



28/07/2008 22:29

Capítulo 57

Durante muito tempo, Tundra ficou imóvel, assim como Ylua. A Ninfa sentia sua presença, mas não conseguia dizer onde a Anjo se escondia.
- Pare de se esconder, Ylua... Sua irmãzinha não se escondeu... - Tundra sabia que aquilo atravessaria a mente de Ylua com violência. De fato, poucos segundos depois, Tundra sentiu uma barreira ser desfeita e a Anjo apareceu á sua frente. Tundra sorriu:
- Me assusta ver o seu poder no meu Nada... Você sem dúvida evoluiu mais do que todos aqui.
- Onde quer chegar? - Ylua assumira posição de batalha e esticara suas asas ao máximo. Em seus olhos estava estampado o ódio mortal que ela sentia pela Ninfa.
- Quero chegar aos seus mais profundos sonhos, Ylua... E realizá-los.
- O quê? - Assim como Drew, Ylua logo voltou a posição normal, visivelmente interessada no que a Ninfa tinha a lhe dizer.
- Sente falta da sua irmã, não é? Pois bem, eu posso devolvê-la á você e á este plano de existência. Eu posso fazer de você uma Anjo poderosa, permitir que você encare as dificuldades sem medo, como seu Mestre faz.
- Senhor Drew... - Ylua sussurrou. Depois de tanto tempo sem pisar no Templo, Ylua havia se esquecido de que Drew fora o responsável por todo o seu treinamento, assim como pelo treinamento de sua irmã. - Mas e Serenna? E Frederick?
- O que acha de eu deixá-los juntos para sempre?
- Senhor Drew não gostaria disso. - Ylua usava de toda sua inocência naquele momento. Tundra parecia irritada:
- Pois muito bem, quais são estes sonhos que você esconde, Ylua? Mostre-me o que deseja, e eu realizarei.
- Qualquer coisa? - Os olhos da Anjo brilharam.
- Qualquer coisa. - Tundra sorria, triunfante.
- Pois bem. Eu quero minha irmã de volta. Quero que as Guerras Celestiais nunca tenham acontecido e que Anjos e Elfos voltem a ter um relacionamento pacífico. Quero que a Serenna libere sua aura de Anjo e volte conosco para o Templo das Sombras, para que ela e Senhor Drew possam ficar juntos, mas quero que tenhamos acesso ao mundo dos humanos também, e ao Castelo dos Elfos!
Ylua vibrava como uma criança, pensando em como seria sua nova vida. Tundra havia ignorado quase tudo o que ela falara, os desejos da Anjo não eram de seu interesse. Mesmo assim ela sorriu, fez surgir outra ampulheta, um pouco menor que a de Serenna, com minúsculas pedras, azuis como as asas de Ylua. A Ninfa entregou-lhe a ampulheta, perguntando:
- Mas e para você? Para seu próprio proveito? Não desejas nada?
- Absolutamente nada. - Disse Ylua, confiante. - Se meus amigos ficarem feliz, eu também ficarei.
- Quanta nobreza... Mesmo assim, pense bem e reflita sobre o que você deseja. Quando a última pedra cair, eu voltarei.
Dizendo isso, Tundra desapareceu. Ylua observou a ampulheta, encantada, mas ao sentir que a energia da Ninfa desaparecera por completo, colocou-a no chão, muito séria:
- Jamais subestime uma Anjo da Cura, Ninfa. - Ylua ajoelhou-se em frente á ampulheta, fechou os olhos e elevou as asas. Rapidamente, uma aura puríssima, capaz de dissipar até a maior das energias negativas cercou a ampulheta. Sem abrir os olhos, Ylua disse:
- Droga... É Magia Negra, eu já suspeitava. - Não era normal Anjos da Cura anularem essa magia tão horrível.
"Como eu queria que Harmonny estivesse aqui agora...", Ylua suspirava. Ylua não tinha energia suficiente para mentalizá-la, e era arriscado desperdiçar energia naquele momento. "Eu preciso tentar, Senhor Drew ficará orgulhoso de souber que eu consegui anular os efeitos da Magia Negra desta ampulheta!", afastando-se de qualquer pensamento, Ylua conduziu toda a sua energia para as mãos, descarregando-a na ampulheta. Apesar de tudo, era algo perigoso demais, pois havia apenas uma chance, já que ela usava toda a energia que possuía no momento. Mesmo que os Anjos da Cura recuperassem os poderes mais rápido que os outros, a vida de Ylua corria risco, pois ela não poupara energia alguma em seu corpo.
Seus cabelos cor de fogo ganharam movimento e, por causa da energia, levitavam como se Ylua estivesse submersa. Sentindo fortes pontadas por todo o corpo, ela cerrou os olhos e concentrou-se ainda mais, descarregando a energia toda de uma vez.
O resultado foi um grande clarão, que cegaria qualquer um que estivesse desprotegido. Ylua rezou para que Tundra não tivesse sentido aquela energia imensa. Ela esperou durante alguns minutos, temerosa, mas como nada aconteceu, Ylua abriu os olhos.
Para seu encanto, a ampulheta brilhava como cristal, estava muito mais bonita do que antes.
- Eu... Consegui. - Ela estava tão fraca que sentia dores até mesmo para falar, mas a enorme alegria que ela sentia falava mais forte que suas dores.
- SENHOR DREW, EU CONSEGUI!!! - Recuperando-se imediatamente, Ylua pulou de alegria em volta da ampulheta. - É impressionante como tudo fica mais bonito quando é purificado. - Porém, para seu espanto, no momento em que a Anjo tocou o objeto, ele se desfez como um castelo de cartas. A única coisa que permaneceu intacta foi uma das pedras que a ampulheta levava em seu interior.
- Hmm... - Suspirava Ylua, pensativa. Com certo receio, ela pegou a minúscula pedra e aproximou-a do rosto. Depois de alguns minutos de silêncio, a Anjo sorriu, levantou-se num pulo e disse:
- Acho que vou deixar o meu cabelo azul, quando sair daqui!
Apesar de seus poderes terem evoluído muito naquela prisão mental, Ylua sempre seria aquela doce, infantil e inocente Anjo, que por dentro era tão poderosa quanto seus amigos.
Ylua guardou a pedra consigo e iniciou sua caminhada á procura de Tundra e de seus amigos.
enviada por ºMaah!º



20/07/2008 22:12

Capítulo 56

Após curta caminhada, Tundra não parecia nada satisfeita com o que via á sua frente: uma gigantesca casa de bonecas que bloqueava sua passagem. A Ninfa poderia facilmente ir ao encontro de Frederick sem usar as pernas, mas, já que Ylua havia se metido em seu caminho, seria ela sua nova vítima.
- Deixarei o Elfo por último então. Brincar com a mente dessa Anjo da Cura ridícula vai ser fácil demais.
Sem cerimônia, a porta da estranha casa foi aberta com violência. Seu interior era enjoativo: rosa, lilás e detalhes em azul claro. Bastante adequado para a infantilidade e felicidade de Ylua.
Na mesinha de centro havia um prato com bolo e uma xícara de chá, além de biscoitos diversos em um pote de cristal. Sem mover as mãos, Tundra destruiu tudo.
"Me surpreende que essa Anjinho inútil consiga manter isso tudo com o poder da mente...", pensava a Ninfa. Sem se preocupar, Tundra começou a subir a escadaria que levava ao andar de cima.
Ela não sabia, mas, fora as cores, aquela era uma réplica quase idêntica á casa de Serenna, a única casa humana que Ylua conhecia por completo.
No maior quarto da casa - o que seria dos pais de Serenna - havia apenas uma cama de casal com dois manequins sem rosto deitados. Não havia iluminação no quarto, apenas os vultos eram visíveis, o que dava ao quarto um ar assustador. Tundra olhou o quarto com desprezo e bateu a porta.
- Ridículo.
Tundra vasculhou a casa toda. Todos os quartos eram ocupados por manequins sem rosto.
- Aquela desgraçada me fez perder tempo. - Dizia Tundra, enquanto abria a porta por onde entrara. Para sua surpresa, a porta que outrora era a de entrada, levava de volta ao quarto com a cama de casal.
- Mas que diabos...? - Tundra não completou a frase, pois logo deu pela falta de um dos manequins. Naquele momento, ela ouviu a porta se feixando atrás de si.
Virando-se rapidamente, ela viu o manequim de faltava. Para o desgosto da Ninfa, ele assumira sua face e sorria com maldade. Após alguns instantes, a voz de Ylua ecoava pela casa:
"Gostou, Tundra? É impressionante o que se pode fazer neste lugar, com um pouquinho de concentração".
"Droga...", pensava a Ninfa. "Ylua tem um poder mental que eu não havia imaginado... Isso está ficando divertido, vamos ver o que mais ela preparou para mim".
As unhas de Tundra cresceram rapidamente, transformando-se em garras monstruosamente grandes. Com um único ataque, o manequim estava destroçado.
Porém, no mesmo instante, o segundo manequim pulou nas costas da Ninfa. Este também tinha seu rosto e algo a mais: suas garras, que prendiam o pescoço de Tundra. Novamente, a voz e os risos de Ylua era ouvida por toda a casa:
- Esqueci de te contar? Desde que caí neste lugar, venho aperfeiçoando minha capacidade mental. Criei estes personagens para que copiassem a aparência e as habilidades demonstradas por quem entra nesta casa. Agora, você é uma de minhas bonecas, Tundra.
- Veremos por quanto tempo! - A boca de Tundra tornou-se monstruosa, seu dentes tornaram-se afiados e compridos, seus olhos se esbugalharam e tornaram-se avermelhados; suas orelhas -já um pouco pontudas- cresceram, seus dedos se alongaram e seus cabelos assumiram o tom acinzentado. Aos poucos, Tundra assumia a verdadeira forma demoníaca.
Como se sentisse medo, o manequim se afastou. Tundra passou a língua gigantesca nos lábios e disse:
- Vou quebrar suas bonecas, Anjinho.
Sua pele, pálida e macia, tornava-se cinza e um pouco escamosa. Tundra gargalhou de forma horripilante, esticou os braços e, em questão de segundos, a casa era reduzida á cinzas.
- Este é o verdadeiro poder da Ninfa que Rege a Morte...
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Neste mesmo instante, outras três pessoas caminhavam e refletiam sobre assuntos diversos, em lugares totalmente opostos do Nada. Serenna é uma delas. A cada novo rubi que caía na ampulheta, a jovem sentia-se com mais vontade de sucumbir á vontade de Tundra e desistir de tudo o que vivera até agora ao lado de seus queridos amigos.
O mesmo acontecia com Drew, que, sem perceber, enfraquecia a cada pedra que caía, e logo toda a sua alma era corroída pelo ciúmes, ele estava certo de que aceitaria a oferta de Tundra.
Já Frederick, que ainda não havia sido seduzido pelas promessas da Ninfa, sofria calado com seu lento desaparecimento. Após tocar a ampulheta, Serenna parara de suntentá-lo no Nada, ele desapareceria rapidamente.
"Maldição...", pensava o Elfo, ajoelhando-se de tanta dor. "Eu não vou sumir agora... É meu dever manter os três em segurança, até que eles saiam deste inferno!". Ofegante, Frederick desmaiou, poupando o pouco de energia que lhe restava.
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Tundra mantia-se imóvel em sua forma demoníaca. Estava atenta á menos vibração, tentando localizar a Anjo que lhe dera tanta dor de cabeça.
- Apareça Anjinho... Tundra só quer conversar. - A voz da Ninfa também havia mudado e perdido o tom aveludado de outrora. Agora era uma voz que riscava a garganta e ardia os ouvidos.
No rosto da Ninfa brotava um largo e demoníaco sorriso de vitória.
enviada por ºMaah!º



06/07/2008 23:10

Capítulo 55

Os pequenos rubis começavam a cair lentamente. Vendo o tamanho da ampulheta e o tamanho dos rubis, Serenna percebeu que ainda teria muito tempo, pois os rubis insistiam em cair um de cada vez. A jovem então se sentou no chão, frio e sem cor e passou a pensar. De fato, não havia um único dia em que ela não sentia falta da vida comum que levava. Sentia falta dos pais, dos amigos, da escola. Mas voltar á vida antiga, significaria a morte de seus amigos mais preciosos.
Você chora a morte de desconhecidos?”, a voz de Tundra ecoava em sua mente. Era verdade, se tudo voltasse á ser como era antes, Serenna jamais conheceria Drew, Ylua ou Frederick, e sequer saberia se estariam vivos ou mortos...
“Isso é egoísmo puro”, ela pensava, olhando a ampulheta, mas um ato egoísta nunca fora tão sedutor.
Enquanto isso, Tundra rompia diversas barreiras de existência do Nada, caçando suas próximas vítimas. O primeiro a ser encontrado fora Drew. Apesar de estar cansado, no exato momento em que sentiu a presença da Ninfa, o Anjo assumiu a posição de batalha, pronto para invocar a magia negra que o dominava por dentro. Ao ver a determinação de Drew, Tundra abriu um largo e horrendo sorriso:
- Por que tanta pressa em perder uma batalha, Anjo Drew?
- O que você quer aqui, Tundra? Onde está Serenna?
- Ah, como é bonito ver um Anjo apaixonado... E é exatamente por isso que eu estou aqui.
- O que quer dizer? – Interessado, Drew voltou a assumir a postura normal.
- Você não é o único que se cansou desse jogo. Eu também estou entediada. Por isso resolvi terminar as coisas de uma maneira diferente. O que você faria, se eu dissesse que posso e estou disposta á mudar o passado, o presente e o futuro? O que você faria se eu estivesse disposta á transforma-lo num humano e fizer com que Serenna se apaixonasse por você?
- Os sentimentos humanos não foram feitos para serem manipulados. – Havia certa tristeza na voz de Drew.
- TUDO foi feito para ser manipulado. Basta ter poder e saber utiliza-lo. – Os olhos de Drew encontraram o olhar na Ninfa. Tundra estava conseguindo o que queria. – Eu mudaria toda a história, desde que Serenna o conheceu. Daria a você a chance de ser humano, e de viver com ela até quando o destino permitisse. Ylua e sua irmãzinha viveriam em paz no Templo, vocês nunca teriam se conhecido. E ambas seriam as maiores Anjos da atualidade. Frederick será apagado de suas lembranças, e ele viverá soberano em seu Castelo, como antigamente.
- E o colar nunca seria rompido, a profecia nunca seria revelada e você nunca seria libertada? Não me faça rir.
- E chegamos ao ponto que me interessa. Eu não alterarei o meu presente, mas as novas circunstâncias me favorecerão! Eu dominarei o Castelo e o Templo, como é de minha vontade. Mas você e sua queria Serenna nem tomarão conhecimento da existência de tal poder...
- Até que você decida brincar com a Terra. Você não pode de enganar, Tundra.
- Então você prefere ser tratado apenas como um amigo? Prefere ver Serenna chorar a morte de Frederick, esquecendo-se de sua existência, e só lembrando de você quando desejar descontar a raiva em alguém? É isso?
Aquilo atravessou o peito e a mente de Drew como uma espada. Mesmo que fosse só um dia, só um momento, tamanha seria sua alegria se Serenna o amasse... Mas não. Ela desejou que Frederick a guiasse pelo Nada e, quando ele desaparecesse, seria seu dever consolá-la, mesmo que não sentisse pela morte do rival.
- Serenna... – Ele sussurrou. – E o que eu devo fazer?
- Apenas pegue isso. – Outra ampulheta, um pouco maior que a de Serenna, surgiu nas mãos de Tundra. As pequenas pedras, negras como uma noite sem céu ou estrelas, reluziam dentro do artefato. – E pense bem sobre sua decisão. Quando a última jóia cair, eu voltarei. E quero uma resposta definitiva quando voltar.
A segunda presa de Tundra fora pega em sua armadilha, agora, restavam apenas duas.

enviada por ºMaah!º



29/06/2008 04:32

Capítulo 54

Após correr durante muito tempo, Serenna finalmente chegara onde queria: lugar nenhum. Estava completamente perdida, e rezava para que ninguém a encontrasse.
Drew também havia se perdido, e se odiava por isso. Ficara tão desesperado em tentar acalmar Serenna que nem se lembrara de que os caminhos mudavam para cada um. Se Serenna não desejasse ser encontrada, Drew não conseguiria fazê-lo. Sem ter para onde ir, o Anjo apenas sentou no chão, encolheu as pernas e deixou sua mente vagar em meditação profunda. Por algum motivo, ele sentia uma raiva extremamente grande quando pensava em Frederick... Apesar de tudo, Drew era um Anjo inocente... Ele desconhecia o significado do ciúme.
“Serenna...”.
- Serenna?
- Vá embora...
- Não sem você.
- Como me achou aqui, Frederick?
- Eu faço parte desse mundo, suas leis não se aplicam á mim. – Frederick parecia estar mais acostumado com o fato de não passar de uma ilusão. – E, de qualquer forma, sabia que, se eu fosse na direção contrária, a encontraria antes de Drew, que a seguiu.
- Drew estava me procurando? – Havia certa alegria na voz de Serenna.
- Desesperadamente. Mas ele nunca poderia encontrá-la, já que este não era o seu desejo. Você se escondeu em um mundo só seu, foi difícil até para mim...
- E porque você veio? – A agressividade voltara a dominar a voz da garota.
- Porque meu tempo aqui é curto. Não foram poucas as vezes em que eu me tornei temporariamente transparente... Logo desaparecerei para sempre. Devemos encontrar Ylua o mais rápido possível, para que vocês descubram logo como sair daqui. – Serenna, porém, não parecia ter vontade alguma de sair do lugar.
- A menos que você deseje ser a culpada pela vitória de Tundra. – Frederick comentou.
- Eu não me importo mais com Tundra, Frederick. Estou cansada... Eu sinto falta de viver minha vida normalmente. Há muito tempo que eu não vejo meus amigos, que não falo com meus pais... Frederick, os mortais possuem vidas também! Eu não posso me dedicar completamente á Tundra, ou a qualquer outra coisa assim! Eu tenho meus estudos, meus amigos... Como eu queria poder escolher... – As lágrimas já rolavam sem timidez pelo rosto de Serenna.
“E você pode.” A inconfundível voz de Tundra ecoou por todo o Nada de Serenna, assustando-os. Logo os gritos de Frederick, que chamavam seu nome, foram ficando tão distantes, tão baixos, que Serenna deixou de se preocupar com eles. O branco tornou-se cinza e os passos de Tundra ecoavam infinitamente. Em poucos segundos, Serenna estava frente á frente com a Ninfa demônio.
A jovem estava paralisada de medo, já Tundra parecia muito feliz, com seu sorriso anormal, de dentes grandes, pontudos e amarelados; olhos esbugalhados, quase saltando das órbitas e garras mortalmente afiadas, tingidas com o sangue esmaltado:
- Olá, criança.
- O que você quer aqui, demônio? – Apesar do medo, Serenna tentava reunir todas as suas forças, mesmo não dominando praticamente nada de seus poderes. Tundra gargalhou com gosto.
- Ah, minha querida. Não percebe que eu só estou querendo ajudar? Eu ouvi os seus lamentos. Imagino o quão terrível é para uma jovem mortal abandonar tudo de repente: os amigos, os estudos, os próprios pais... Você sente falta, não é? Não há um dia em que você não pense em todos os dias em que não foi á escola, porque estava com seus Anjinhos preciosos... Isso não é nada bom para uma mortal. Eu posso libertá-los. Posso fazer o tempo regredir e posso mudar os fatos. Posso fazer com que Serennity nunca tivesse morrido, posso devolver o trono de meu Castelo á Frederick, posso unir Harmonny e Drew e posso tirá-los completamente de sua vida.
- O quê? – Serenna estava, ao mesmo tempo, maravilhada e horrorizada com a oferta da Ninfa.
- Isso seria tão mais fácil para nós duas. – Tundra deslizada com uma de suas garras pela face de Serenna, causando-lhe arrepios. – Eu usaria o poder de minhas irmãs para conseguir o que quero, e você viverá sua vidinha comum, como tanto deseja.
- Mas... E Drew, Ylua e Frederick? – Perguntou Serenna, lutando para não deixar-se seduzir pela oferta de Tundra.
- Me diga criança: você chora a morte de desconhecidos? Depois de hoje, você não precisará preocupar-se com eles! Se eles viverem ou não, não importará! Você sequer saberá da existência desse mundo de Anjos, Elfos e poderes!
Aquele era um momento realmente delicado. Serenna seria capaz de abandonar tudo? De esquecer o próprio destino, apenas pelo prazer de viver uma vida comum? Porque isso, que antes não possuía nada de interessante, agora fazia tanta falta àquela jovem?
Com um movimento das garras, Tundra fez aparecer uma ampulheta negra, ricamente detalhada, com pequenos rubis no lugar dos grãos de areia. Ela o entregou á Serenna, dizendo:
- Quando a última pedra cair, eu voltarei. E é bom que já tenha feito uma escolha, até lá. – Sem dizer mais nada, desapareceu, deixando Serenna abraçada á bonita ampulheta, obrigando-a a tomar a decisão mais perigosa de sua vida.

enviada por ºMaah!º



22/06/2008 14:36

Capítulo 53

Quanto tempo teria durado aquele silêncio torturante? Os poucos segundos que se passaram mais pareceram uma horrenda eternidade. Drew mantinha-se calmo, frio e inexpressivo. Frederick prometera a si mesmo que agüentaria calado tudo o que Serenna tivesse para dizer, afinal, ele não se via no direito que responder-lhe, quando ele era o culpado por seu sofrimento.
Serenna lutava calada contra as lágrimas que tanto queriam rolar por seu rosto pálido. O Elfo fechou os olhos, engoliu em seco e, como se aquelas palavras muito o machucassem, repetiu, também querendo se convencer disso:
- Eu não sou real...
- Que história é essa? - Serenna falava rápido, quase desesperada. - O que você quer dizer com isso? Como pode não ser real?!
- Você é muito poderosa, Serenna. - Frederick a olhava nos olhos. Seu sofrimento era visível em sua voz. - Assim que você chegou ao Nada, seu inconsciente entrou em um desespero quase mortal. Você desejou com grande poder que tivesse alguém aqui para ajudá-la, para guiá-la! Alguém que entendesse como o Nada funciona...
- Você chamou por Frederick. - A voz de Drew era fria, ele não se preocupava em esconder o quão enciumado estava.
- Sim. - Frederick voltou a falar. - Pouco tempo depois, eu me vi aqui. Não entendi nada no começo, pensei que talvez fosse algo relacionado á vida após a morte, mas não. Assim que comecei a andar, diversas informações inundaram a minha mente. Em poucos minutos, eu sabia de toda a história deste lugar abominável... Você havia mentalizado um guia que lhe mostrasse coisas que nem você sabia.
- Quer dizer então... Que... Eu enganei a mim mesma? - Serenna elevava sua voz num misto de raiva e extrema tristeza. Estava triste por saber que Frederick estava realmente morto, e que não voltaria mais á vida. E sentia um ódio profundo de si mesma, por cair em uma armadilha cruel de sua própria mente, por ter alimentado falsas alegrias e esperanças, por ter chegado a pensar que tudo voltaria a ser como era antes...
- Não, Serenna. - Percebendo a confusão de sentimentos que reinava no espírito de Serenna, Drew se aproximou, querendo ajudá-la. - Tudo o que você fez foi dar mais uma mostra de seu poder. Mesmo sem saber, você evoluiu demais, a ponto que quebrar as regras desse lugar maldito!
- Mas que regras, Drew? - Serenna estava a ponto de explodir. Descontava sua ira em todos que estivessem próximos. - Por que um lugar ridículo como esse teria regras?
- Drew está certo. - Frederick dizia calmamente. - Apesar de parecer incrível, o Nada possui algumas regras: não é possível materializar portais, mapas, portas, bússolas... Ou qualquer outra coisa que seja capaz de guiar através do Nada. Outra regra que você conseguiu quebrar foi a do tempo: tudo que aqui é materializado, desaparece em pouco tempo. E o período de tempo fica curto, conforme você passa mais tempo aqui. Você conseguiu manter uma ilusão por muito tempo, sem nem ao menos perceber...
- E QUEM SE IMPORTA?! - O grito de ódio de Serenna ecoou durante minutos. - VOCÊS SÓ SE IMPORTAM COM O QUANTO A DROGA DO MEU PODER EVOLUIU? NÃO PARARAM PRA PENSAR QUE EU POUCO LIGO SE EU EVOLUI OU NÃO? NUNCA IMAGINARAM QUE EU POSSA PENSAR EM MILHARES DE OUTRAS COISAS?
Os pêlos da nuca de Frederick se arrepiaram, enquanto as penas das asas de Drew se eriçaram, uma a uma. Serenna correu para longe dos dois, desejando com todas as forças nunca ter nascido com aquele sangue tão especial: o sangue de humanos, Anjos e Elfos...
Drew tentou correr atrás da jovem, mas foi detido por Frederick:
- Não... Ela quer ficar sozinha.
- Ela pode se perder... - Drew ofegava. - Eu prometi a mim mesmo que iria protegê-la, não me perdoaria se acontecesse alguma coisa á ela! - O Anjo afastou a mão de Frederick do seu ombro com violência e começou a correr atrás da jovem.
“Eu ainda tenho algum tempo...”, pensava Frederick. “Tudo isso é culpa minha, é meu dever uni-los de novo, nem que eu precise ir até o Inferno para conseguir!”, imediatamente, Frederick começou a correr na direção oposta, lutando contra seu pouco tempo restante no Nada.
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- Tudo vai conforme o planejado... - Em uma sala escura, muito distante do Nada, alguém mexia com as garras compridas em uma poça de sangue, onde tanto Serenna quanto Frederick, Drew e Ylua eram vistos. Logo, uma risada estridente ecoou por todo o Castelo dos Elfos.
- Sim senhora. - Harmonny estava ajoelhada aos pés do trono de Tundra. Ela fitava o chão, sentindo imensa culpa por tudo o que se passava com as vítimas da Ninfa.
- Mesmo querendo me trair, você me ajudou, criança. - Tundra se levantou para acariciar a asa esquerda de Harmonny. Assim que seus planos de ajudar Serenna foram descobertos por Tundra, a Anjo fora barbaramente torturanda, a ponto de sobrarem apenas três penas em sua asa esquerda. As roupas de Harmonny estavam rasgadas e sujas, assim como o seu rosto. Haviam ferimentos por todo o seu corpo.
Mas a tortura não foi nada comparado á idéia de, mesmo sem querer, ter ajudado Tundra. Sim, pois, dois dias depois, a Ninfa a libertou da prisão e da tortura, anunciando seu plano de usar o poder de Serenna contra ela e seus amigos. Logo, aquele episódio horrendo se recriava na mente de Harmonny:
-Aquele Elfo cretino não passa de um sonho daquela mortal insignificante... E ela está tão apegada á ele... - Dizia Tundra, com um sorriso maldoso nos lábios. - Logo Frederick desaparecerá, como tudo que é mentalizado no meu Nada. Serenna sofrerá como nunca sofreu antes, e descontará sua fúria em Drew, que estará cego de ciúmes do Elfo... A discórdia está plantada.
- Mas e a Anjo da Cura, senhora? - Perguntou Harmonny, deixando o calabouço, desesperada por encontrar uma falha no plano de Tundra. A Ninfa demoníaca riu com gosto:
- Eu não preciso me preocupar com uma mera aprendiz, que mal sabe ainda dominar o próprio poder... Me diga, querida Harmonny, o que Ylua poderia fazer para me irritar?
Harmonny fitou o chão, humilhada e derrotada. Em silêncio, voltou a seguir sua mestra.”
- Não vai demorar... - Dizia Tundra. - Logo Serenna desejará voltar a ser a humana insignificante que era antes... Ela vai desejar nunca ter conhecido Drew, Ylua ou Frederick. Vai desejar nunca ter tido poder algum... E ela vai conseguir o que quer.
enviada por ºMaah!º



15/06/2008 00:14

Capítulo 52

Para o desespero de Serenna, a fome os perseguia. Sim, porque a comiza materializada no Nada não fazia mais efeito. Os chás que Frederick tanto apreciava não tinham gosto, e tomar uma xícara daquilo era o mesmo que tomar uma xícara de nada. E a comida assumia o gosto de serragem, assim que tocada pelos lábios ressecados de sede de Serenna, desaparecendo em seguida.
Não demoraram a descobrir que a comida já digerida também desaparecia, o que deixava ambos frequentemente com fome.
Frederick andava mais á frente, tentanto esqueçer da dor de cabeça e da fraqueza que a fomr gerava, já Serenna ainda não desenvolvera tal resistência e andava muito atrás.
- Frederick, por favor, vamos parar um pouco. - Disse Serenna em meio á um bocejo. - Se dormirmos, talvez a fome passe, e estaremos melhor quando acordarmos.
De fato, havia um bom tempo que nenhum dos dois dormia, eles haviam andado pelo que pareciam dias á fio, sem fazer uma pequena pausa sequer.
- Tudo bem. - Disse Frederick, após pensar por alguns instantes. - Podemos descansar e você pode dormir se quiser, eu quero me manter alerta.
Serenna abriu um sorriso cansado e nem se preocupou em materializar uma cama, ou qualquer outra coisa, pois sabia que tudo que fosse materializado no Nada, se dissiparia em pouco tempo.
"No fim, esse lugar mostou-se uma forme de tortura horrível...", pensava Serenna, enquanto se encostava nas costas do Elfo, caindo no sono poucos minutos depois. Frederick ficou um bom tempo fitando lugar algum, sua mente estava livre de pensamentos, sim, pois Frederick simplesmente não tinha o que pensar, ele só sabia que deveria encontrar Drew o mais rápido possível, para seu bem e o bem de Serenna. Logo o olhar inexpressivo do Elfo deu lugar á um olhar de extrema tristeza, e uma única palavra passou a ecoar em sua mente: "Real...", o motivo de tal palavra o atormentar tanto, só ele sabia.
Serenna dormia profundamente, parecia estar perdida em um sonho turbulento, pois ela se mexia com agressividade, como se tentasse desvencilhar-se de algo ou alguém, e não foram poucas as vezes em que ela chamava por Drew, Ylua e até mesmo por Frederick. Ao ouvir seu nome saindo da boca de Serenna, a tristeza no peito do Elfo só aumentava.
Após notar que Serenna se acalmara, Frederick decidiu que era hora de eles retomarem a caminhada, principalmente porque o mesmo vento gélido os cercava há algum tempo, a prova de que Drew os chamava.
- Serenna... - Sussurrou Frederick, como quem acorda uma criança. - O que acha de encontrarmos o Drew?
- Ah Frederick. - Resmungava a jovem, sem nem prestar atenção no que dizia: - Esse lugar é um lixo, a gente anda, anda, anda, e nada! Como sabe que nós vamos encontrá-lo?
- É que a brisa gelada inconveniente de seu amigo fica nos cercando há um bom tempo... Talvez estejamos perto.
Neste exato momento, o tal vento gelado soprou com força no rosto de Serenna, como se a chamasse. A jovem abriu os olhos imediatamente e disse:
- Ele está perto... Vamos para lá, posso sentir uma energia muito fraca, mas sei que é dele! - Ela apontava para o Leste. Antes que Frederick pudesse dizer qualquer coisa, a jovem, que parecia muito melhor, disparara a correr. Só restava ao Elfo suspirar e fazer o mesmo.
O vento sussurrava o nome de Serenna frequentemente, a jovem não tinha dúvidas. Logo os sussurros ficavam mais altos, assim como a energia e presença de seu Anjo.
"Por favor, não deixe que esse lugar me traia novamente!", implorava Serenna em pensamento.
Frederick ofegava, não sabia que Serenna tinha anta energia ou que corria tão rápido, e ele sentia imenso orgulho da jovem por isso. Quando a alcançou, ficou tão boquiaberto e paralizado quanto ela.
O lugar era extremamente gelado. Era como uma perfeita caverna de gelo, sem dúvida alguma, o refúgio de Drew, não haveria lugar melhor para um Anjo tão frio quanto ele.
- Que maravilha! - Exclamou Frederick, enquanto analizava os imensos cristais de gelo. - Drew possue uma habilidade mental incrível... Conseguiu manter isso tudo...
- DREW!!! - Gritou Serenna, pulando de alegria. De fato, no centro do lugar, cercado por cristais de gelo, estava Drew, em profunda meditação.
- Ele colocou-se em transe, para não sofrer com a fome... Brilhante... Serenna! Não! Não desperte o Anjo! - Gritava Frederick, tentando pará-la. Sem conter a alegria, Serenna corria em direção á Drew, pronta para acordá-lo.
- Por que não? - Perguntou Serenna, parando bruscamente.
Frederick aproximou-se de Drew e constatou que seu transe era absurdamente profundo.
- Não fassa tanto escândalo. Não se sabe onde ele está, só sabemos que ele não deseja ser encomodado. Elel não irá ouví-la, por mais alto que grite, apenas chame por seu nome em pensamento, e ele não demorará a acordar.
Serenna obedeceu. Fechou os olhos imediatamente e tentou encontrar o Anjo em pensamento:
"Drew... Está me ouvindo?"
"Serenna?!", para a surpresa da moça, Drew não demorou a responder: "Você me encontrou? Como"
"Seguimos a brisa que nos trouxe até você."
"Seguimos? Ylua está com você?"
"Na verdade não. Volte para seu corpo, e terá uma grande surpresa!"
Serenna abriu os olhos e esperou em silêncio. Frederick manteu-se alguns passo atrás, com um olhar muito triste e preocupado, mas também aliviado, pois agora Serenna estava segura.
Pouco tempo depois, Drew abriu os olhos e todo o gelo desapareceu. Ele gritou alegremente o nome de Serenna, abraçando-a com vontade, ambos explodindo de alegria. Porém a alegria transformou-se em uma imensa surpresa ao ver Frederick:
- Frederick?! O que faz aqui?
- Pense um pouco... - Sussurrava Frederick, fitando o chão branco. - Você sabe porque estou aqui...
Pela primeira vez, Serenna notou o tamanho da tristeza do Elfo. E assim como Frederick havia dito, Drew logo entendeu, e a surpresa em seu olhar transformou-se num misto de susto, surpresa e tristeza:
- Frederick... Você...?
- Exatamente, Anjo Drew...- Frederick arriscou um olhar desolado para o Anjo. - Eu não sou real.
enviada por ºMaah!º



31/05/2008 00:14

Capítulo 51

- Posso fazer uma perguntinha?
- Mais uma?
- Só mais uma.
- Você já fez mais de trinta... Minha querida Alice.
- Eu tenho motivos para ter dúvidas, e quer parar de me chamar de Alice?
- Perdão, acabei me acostumando. Mas você é tão curiosa quanto ela... Vai acabar crescendo e encolhendo daqui a pouco, assim como ela.
- Eu não sou Alice, Frederick.
- E qual é sua pergunta?
- Você disse que temos de nos manter loucos para estarmos sãos... Quando sairmos daqui... Não vamos estar tão acostumados com a loucura desse lugar, o que significa que aqui estamos sãos, mas que lá fora estaremos tão loucos quanto realmente estamos aqui?
- Não.
- Como não?
- Eu não sei, mas é melhor eu dizer "não" antes que embarque nesse seu raciocínio sem sentido e acabe louco também...
- Mas ele não é sem sentido!
- Cuidado Serenna... Está ficando louca. É melhor deixar as perguntas para depois. Consegue se comunicar com alguém?
- Não, a telepatia é meio impossível aqui... E dá dor de cabeça.
- Talvez seja porque você está tentando se comunicar com mundos diferentes. Cada um está em seu mundo aqui, felizmente estamos no mesmo mundo, se não fosse por isso, você estaria digna de um manicômio...
- Estou preocupada com Drew... Ele é sério e calculista demais, vai acabar enlouquecendo de verdade se não o encontrarmos.
"Mas... Se nós estamos loucos aqui... Como saberemos se estamos sãos no mundo real, e não tão loucos quanto dizemos estar aqui? E como sabemos se essa loucura é fingimento ou não? E..."
- Serenna, pelo amor de Deus, pare de pensar! Esses raciocínios são tão terríveis que até eu posso ouví-los! Se quiser um conselho, não pense em nada!
- Daí eu morro de tédio.
- Então pense em algum livro que você leu recentemente! Ninguém fica louco pensando em livros!
Serenna soltou um longo suspiro e voltou a seguir Frederick. Há tampo tempo que não lia nem ao menos uma revista, como poderia refletir sobre algum livro? Resolveu cantar músicas mentalmente, alguma música de que ela gostasse...
Ambos andavam rapidamente, sem que percebessem, aquele branco que tanto irritava os olhos tornava-se gelado. Arrepios percorriam as costas de Serenna e Frederick ofegava.
- Acho que estamos perto de alguma coisa... Não era pro Nada ter temperatura definida.
- Talvez Drew tenha passado por aqui...
- Você acha?
- Não consigo imaginar mais ninguém para deixar tudo tão frio. Ele tem que estar perto!
Ignorando os avisos de Frederick, para se manterem juntos, Serenna correu em direção ao frio, procurando pelo Anjo. Deixado para trás, Frederick apenas suspirou e, com a nuca apoiada nos dedos entrelaçados, sorriu, retomando a tranqüila caminhada.
- Drew? - Chamava a jovem. Sua voz ecoava infinitamente, assim como suas mentalizações.
- Que droga. Não dá pra mentalizar um mapa?
Após muito tentar, conseguiu um mapa precário com os caminhos que ela já fizera e umas poucas anotações como "achei o Frederick aqui" e "esse lugar é um saco". De fato, a paciência de Serenna estava se esgotando.
Em pouco tempo Serenna descobriu que sua imaginação era limitada naquele lugar. Não era possível imaginar uma porta de saída ou um teletransporte para achar Drew, Ylua e agora, Frederick...
- Ahh... Pra quê eu saí correndo? Agora me perdi até do Frederick...
Nesse momento, quando Serenna se perguntava á ponto de desespero "o que fazer", ela se lembrou da frase de Frederick "manter-se louco para ter certeza de que está são". Mesmo não confiando nessa filosofia do Elfo, a última cartada de Serenna era agir de alguma forma bizarra... Louca.
Sem melhores idéias, Serenna começou a cantarolar e a saltirar para trás, refazendo seu caminho como uma criança alegre.
Não se sabe quanto tempo ela fez isso, mas Serenna já estava quase sem voz quando ouviu a risada do Elfo:
- Serenna! Garota, o que é isso? Sentiu falta da infância? - O Elfo chorava de tanto rir, e Serenna não tirava sua razão. Aquela cena era ridícula.
- Só sendo louca, Frederick. - Serenna disse séria, o que calou o Elfo imediatamente. - Para estar sã.
Frederick sorriu orgulhoso de Serenna e de si próprio:
- Até que enfim você entendeu como o Nada funciona. Agora... Vamos procurar seu amigo?
- Da maneira mais sã possível, Frederick! - E com um sorriso de criança, Serenna tomou o Elfo pela mão e ambos correram em direção ao Nada onde Drew se escondia.
enviada por ºMaah!º



17/05/2008 22:48

Capítulo 50

"Serenna está morta", dizia mentalmente Harmonny, abrindo a porta do quarto onde Drew estava preso.
"O quê?! Quer dizer... De verdade?"
"É claro que não, seu tolo. Ela é mais esperta que você e me ouviu, escolheu a morte espiritual e agora sua alma vaga em meio ao nada. Se você escolher essa morte, terá alguma chance de se encontrar com ela, onde quer que ela esteja!"
"Não se se posso confiar em você, Harmonny. Mas as duas pessoas mais importantes para mim nesse mundo estão mortas, e eu não posso fazer nada a não ser morrer com elas..."
"... E reviver com elas também."
"Assim seja".
Harmonny bloqueou a própria mente novamente, sentindo a gélida presença de Tundra:
- Posso arrancar suas asas agora, queridinho?
- Poderia optar pela morte espiritual, por favor? - Pediu Drew, tentando ao máximo diminuir o próprio ego.
- Tem medo de sentir dor?
Drew não respondeu. Achou que isso seria mais convincente do que dizer "sou vaidoso demais para perder as asas", ou então um simples "sim". O silêncio de Drew fez brotar um monstruoso sorriso em Tundra, que tinha os olhos esbugalhados. Era aterrorizante ver alguém de tamanha beleza ficar tão demoníaca, seu rosto delicado dava lugar á um sorriso que deixava sua boca, inicialmente delicada, maior do que qualquer boca comum. Seus dentes afiados brilhavam e seus olhos quase saltavam das órbitas. Tundra tinha prazer em assustar o Anjo com aparência tão horrenda.
"Acredite: ela ainda está bonita", comunicava Harmonny, para o desgosto de Drew.
- Vamos deixar isso mais divertido. Harmonny! - A Anjo aproximou-se prontamente, exibindo as torturadas asas negras. Pouco se importando com seus gritos de dor, Tundra arrancou-lhe um punhado generoso de penas que jamais iriam se recompor. Sim, porque as penas tiradas das asas de um Anjo nunca vão nascer de novo, e quando não sobrar uma única pena, o Anjo perderá completamente sua alma, morrendo. Esse era o destino de Harmonny, que ela aceitava calada, dócil.
Apertando as muitas penas e enxarcando-as com magia negra, Tundra transformou-a numa faca digna de um açougueiro habilidoso. O sorriso da Ninfa Demônio se alargou ainda mais, seus olhos ficaram ainda mais esbugalhados e suas unhas cresciam rapidamente. Com o facão em punhos, Tundra correu até Drew, enterrando de uma vez o facão em sua mente. Os olhos do Anjo perderam a cor e o foco. Com a boca semi aberta, Drew tombou sem vida no chão frio.
Harmonny tapou a boca com as mãos, nunca imaginou que viveria para a ver a morte de um Anjo tão habilidoso quanto ele. Mas ela tinha de ser firme no pensamento de que aquelas mortes eram temporárias. As asas da Anjo ardiam violentamente, estavam horríveis e defeituosas, era muito doloroso voar e muito humilhante exibi-las. Harmonny sabia que logo chegaria a sua vez de morrer, e não seria uma morte temporária.
===
Em algum lugar no meio do nada, Drew -ou melhor- a alma de Drew caía violentamente, levantando poeira no chão branco. Instantes depois, recuperado do baque, Drew percebeu que tudo por lá era branco e infinito, sem dúvida, era a melhor definição do "nada" que alguém poderia conseguir.
- OLÁ! - O grito do Anjo ecoou infinitamente. Poderiam se passar dias até que Serenna ou Ylua o escutassem. Sem querer perder tempo, Drew liberou as asas que, em meio a tanto branco, mal podiam ser vistas.
- Que saudades do céu azul da Terra... - Suspirou o Anjo, levantando vôo.
===
Em algum outro lugar em meio ao nada, Serenna caminhava desinteressada, afinal, o que poderia ser interessante em meio ao nada? Eu digo o que poderia ser interessante:
- Serenna?
A jovem virou-se rapidamente:
- Quem é você? Onde está? Apareça! - Ela procurava em todos os cantos, mas não via ninguém. Até que, pega completamente de surpresa, a jovem foi abraçada com força:
- Serenna! Não acredito que é você! Pensei que nunca mais fosse te ver!
- Mas que diabos... MEU DEUS!!! - Tentando se soltar agressivamente, Serenna só percebeu depois que conhecia aquela voz tranquila muito bem. Ela não se preocupou em guardar o grito quando viu aquela figura alta, de ombros largos, vestindo-se como um nobre. De olhos profundos, orelhas pontudas, cabelos castanhos em uma trança presa por uma fita de seda negra, um pouco abaixo dos ombros e, algo que ela jamais poderia esqueçer: o sorriso doce de Frederick.
Assustada, a jovem deixou-se cair para trás:
- Você... O que está fazendo aqui?... A Kennedy... Ela te matou, eu vi!
- Na verdade... Eu não sei bem o que estou fazendo aqui. Só sei que depois que Kennedy me atacou, eu vim para cá.
- Isso aqui é o Purgatório? - Perguntou Serenna, preocupada.
- Acho difícil. Se fosse o Purgatório, estariam inúmeras pessoas aqui, aguardando a sentença final... Imagino que essa seja uma prisão mental ilimitada.
- Por que você acha isso? - Serenna mal acreditava que estava falando com o Elfo, e ele falava com tanta normalidade... Deveria estar ali há muito tempo para estar tão acostumado.
- Quer uma xícara de chá?
- O quê?!
- Chá. Uma xícara de chá, ajuda a acalmar depois que chega. - Frederick só poderia estar louco. Ele movimentava as mãos como se realmente estivesse bebendo chá, mas não segurava nada.
- Vamos Serenna... Não pode ver nada se estiver de olhos fechados. - Falava Frederick, como quem tenta ensinar um cachorro a sentar.
Serenna piscou uma, duas vezes e viu: uma bonita xícara branca com detalhes em dourado e um chá de camomila que pingava no chão.
Sentindo-se como Alice, em seu mundo de devaneios, ela perguntou:
- Como fez isso?
- Imaginando. Esse lugar é bizarro, é só o que tenho a dizer. Já leu "Alice no País das Maravilhas"? É um dos únicos livros humanos que já li, e devo admitir, é bem parecido com a nossa "realidade" nesse momento. Agora, se quiser chá ou bolo... Ou qualquer outra coisa, basta imaginar e se servir.
Frederick apontou para o nada. De repente, o "nada" deu lugar á uma bonita mesa de mármore, cheia de bolos, doces, salgados e alimentos em geral.
- Me perdoe. - Disse Frederick, estendendo uma xícara á Serenna. - Acabei incorporando demais o "Chapeleiro Louco", não acha?
Serenna só fez confirmar com a cabeça. Estava tão feliz por ver seu querido Frederick, mas tão confusa... Que raio de lugar era aquele?
- Frederick... Onde estamos?
- Ah! Que descuido meu... Eu chamei esse lugar de "Nada", não encontrei nome melhor, mas se pensar em algum, me avise!
- Você viu Ylua e Drew por aqui? Eles devem estar aqui também.
- Ah sim... Vi Ylua tem bastante tempo, o tempo corre de forma estranha aqui, então não posso dizer quanto tempo faz, exatamente. Mas quando a vi, ela estava em um lago, montada num cisne... Sem dúvida, Ylua tem uma bonita imaginação de criança, é por isso que gosto tanto dela. Agora, sobre Drew... Eu não me lembro de tê-lo visto, mas se ele estiver aqui, com certeza o encontraremos!
- E não dá pra imaginar um lugar menos branco?
- Daí teríamos que pensar em outro nome. Mas sem brincadeiras, eu tentei e não consegui, esse lugar é infinitamente grande, não dá pra cobrir tudo de outra cor... Mas se passarmos por um lugar levemente azulado, saberei que foi o primeiro lugar onde estive.
- Eu vou enloquecer... Tem certeza que está com a mente, bem... Sã?
O sorriso de Frederick deu lugar á face séria de que Serenna se lembrava com tanto carinho.
- Escute, Serenna: esse lugar nos afeta profundamente. Aquele que tentar se manter são em um lugar como o Nada, certamente ficará louco. Só sendo louco para se manter são. E eu espero que Drew entenda isso antes que ele enlouqueça, mas como eu não confio em seu amigo Anjo, é melhor iniciarmos nossa busca.
Embora Serenna estivesse tão confusa, ela sentia-se segura com a presença de Frederick, que tanto lembrava o Chapeleiro. E Drew e Ylua? Seriam eles o Coelho e o Gato? Talvez o Conselheiro com seu relógio e a Dama de Copas? Quem sabe... Só lembrem-se de se manterem loucos enquanto permanecerem conosco no Nada, é a única garantia de que estão realmente sãos. Escolham seus personagens e boa sorte.


enviada por ºMaah!º



11/05/2008 19:37

Capítulo 49

Para o desgosto de Tundra, não havia muito que fazer com Serenna. Ela não tinha asas até então, portanto, duas de suas torturas favoritas eram descartadas. Sobrava apenas a morte espiritual, para o alívio de Harmonny, que passava todas as informações sobre Drew por telepatia:
"Está me ouvindo?"
"Perfeitamente."
"Ótimo. Drew é um Anjo teimoso, mas se você escolher a morte espiritual, ele também escolherá. Só espero que vocês se encontrem e fiquem juntos. Encontrem também aquela Anjo da Cura, antes que algum de vocês desista da própria vida..."
"Não se preocupe comigo. Se você diz que é possível sobreviver á morte espiritual e ainda permanecermos juntos, eu... Eu confio em você".
Harmonny não evitou de sorrir. Sem dúvidas, Serenna era a mortal da Profecia, pois ninguém confiaria em Harmonny tão rapidamente, a não ser que pudesse medir a verdade em suas palavras. Ao ver o tímido sorriso de Harmonny, Tundra tratou de intervir na comunicação mental, felizmente Serenna havia sido mais rápida e bloqueara a própria mente.
- Está feliz, Harmonny?
- Eu... Eu... Sim senhora.
- Anciosa por eliminar a concorrente?
- Sim senhora. - Harmonny dizia fitando o chão. Algo no sorriso maldoso de Tundra fazia a Anjo sentir-se imensamente inferior.
- Então, por ser tão... Prestativa para minhas metas, eu te deixarei feliz, Harmonny. Serenna morrerá hoje. Se bem que há infitas outras torturas que eu posso aplicar em humanos, passei séculos estudando e praticando algumas muito interessantes...
- Mas a morte espiritual. - Disse Harmonny, assustada. - Provaria o quão fraca é a mortal da Profecia, que se diz destinada á derrotá-la! Ela não aguentaria uma semana em estado de morte espiritual, aposto minhas asas nisso!
"Harmonny, perdeu completamente o juízo?", exclamava Serenna mentalmente.
"Eu não tenho absolutamente nada a perder com isso, garota".
- Você está tão desesperada assim, para vê-la em morte espiritual?
- Eu... Eu não sei o que se passa neste estado, Milady. Mas imagino a aflição de não saber se está vivo ou não, de estar perdido em meio ás Trevas, vendo a vida fugir aos poucos.
- Ah, seus argumentos neste péssimo tom poético me cansam... - Tundra massageava o cenho. Ela não escondia o tédio por estar perante uma mortal. - Muito bem então, que seja a morte espiritual. Pelo menos me livro dela mais rápido!
Foi como se todo o peso do mundo fosse retirado das costas de Harmonny. Ela olhou para Serenna e abriu um largo sorriso. A vontade de Serenna era sorrir também, mas ela tinha que manter as aparências perante Tundra.
A Ninfa arrancou com força uma das penas negras de Harmonny, que abafou um gemido de dor. Tundra esmagou a pena com apenas uma mão, que logo ficou coberta de magia negra. Aos poucos, tal magia assumia a forma de uma adaga enegrecida. Exibindo os dentes afiados em um sorriso louco, Tundra aproximou-se de Serenna e encostou a adaga em sua testa. Aos poucos, a adaga sumia, assim como a cor nos olhos de Serenna que, em poucos minutos, caiu pesadamente no chão.
A magia negra da adaga, levemente alterada por Tundra, invadiu a mente e o espírito de Serenna aos poucos, prendendo-o em meio ao nada, como se disesse "Bem Vinda á Morte Espiritual".
Deixando o corpo inerte no quarto, Tundra e Harmonny saíram a fim de selar o destino do Anjo Drew.
enviada por ºMaah!º



02/05/2008 21:58

Capítulo 48

Uma coisa curiosa sobre os Anjos: eles praticamente nunca rezam. Os Anjos crêem, confiam em Deus, mas nunca rezam, e não se sabe o motivo. Os Anjos mais velhos rezavam com certa frequência, mas, nos turbulentos dias atuais, alguns dos Anjos mais novos nem ao menos sabe rezar. Mesmo não sendo tão jovem, Harmonny também não sabia como fazê-lo.
"Meu Deus...", pensava a Anjo, em silêncio. "Proteja essas pobres criaturas, que nunca se revoltaram contra ti. Drew sabe rezar, e a garota deve saber também, já que muitos mortais simplesmente dependem de você, confiam em você e, por você, arriscariam suas vidas. Um dia, Drew disse que poderia me ensinar a rezar, mas eu não quis. Apesar de nunca ter visto o Senhor, escutava suas ordens e as cumpria com relutância e preguiça. Não haveria outro destino para mim senão a revolta. Mas, por favor, se alguém deve ser castigado, que seja essa pobre e maldosa ovelha desgarrada que Lhe apela. Por favor, deixe meu querido Drew em paz, ele gosta de Serenna como eu queria que ele gostasse de mim. Por favor, proteja os dois...", se Tundra notasse que Harmonny chorava, talvez tentasse entrar na sua mente e descobriria tudo. Felizmente, o ego da Ninfa não lhe permitia observar a Anjo.
- Abra. - Para a surpresa de Harmonny, elas já estavam em frente á prisão de Serenna, como se o tempo passasse mais rápido quando sua alma se encontra em pura reflexão. Enxugando as últimas lágrimas na manga encardida, Harmonny empurrou outra das inúmeras e pesadas portas do Castelo.
Para a surpresa de todas, Serenna encontrava-se em posição de lótus, meditando profundamente, no centro da sala de pedra acinzentada.
Sem dizer palavra, Tundra afastou a bonita manga, exibindo a mão pálida e as unhas pintadas de vermelho. Segundo a segundo, aquelas unhas cresciam, em pouco tempo viraram garras que assustaria até o mais feroz dos lobos. Com passos largos ela se dirigiu até Serenna e, com um golpe violento, agarrou sua cabeça, empurrando-a para trás com suas garras horrendas, enquanto invadia a mente da garota.
- Essas vidas idiotas dela acham que podem comigo... Os mortais da Profecia já caídos estão desesperados, sem dúvida ela é a mais incompetente de todos, a única que foi presa. - Ela soltou a cabeça de Serenna, que fora tirada do transe com violência. - E diga ao meu querido Dereck, o patife que me prendeu naquele ridículo colar, que é inútil aconselhar uma mortal do seu nível...
- Dereck manda dizer que mal pode esperar para ver com meus olhos a sua queda. - Serenna sorriu com dificuldade, pois o toque das garras malditas pareceram amortecer todo o seu rosto. Tundra ignorou o comentário. Felizmente, o pouco tempo em que Serenna meditara fora o suficiente para saber que Tundra era vaidosa e que era um ser horrendo na verdade. Também aproveitou para saber da situação de Ylua e Drew, estava muito mais aliviada agora e sentia-se capaz de desafiar a Ninfa que domina a Morte.
-Boa sorte-, na mente de Serenna, a calma voz de uma de suas vidas passadas ecoava pacificamente. Ela sabia que todos estavam torcendo por ela. E essa batalha ela não se permitia perder.
enviada por ºMaah!º



19/04/2008 21:24

Capítulo 47

Vênus fez sinal para que se retirassem o mais rápido possível, não tinha certeza se conseguiria dominar o profundo ódio que sentia de Tundra.
"Não somos fracos", pensava Vênus. "Nem nunca fomos dominados tão facilmente... Como seria grande o meu prazer em ver o sangue daquela Ninfa escorrendo por entre meus dedos...".
Harmonny abria a pesada porta com esforço, a claridade irritava os olhos de Drew, já acostumados com a escuridão.
- Está acomodado? - Tundra adentrava lenta e dramaticamente no quarto, querendo apreciar plenamente a face de Drew. Era a primeira vez que o Anjo via seu rosto, nunca imaginaria que fosse tão bonita.
Seus cabelos eram acinzentados e lisos, seus olhos eram azuis de uma profundidade oceânica. Sua pele era tão branca quanto a Lua e um enfeite de ouro pendia em sua testa. Suas roupas eram riquíssimas e lembravam muito o Japão Feudal. Sem dúvida, ela era a mais bonita das Três Ninfas.
- Podia estar melhor. - Drew respondeu, após o pequeno transe. Tundra o olhou com desprexo e respondeu rispidamente:
- Você é mesmo um ingrato! Se acha isso ruim, saiba que vai ficar infinitamente pior! - Sem perceber, Tundra havia mostrado os dentes. Drew percebeu que aquela beleza era inteiramente falsa, e estremeçeu vendo o demônio que Tundra era por dentro. Seus dentes era longos, brancos e afiados como o de um cão damoníaco. Percebendo o medo de Drew, Tundra abriu um sorriso, literalmente, de orelha á orelha.
"Ela é um demônio!?".
Tundra aproximava-se lentamente. Atrás dela, Harmonny tremia e suava frio.
"Vo... Você não deveria provocá-la... Não imagina o quão horrenda é sua forma verdadeira!" - A voz desesperada de Harmonny ecoava pela mente do Anjo acorrentado. - "Aposto que nem mesmo os Anjos Espirituais conseguiriam derrotá-la!".
"E onde estão os Anjos Espirituais?", perguntou Drew, tentando recompor-se do susto.
"Eu não sei. Há uns poucos no Templo, mas outros partiram para outras Constelações, em inúmeras missões. Até onde sei, nenhum retornou".
Seria loucura chamar os poucos Anjos Espirituais do Templo... Qeum sabe? Talvez fosse louco o suficiente para dar certo, mas seria um grande peso perder esses poucos Anjos numa tentativa frustrada de ataque. Drew decidiu que só os chamaria como última opção.
Tundra fitava Drew nos olhos. Suas longas e afiadas unhas vermelhas arranhavam seu pescoço de leve, liberando uma gota de sangue escuro vez ou outra.
- Você teme a morte?
- Eu sou imortal.
- Até o dia em que te matem da forma certa. Agora me diga, o que você prefere: que eu arranque pena por pena de suas bonitas asas, que eu as arranque de uma vez ou que eu o prenda em um estado avançado de morte espiritual, onde você ficará preso até admitir que morreu, desistindo de sua própria vida?
"Morte espiritual, peça a morte espiritual!", repetia Harmonny, telepaticamente.
"Você adoraria que eu desistisse de minha vida, não é?".
"A morte espiritual é um meio demorado de tortura. Você ficará preso no meio do nada até admitir que está morto, mas enquanto não admite, continua vivo! Tudo o que você tem que fazer é dizer a si mesmo que está vivo e conseguirá retornar!"
- São todos meios muito interessantes, Tundra. Eu fico imaginando a quantidade de Anjos que você já deve ter matado para conheçer três formas de fazê-lo. - O Anjo tentava ganhar tempo.
"Drew, pelo amor de Deus! O grito de um Anjo que perde as asas é o som mais agonizante que você pode imaginar! E perder pena por pena, assim como eu, é algo demorado e absolutamente torturante! Tundra é sádica, trabalha com tortura! A morte espiritual é indolor e há uma chance para se salvar! Eu imploro!".
- Já chega, você demora demais... - Tundra estava aborrecida. - Já que você não escolhe, escolho eu. Arrancarei suas asas de uma vez...
Harmonny tapou a boca com as mãos maltratadas, abafando um grito. Drew engasgou. Harmonny deveria agir rápido:
- Milady... - Harmonny ajoelhou-se perante Tundra. - Se me permite, não creio que devas sacrificá-lo imadiatamente, afinal, o verdadeiro troféu está indefeso e aprisionad no Castelo. Creio que seria melhor cuidar primeiro da mortal Serenna, que, segundo dizem, está destinada a derrotá-la.
Tundra riu, mostrando as presas:
- Chega a ser engraçado. Como podem ter tanta certeza de que eu seria derrotada por uma mortal pálida como aquela? Mas se faz tanta questão de ver sua concorrente morta, Harmonny, eu farei sua vontade.
"Dê graças a Deus que a telepatia é impossível apenas fora daqui, se não você já estaria morto. Só espero ue sua amiga me dê mais atenção...", Harmonny deu passagem á Tundra e a seguiu de cabeça baixa.
Por um décimo de segundo, Drew sorriu carinhosamente para Harmonny. Talvez ela não fosse de todo mal.
enviada por ºMaah!º



12/04/2008 17:11

Capítulo 46

A telepatia era simplesmente impossível, e Serenna gastara uma quantidade perigosa de energia tentando provar o contrário.
As lágrimas escorriam por seu rosto pálido, mas ela própria as ignorava. Não adiantava chorar naquele momento, demonstrar fraqueza seria um erro. Serenna só desejava saber o que estava acontecendo com Drew.
O Elfo que acompanhava o Anjo fora dispensado no meio do caminho, voltando em silêncio e com o olhar baixo para de onde quer que ele tenha saído.
Os Anjos Manipuladores eram mais agressivos do que o Elfo, eles conheciam o poder de Drew e, mesmo sabendo que ele não ofereceria resistência, não puderam negar o praser de acorrentar o mais poderoso líder do Exército Celeste. Drew nunca sentira-se tão humilhado, mesmo assim, seu olhar continuava frio, impassível.
Seu pescoço foi preso por uma pesada coleira de metal, seus pulsos e tornozelos foram algemados e suas asas sofreram golpes de pressão para que não se movessem, o que causava uma dor terrível - dor esta, que Drew suportou em silêncio.
Como se já não bastasse, seus olhos foram vendados com um lenço vermelho sangue, o que irritava os olhos do Anjo caso ele tentasse mantê-los abertos. Antes de ser vendado, Drew notou que os Anjos não se atreviam a olhá-lo nos olhos, mesmo assim, reconheçeu em cada um deles, um amigo.
Galadriel e Tinuviel, os Anjos que o acorrentaram, foram seus maiores companheiros muitos séculos antes, quando os três ainda era meros aprendizes no Templo das Sombras. Na época, Drew era muito mais frio e anti-social, e os dois Anjos Manipuladores foram os responsáveis por mostrar-lhe que de nada valia isolar-se em um lugar como aquele.
- Apesar da má fama da raça, foram os Anjos mais justos que já conheci. - Murmurava Drew. Ele sabia que, ao todo, eram quatro Anjos, portanto, oito passos ecoavam pelo corredor. Mas assim que Drew pronunciara aquela frase, ele deixou de ouvir o caminhar de dois Anjos. Mesmo sem poder ver, Drew sabia que Galadriel e Tinuviel o olhavam assustados e com grande remorso.
- E sei que continuam sendo... - Completou Drew.
Galadriel parecia querer falar algo, mas Tinuviel depositou a mão em seu ombro, pedindo para que continuasse em silêncio.
E quem seria o terceiro Anjo? Quem andava á frente dos demais, puxando Drew pelas correntes? Ninguém mais, ninguém menos que Vênus, a antiga monitora da Classe Manipuladora e guerreira nata. Outra grande amiga de Drew, que se perdeu em meio ao turbilhão das Guerras Celestiais.
- Talvez fosse melhor continuar desgarrada, não é, Vênus querida?
- Cale-se... - Foi tudo o que Vênus conseguiu pronunciar, antes que as lágrimas tomassem conta de seu bonito rosto. Vênus se odiava amargamente for realizar um trabalho tão repulsivo, mas ela era líder por natureza e deveria mostrar toda a frieza que fingia ter. Mas por quanto tempo ela manteria este nível tão cruel perante um amigo de tantos séculos?
Os minutos pareciam eternos quando, finalmente, eles pararam.
- A telepatia é impossível. - Falava Vênus. - Quilômetros de um "corredor - labirinto" separam você e sua amiga. O quarto onde você vai ficar é a prova de feitiços, sons e qualquer outra coisa. O único oxigênio que você vai encontrar é forjado, artificial, portanto, é simplesmente impossível de tentar fugir.
Tinuviel retirava a venda enquanto Galadriel retirava as algemas, deixando apenas o pescoço do Anjo preso. Vênus empurrou uma das milhares portas de aço e de passagem a Drew, entrando em seguida.
A corrente da "coleira" de Drew foi imediatamente acoplada á parede de pedra pura, Vênus trabalhava com agilidade. Ao testar a resistência das correntes várias vezes, a Anjo voltou para o lado dos amigos e fechou a pesada porta, deixando Drew mergulhado na escuridão.
Do outro lado, Vênus deixava-se cair de joelhos no chão, suas mãos cobriam o rosto encharcado de lágrimas:
- Se algo acontecer á ele... Eu destruirei este castelo e morrerei em seguida... Eu juro por minhas asas que vingarei este Anjo.
Envergonhados e fitando os próprios pés, Galadriel e Tinuviel ajoelharam-se, cada um com uma mão no ombro de Vênus.
E lá eles ficaram, imersos num silêncio de vergonha, até que os passos de Tundra, seguidos por passos apressados e ofegantes de Harmonny puderam ser ouvidos, aproximando-se rapidamente.
enviada por ºMaah!º



11/04/2008 21:07

Capítulo 45

- Recomponha-se. - Tundra era inacreditavelmente fria. Ela repetiu a ordem, dessa vez mais agressiva. Harmonny levantava-se com dificuldade.
- Perdoe-me, Milady. Mas, como bem sabe, não sou nada comparada a vossa força.
- Comparada com minha força ou não, você não é nada.
Harmonny engolia seu orgulho amargamente, seu comportamento era atípico, o que provava que Tundra era extremamente poderosa. As mãos da Anjo tremiam com violência, ela suava frio, seus dentes trincavam. Pela primeira vez em séculos, Harmonny estava apavorada.
- E o que faremos com os prisioneiros, Milady?
- Leve-os para celas distantes, quero que eles se sintam sozinhos quando "morrerem".
Imediatamente, a porta da torre foi aberta, dois Elfos entraram sem olhar para a escuridão onse se localizava Tundra, ambos tremiam.
Suas roupas estavam em condições um pouco melhores que as de Harmonny, provavelmente, era Harmonny que sofria quando Tundra estava de mau humor.
- Desculpe... - Murmurou um dos Elfos, enquando Serenna e Drew eram separados. O mesmo Elfo passou o braço de Serenna por trás de seus ombros e a ajudou a caminhar, o mesmo fez o Elfo que ajudava Drew. Já Harmonny levava o corpo inerte de Ylua com desprezo:
- Vocês vão acabar ficando que nem ela... Um saco de penas inútil.
- Antes um saco de penas do que um saco desprezível de pancadas... - Murmurou Drew. - Você está completamente domada por Tundra... Nunca foi tão fraca.
Aquilo atravessou Harmonny como uma lança, paralizando-a. Ela segurou uma teimosa lágrima o máximo que pode, soltando-a, por fim, seguida de um soluço:
- Você não sabe o sufoco que estamos passando aqui. Eu tinha o controle de tudo até ela chegar. De repente, estávamos todos sob o comando daquele monstro.
- Senhorita, por favor, fale baixo! - Murmurou um dos Elfos. - Como bem sabe, Mestra Tundra poderia estar ouvindo.
- E QUE ESCUTE! - Gritou Tundra, virando-se para a porta e retomando o baixo nível de sua voz em seguida. - Seria apenas mais um castigo e mais uma porção de penas a menos em minhas asas... Ela mesmo já disse que sua única meta neste castelo era me matar lentamente, me depenando como uma ave prestes a ser abatida. Você tem muita sorte, Drew. - Ela sorriu tristemente. - Pois só depende de vocês se vão morrer ou não. Já eu... Não tenho escolha.
Drew pesava com severidade cada palavra de Harmonny. Não sabia se deveria acreditar em algo que saísse de sua boca. Serenna porém, não conhecia os feitos passados da Anjo, e, para ela, o passado não importava. Harmonny estava muito pior do que eles dois.
-"Poderíamos ajudá-la", pensava Serenna.
-"Não acho uma boa idéia...", em outra ocasião, Drew diria um "Não" solene, mas ele achava-se extremamente inferior agora, como um inseto insignificante. Simplesmente não se perdoava por quase ter matado alguém que tanto gostava.
-"E se fosse você quem tivesse que aceitar fato de morrer aos poucos, perdendo pena por pena das asas que tanto ama?".
-"Sei que deve estar com medo de mim agora... E admito que eu seja mais parecido com Harmonny do que eu gostaria, mas saiba que, por vontade própria, eu nunca trairia um amigo..."
-"Eu não seria capaz de ficar brava com você por muito tempo, Drew, nunca fui de guardar rancor. E você não fez isso por vontade própria... Aquele não era você... E de você eu não tenho medo". - Porém, nem Serenna nem Drew sentiram total verdade nessas palavras mentais.
Eles seguiram em silêncio mortal até um corredor bifurcado, onde cada um tomou um caminho diferente. Harmonny seguiu Serenna com Ylua até metade do corredor, onde entrou por uma porta de aço espesso. Cinco minutos depois, o Elfo indicou a Serenna uma porta idêntica, e disse:
- Espere aqui em silêncio. E lembre-se: "A Morte é apenas uma questão mental, pois se a mente manter-se viva, até mesmo o corpo mais ferido é capaz de levantar"... Meu irmão sempre dizia isso.
- Quem é seu... - A pergunta, porém, ficou pendendo no ar. Serenna já sabia a resposta: o jovem Elfo tinha o mesmo sorriso, o mesmo brilho nos olhos negros que Frederick.
O Elfo abriu a pesada porta com facilidade e, ostentando um sorriso triste, porém esperançoso, disse:
- Jamais desista dessa vida maravilhosa que você possui. Jamais desista da vida de sua mente. Todos nós contamos com você em segredo, Serenna.
A porta se fechou lentamente.
- Espere! Qual é o seu nome? Que lugar é esse? E Frederick?!
Infelizmente, a porta não deixava passar nenhum ruído para o outro lado. Se qualquer milímetro do quarto não estivesse repleto dos mais diversos feitiços, talvez Serenna escutasse o que o jovem Elfo dissera, assim que a porta foi trancada. Algo importante sobre Frederick, que com certeza inundaria aquele quarto da mais luminosa esperança.
E, em silêncio e na escuridão total, Serenna aguardava a vinda da Ninfa que domina a Morte.
enviada por ºMaah!º



05/04/2008 20:33

Capítulo 44

- Pegue Ylua e suma daqui... - Um arrepio percorreu as costas de Serenna ao ouvir a voz de Drew. Uma voz outrora calorosa estava fria e sádica. - Antes que eu a mate também.
- Eu não vou fugir. - Srenna respondeu, confiante. A jovem simplesmente não acreditava que Drew fosse capaz de atacá-la, afinal, ela nunca presenciara seus feitos manipulando magia negra. Se talvez já tivesse visto seu desempenho em algumas guerras, obedeceria imediatamente.
- Talvez você realmente queira morrer. - Os dentes de Drew pareciam mais brancos e afiados, seu sorriso era aterrorizante. - Eu odeio mortais que não têm amor á vida... Já matei muitos desses seres inúteis, sabia? Mais uma não vai mudar o rumo das coisas.
"Ele é um monstro...", Serenna estava paralizada de medo. Aquele ser de olhos negros jamais seria comparado ao bonsoso Anjo de Guerra, aquele que sofria por ser obrigado a matar, aquele que carregava uma culpa maior do que deveria. Agora Serenna entendia: Drew sentia-se culpado pelas atrocidades daquele monstro.
Ao olhar Harmonny, Serenna notou um largo sorriso em seu rosto. Harmonny certamente admirava aquele ser tão cruel. Não era difícil imaginá-la apaixonada por aquela versão terrível de Drew. Harmonny simplesmente idolatrava o lado possuído por magia negra do Anjo, um lado que ele próprio queria esconder.
- EU MANDEI VOCÊ SUMIR DAQUI! - Mesmo que Serenna não percebesse, Drew sofria em uma luta interior consigo mesmo. O Anjo suava e ofegava, sempre manipulando a Espada Proibida. - Por favor... - A voz de Drew voltava ao normal aos poucos. - Serenna, por favor... Saia daqui...
Porém, seus olhos escureceram novamente e sem dizer mais nada, Drew virou-se, pronto para atacar a jovem.
Serenna imediatamente largou o corpo de Ylua, com medo da Anjo também sofrer o ataque.
Talvez a jovem estivesse paralisada de medo, talvez ela simplesmente não temesse. O que importa é que Serenna manteve os olhos nos olhos possuídos de Drew. Serenna seria atacada de cabeça erguida.
Drew manipulava a espada com grande habilidade, é claro, e nem poderia ser diferente. Enlouquecido pela sede de sangue, parte de Drew apenas pensava em que região do bonito corpo da garota desferiria seu golpe. Já a outra parte gritava desesperadamente para que ele parasse.
A ponta da espada foi apontada para a barriga da jovem. Drew correu o mais rápido que pode, preparado para acabar com a vida de mais um mortal. A espada, porém, parou a apenas dois centímetros do corpo de Serenna.
As gotas de suor escorriam pelo rosto do Anjo, ele tremia. Seus olhos mudavam de cor constantemente, ele parecia sentir dor. Logo, Drew fez a espada desaparecer, assim como a escuridão gótica de seus olhos, e deixou-se cair de joelho perante Serenna.
- Eu disse que EU iria matá-la... - Aquela voz gélida, emersa na escuridão, voltara a ecoar pela torre. Harmonny tremia da cabeça aos pés. Subtamente, a Anjo virou-se e atirou-se ao chão, mostrando o medo que sentia de quem quer que fosse:
- Si-si-sinto muito Milady. É... Você... A senhora... Sabe, eu apenas...
- SILÊNCIO! - Um feixe de luz que misturava vermelho com negro atravessou a sala, atingindo Harmonny em cheio. A Anjo caiu estatelada no chão, inconsciente. Mesmo aquilo não foi capaz de desviar a atenção de Serenna:
- Drew, tá bem? - Serenna ajoelhara-se no chão, procurando os olhos do Anjo:
- Como pode tocar em mim depois do que eu pretendi fazer com você? Serenna, eu pretendia de matar...
Com certa veronha, Drew olhou nos olhos da jovem. O Anjo chorava.
- Aquele jamais poderia ser você, Drew. Você nunca faria algo assim.
- Mesmo assim... Seu sangue escorreria em minhas mãos, e eu jamais me perdoaria se... Aquilo... Fizesse algum mal á você.
- Tente se acalmar. - Serenna estava aliviada. Por um momento, a presença de Tundra não tinha importância. Drew sentia-se como uma criança, uma criança com poder de matar. Serenna o abraçou. Mesmo assim, a jovem não conseguia evitar de sentir medo dele.
enviada por ºMaah!º



30/03/2008 13:04

Capítulo 43

Serenna adormecera nos braços de Drew. Os ossos do Anjo estralavam ao mínimo movimento, seus braços estavam dormentes e suas asas doloridas. Ele porém, não ousava parar um minuto sequer, não fora criado para queixar-se de dores.
Para o desespero do Anjo, a macabra dança entre Lua e Sol havia se iniciado, sempre seguidos por uma grande bola brilhante -Mortis-que sugava e energia de tudo e todos, inclusive de Serenna, que ficava cada vez mais gélida.
- VAMOS LÁ HAMONNY! É TUDO O QUE CONSEGUE? - Gritava Drew. - CASO NÃO SE LEMBRE, EU JÁ PASSEI POR TORTURAS MUITO PIORES, NA PRIMEIRA GUERRA!
Drew sabia que Harmonny os estava observando, e com certeza, não estava nem um pouco satisfeita. Um vento terrivelmente gelado tentava fazer o Anjo recuar. Por mais que suas asas estivessem feridas, Drew jamais desistiria, pois a torre do Castelo estava realmente perto agora.
"Drew... Meu amado Anjo..., a voz gélida de Harmonny voava junto ao vento. "Por que continua? Desista. Largue essa mortal inútil e volte ao Templo, onde é seguro".
- O único Anjo que eu conheço que fugiria numa ocasião assim é você...
Apenas alguns centímetros. Era essa a distância entre Drew e a janela da torre. Com a cabeça de Serenna contra o próprio peito, Drew tomou impulso e atirou-se contra o vidro. Porém, apenas na terceira investida que o vidro ricamente enfeitado cedeu, dando passagem á um Anjo perigosamente ferido.
- Drew? - Protegida dos efeitos de Mortis, Serenna recuperava a energia aos poucos. - Onde estamos?
- Nós conseguimos. - Drew falava carinhosamente. - Estamos no Castelo.
- Que bom... - Serenna ostentava um sorriso cansado. - Acho que estou recuperando as forças.
- Excelente... - Uma voz desconhecida surgiu de uma parte escura da Torre, seguida pela risada histérica de Harmonny. - Assim poderei sugá-las por completo.
Uma leve batida de asas, o barulho de metal contra metal, e dois pares de olhos brilhando perigosos na escuridão... Pela primeira vez em dias, Drew não sabia o que fazer.
A primeira a aparecer foi Harmonny. Seu cabelo loiro quase branco estava desgrenhado, suas vestes estavam rasgadas e suas pequenas asas negras davam pela falta de penas. Mesmo judiada, Harmonny ostentava um ar superior, suas asas estavam abertas e ela fitava Serenna com desprezo.
Apenas pelo prazer de enfrentá-la, Drew esticou ao máximo suas grandes e perfeitas asas brancas, e disse, com um sorriso cínico:
- Quem diria... E você foi, outrora, a mais vaidosa com suas asas... Se eu fosse você, eu as esconderia para sempre, por vergonha de exibir perante um Anjo de Guerra, asas tão imprestáveis quanto as suas.
Por mais que os insultos tivessem atingido Harmonny profundamente, ela apenas aproximou-se de Drew, acariciou se rosto e disse:
- Minhas asas nunca foram bonitas como as suas, querido... Você se lembra? Antes da Primeira Guerra Celestial? Eu tinha tanta inveja das suas asas...
- Sim, tanto que tentou cortá-las no mesmo dia em que eu descobri que você havia me traído.
Diante dessa acusação, Harmonny recuou. Pela primeira vez ela pareceu notar a presença de Serenna, que se erguia com dificuldade. Odiando-a profundamente, Harmonny a agarrou pelos cabelos:
- Então, Drew... Essa é a vadia que ocupou o MEU lugar na sua vida?
Os olhos de Drew ficaram acinzentados imediatamente. Vovendo-se com grande agilidade, ele agarrou a Anjo pelo pescoço:
- Eu não permitirei que você ofenda Serenna! Você está louca, Harmonny. Sempre foi louca!
"Louca por você", pensava a Anjo enquanto voltava a escuridão.
- Você vai ver, Drew. - Ela dizia. - Eu tenho algo que vai baixar essas asinhas...
Alguns segundos depois, ela retornara á claridade com um Anjo, amarrado e amordaçado. A rara combinação de asas azuis e cabelos cor de fogo permitiu que Drew e Serenna a reconhecessem imediatamente:
- YLUA! - Os dois exclamaram.
- Foi tão fácil... - Harmonny fitava a Anjo com um sorriso maldoso.
- Foi quando Ylua foi visitar o túmulo da irmã, não foi? - Serenna perguntava a Drew, horrorizada.
- Não... Foi antes... A que estava conosco não era Ylua. Harmonny a sequestrou e assumiu sua forma, usando a técnica de Transformação... - Drew fitava a Anjo Manipuladora com ódio. Seus olhos ficavam cada vez mais enegrecidos.
- A Magia Negra surte um efeito dobrado nos Anjos de Cura... Causa ferimentos dolorosos que eles não podem curar. - Harmonny falava com ar vitorioso. - Foi até chato derrotar alguém tão inexperiente.
- Então lute comigo agora. Vamos ver se vai achar chato. - Pequenos raios negros e azulados cercavam a mão direita de Drew. Serenna e Harmonny fitavam o Anjo num silêncio mortal. Logo, uma espada feita da mais pura magia negra era empunhada pelo Anjo.
- Você conheçe a lâmina dessa espada como ninguém...
Serenna conhecia a história dessa espada. A "Espada Proibida" de que Ylua falara certa vez... Drew já a usara no Castelo dos Elfos, para ajudar na fuga, mas ele nunca a manipulara com tanto ódio.
"Eu fico descontrolado quando a uso, por isso mesmo tento não usála, por medo de machucar inocentes", Serenna lembrava dessas palavras... Tanto ela quanto Ylua e Harmonny corriam perigo. Ninguém sabia do que Drew era capaz.
enviada por ºMaah!º