<body> <div class = 'arrbames'><script language="JavaScript" src="http://www.ig.com.br/paginas/home/barra/v8/igbarra.js"></script></div> *�* Templo das Sombras *�*

05/12/2008 12:59
Gente, estou aqui para avisar que o Templo MUDOU! Para acessar o novo endereço do blog, é só clicar aqui, olha só:


Espero vocês lá! ;]
enviada por ºMaah!º



01/11/2008 12:52

Capítulo 62

- Sua idiota... - Drew tinha dificuldades para respirar. Ele não conseguia tirar os olhos de Harmonny, ela estava caída no chão e suas asas estavam visivelmente mortas. - Por que fez isso?!
Harmonny olhou para ele e sorriu, suas lágrimas misturavam-se ao sangue que respingara em seu rosto:
- Este é o preço que eu tive que pagar, Anjo amado. Só espero tornar-me merecedora do perdão celestial...
Drew não falou mais nada, a voz negava-se a sair. Harmonny caminhou até ele com dificuldade. Ela apoiou-se no ombro esquerdo do Anjo, tentando soltar as cordas que prendiam suas asas.
- Isso deve ajudar... - Um pouco da Magia Negra de Harmonny foi o suficiente para que as cordas caíssem, rompidas. Drew sufocou um gemido de dor, ao sentir tal Magia tocar suas asas, o mesmo foi com todas as partes presas de seu corpo. Em pouco tempo, Drew estava livre.
- Obriga... Harmonny, você está bem?
Não estava. Uma Anjo naquelas condições jamais poderia gastar qualquer resquício de magia que lhe restasse. Tomada por uma súbita fraqueza, Harmonny desmaiou.
Drew não a deixou tocar o chão, colocou-a nos braços e caminhou até a porta. Ele não sentia vida alguma na Anjo, mas sabia que ela não estava morta; Harmonny jamais abandonaria uma batalha daquele jeito. Ao olhar para trás, Drew pode ver a generosa trilha de sangue que escorria das asas de Harmonny, gota a gota a vida de sua querida amiga escorria e tocava o chão, criando uma cena repulsiva, cruel e traumatizante.
As lágrimas escorriam frias do rosto de Drew, mesmo contra sua vontade, seus olhos frios e amarelados tornavam-se escuros, cinzas, ilustrando sua vontade de matar. Aquele não era o comportamento de um Anjo, mas naquela hora ele não era um Anjo, Drew mostrava sem medo sua forma mais cruel, aquela que as pessoas que o criaram como arma de guerra mais gostavam.
Porém, algo que nunca havia acontecido: mesmo com todo o seu poder para matar despertado, Drew ainda tinha controle sobre sua visão, seus pensamentos e seu corpo, talvez o sopro do poder de Harmonny que entrara em contato com seu corpo o tivesse ajudado, talvez a Magia Negra da Anjo mantivesse a sua sob controle. Ciente desse fato, Drew sorriu, um sorriso digno de um demônio.
Bastou um golpe da espada enegrecida de Drew para que a poderosa porta cedesse, em pouco tempo ele estava do lado de fora, no lado Oeste daquele labirinto de portas e corredores, o mais longe possível de Serenna, Ylua e da saída.
Não era possível erguer vôo naquele labirinto, simplesmente não havia espaço para que o Anjo esticasse suas belas asas e, mesmo que o fizesse, não havia espaço para movimentá-las. Com Harmonny desmaiada em seus braços, Drew começou a correr.
- Drew... Me solta. - Para seu alívio, Harmonny abriu os olhos, mas o sorriso em seu rosto havia desaparecido e não havia sinais de que ele voltaria. - Me deixa aqui e vai.
- Não. Tente descansar, prometo que tiro você daqui em pouco tempo.
- Anjo burro, pare de perder tempo! - Harmonny tinha dificuldade para falar, engasgara com o próprio sangue. - Me deixa aqui, eu não passo de um cadáver que se recusa a fechar os olhos. Há duas pessoas vivas que precisam de você muito mais do que eu precisei.
Vendo que Drew não a soltaria, Harmonny tocou sua nuca, descarregando nela uma pequena quantidade de Magia Negra, suficiente para que os reflexos do Anjo o obrigassem a soltá-la.
- Agora vai. - Ela dizia. - Antes que eu jogue toda a maldita energia que me resta em você.
O Anjo obedeceu e, pela primeira vez desde que abrira os olhos, ele pensou em como estariam Serenna e Ylua, se estariam juntas, se estariam vivas...

===

De fato, as duas ainda estavam vivas, o que não significava que estavam bem. Estavam presas no mesmo cômodo, mas uma barreira impossibilitava qualquer troca de palavras ou ações. Muitas vezes, Serenna acreditava não conseguir ouvir a própria voz, quando gritava para o nada.
Ylua estava acorrentada de cabeça para baixo, completamente presa á parede. Ela assumira sua forma humana, para que suas asas não fossem prejudicadas.
Já Serenna estava acorrentada á um tipo de roda de madeira, sua coluna seguia a linha do objeto, enquanto seus braços estavam amarrados para cima. A jovem suspeitava que estava presa há três dias, mais ou menos; no que seria seu primeiro dia como prisioneira, ela recebera a visita de Tundra. A Ninfa estava em sua forma mais bela, ostentando com orgulho e enfeite dourado na testa e um sorriso confiante de vitória.
- Essa roda é a minha favorita... Geralmente é usada para arrancar as asas dos Anjos, mas acredito que será divertido deixar você aqui. - Ela explicou, enquanto fazia a mortal girar. Depois disso, a imagem silenciosa de Ylua, vista através da barreira, era sua única companhia fora o Elfo que a alimentava uma vez ao dia, o mesmo Elfo que, dias atrás, ela reconhecera como o irmão de Frederick.
- De fato, era meu irmão mais velho... - Foi a única vez que Serenna o ouviu falar. - Meu nome é Cornellius, e isso é tudo que posso dizer e fazer por você.
Desde então, sempre que entrava, Cornellius não ousava falar ou tirar os olhos do chão. E assim se passaram três longos dias.
- Eu fico imaginando quando Tundra voltará, ou melhor ainda, quando ela vai decidir nos matar, finalmente. - Serenna e Ylua se entreolhavam apesar de nenhuma ouvir o que a outra pronunciava. - E Drew? Acha que ele ainda está vivo?
Para a surpresa da garota, Ylua sorriu e assentiu com a cabeça. Provavelmente havia entendido por leitura labial ou pelo brilho nos olhos da amiga, no momento em que ela pronunciara o nome de Drew. Em resposta, a Anjo geralmente dizia coisas como "tudo vai ficar bem" e "tudo o que podemos fazer é esperar", além dos momentos em que ela mergulhava em meditação profunda e ficava repetindo feitiços e outras coisas que Serenna não fazia idéia do que eram.
De fato, esperar era tudo o que elas podiam fazer. Esperar pelo Anjo envolto em fúria que as procurava, desejando apenas que elas ainda estivessem vivas.

enviada por ºMaah!º



12/10/2008 14:40

Capítulo 61

Drew tinha medo de abrir os olhos, muita coisa ainda não estava resolvida, o mundo todo corria perigo mortal. O Anjo lembrou-se de Mortis e de sua fome insaciável por corpos celestes.
“Ela tinha o tamanho de uma bola de basquete brilhante, da última vez... Os humanos nunca foram muito compreensíveis ou crédulos, como será que eles estão reagindo?”, Drew já imaginava os jornais anunciando o fim do mundo, o castigo divino, entre outras tantas coisas. Tundra havia gerado um colapso mundial, apenas para divertir-se...
- Drew... – Uma voz sofrida, vinda do outro lado da sala, o chamava. Pela primeira vez desde que acordara, Drew sentiu dor. – Acorde.
Só então Drew percebeu que suas asas estavam suspensas, mas ele mal as sentia. Só então ele percebeu que estava de pé, que seus braços estavam para trás e presos por correntes, assim como seus pés. Ele percebeu que tinha uma coleira envolta do pescoço, presa por uma corrente que se unia á parede; suas asas estavam dolorosamente juntas e amarradas com força por uma corda resistente, que nem suas poderosas asas conseguiam romper.
Pela primeira vez desde que voltara á Terra, Drew abriu os olhos.
Ele demorou um pouco para acostumar-se com a luz que, apesar de fraca, irritava seus olhos. A primeira coisa que ele enxergou claramente foram as tochas; cinco tochas presas ás paredes de pedra. Ele conseguiu ver o contorno de uma grande porta, ela estava há poucos metros do Anjo, mas era como se estivesse do outro lado do mundo. Drew nunca conseguiria alcançá-la naquelas condições.
Ao olhar para o lado, Drew viu correntes, instrumentos de tortura e alguns ossos, além das manchas de sangue que cobriam grande parte do chão e das paredes.
O estômago de Drew revirou-se violentamente, pela primeira vez, o Anjo quase vomitou. Drew ofegava e suava frio, tentou se mexer, mas quase perdeu o equilíbrio. Ela forçado a ficar de pé, pois se sentasse ou ficasse de joelhos, a coleira em seu pescoço o estrangularia. Ele colocava toda a sua força nas asas, tentando inutilmente romper as cordas que tanto o incomodavam. Virando o pescoço o máximo que podia, ele viu o quão amarradas elas estavam: duas cordas extremamente fortes estavam enroladas em suas asas, enquanto cordas mais finas percorriam cada pena branca, imobilizando suas asas totalmente. Havia três nós: um no começo das asas, perto das costas do Anjo, o segundo no meio das asas, onde as penas eram maiores e diminuíam de tamanho, seguindo para o terceiro nó, que unia dolorosamente as pontas de suas asas. Drew nunca havia se sentido tão desconfortável.
Ele tentou invocar uma de suas espadas, mas as correntes eram muito pesadas e puxavam seus braços para baixo, quase os quebrando, qualquer peso extra os deixaria inúteis, com certeza. Só lhe restava pedir ajuda, mas para quem?
Naquele momento, Drew viu algo se mover do outro lado da sala, bastante próximo a porta. Quem quer que fosse, estava sentado, praticamente jogado contra a parede, e se levantava aos poucos.
- Quem está aí? – Drew perguntou. Aparentemente, o outro também estava amarrado, já que não conseguia usar os braços para levantar-se. Aquela mesma voz que o chamara respondeu:
- Drew... Perdoe-me.
O Anjo reconheceu imediatamente a voz de Harmonny, ele jamais confundiria aquela voz.
- Harmonny! Harmonny é você? O que está fazendo aqui?
A Anjo tentava disfarçar o choro:
- Drew, por favor, me perdoe. Tundra está completamente louca! Vocês ficaram presos por apenas dois dias, algumas horas depois de vocês irem para o Nada, Tundra foi também! Mas quando ela voltou, estava completamente mudada! Ela me forçou a prendê-lo e a seus amigos também, e depois me prendeu aqui... Eu queria ajudá-los Drew, mas não posso.
As chamas iluminaram Harmonny momentaneamente. Ela tinha a cabeça abaixada, os cabelos extremamente brancos cobriam seu rosto, mas era possível ver o brilho de suas lágrimas que caíam no chão. Ao ver aquela cena, o estômago de Drew simplesmente não suportou, era como se tudo que estivesse dentro dele quisesse deixar o corpo desesperadamente, desde os ossos até a alma.
Assim como ele, Harmonny estava acorrentada, porém suas asas negras, que outrora foram tão graciosas, estavam completamente destruídas, e o pior, cada asa estava atravessada por uma estaca de madeira. Era a cena mais horrenda que Drew já presenciara. As asas da Anjo estavam esticadas ao máximo, o sangue que escorria delas brilhava ao tocar as poucas penas negras que lhe restavam. Harmonny ergueu a cabeça com dificuldade, apesar da dor, ela sorria:
- A vaidade é um pecado que eu não relutei em cometer... Eu tinha tanta paixão por essas asas, eu cuidava tanto delas... Este é o castigo que eu devo pagar pelo meu pecado.
Drew não conseguia parar de olhar, era simplesmente impossível que aquela cena fosse real, aquilo era medonho, mesmo para Tundra. As lágrimas escorriam involuntariamente pelo rosto do Anjo.
- Ah Drew... – Harmonny fitava o teto negro, sorrindo. – Você é um tolo. Eu mereço sofrer infinitamente mais, se contarmos todos os pecados que eu já cometi. Eu traí você na primeira Guerra. Você confiava em mim, mas eu não hesitei em fornecer seus brilhantes planos de ataque para os Elfos. Muitos morreram por minha culpa, e eu não derramei uma lágrima por eles... Eu traí você, Drew. Aproveitei-me da sua confiança para continuar viva, você não conseguiu me matar, mesmo sendo um líder e estando em Guerra. Você pecou por minha causa, se não fosse por mim, você seria o Anjo perfeito.
- Eu jamais serei um Anjo perfeito, Harmonny. Um corpo criado para a guerra não merece nem ser chamado de Anjo. Eu já cometi inúmeros pecados, fiz coisas que podem ser consideradas crimes, e tudo isso porque quis. Você não me influenciou em nada, Harmonny. Naquele dia, eu apenas a deixei viva porque, por pior que fosse o seu ato, eu jamais seria capaz de matar a única Anjo que me ajudou quando eu mais precisava. Se este é o seu castigo, o meu é vê-la sofrer assim. Eu penso se ainda há alguma forma para nos redimirmos.
Harmonny encostou a cabeça na parede fria e encarou os bonitos olhos amarelos de Drew:
- Você não precisa se redimir de nada, Drew. Você luta para que este mundo encontre a paz, assim como todos os outros. Você protege as outras raças, você É um Anjo. – Harmonny chorava intensamente, mas o sorriso não sumia de seu rosto. Já eu sou apenas a sombra de um nada. Sou um corpo desgraçado que virou as costas para Deus. O mínimo que eu posso fazer é ajudá-lo a sair daqui...
- O quê? Mas como?
Estas correntes que me prendem, até um humano conseguiria quebrá-las, são muito mais fracas que as suas. Estas correntes servem apenas para o divertimento de Tundra, ela sabia que eu me colocaria nesta encruzilhada. Se eu quebrar estas correntes, todo o meu peso vai cair sobre minhas asas, elas vão rasgar e eu vou morrer. Mas se eu quebrar as correntes dos meus pulsos e tirar minhas asas destas estacas, eu estarei livre e poderei libertá-lo, porém...
- Suas asas vão ficar completamente inutilizadas!
- E um Anjo que não voa não tem motivos para viver.
- Harmonny, não faça isso, eu não permito que você faça isso!
- Eu não obedeço a ordens de um Anjo há muitos séculos, porque diabos obedeceria você agora?
Drew gritava inutilmente, porém Harmonny estava decidida e não havia nada que a fizesse mudar de idéia. Ela quebrou as correntes que lhe prendiam os pulsos com facilidade. Colocou as duas mãos na parede e começou a desprender as asas. Drew não conseguia imaginar sua dor naquela hora, já que ela a disfarçava com gemidos baixos e lágrimas silenciosas. Em poucos minutos Harmonny caiu no chão, suas asas, agora livres, exibiam um buraco bem no centro, de onde escorria sangue incessantemente. Ela rompeu as outras correntes e levantou-se com dificuldade. Uma breve tentativa de mexer as asas resultou num grito de dor e no veredicto: Harmonny jamais voaria novamente.


enviada por ºMaah!º



20/09/2008 14:33

Capítulo 60

- É bom vê-los juntos pela última vez, meus queridos. – Tundra exibia seu sorriso demoníaco. Ela estava de braços abertos, perante Drew, Ylua e Serenna, os três estavam de pé, porém mais pareciam bonecos sem vida do que qualquer outra coisa.
Atrás da Ninfa, Frederick assistia a cena caído, ofegante, humilhado. Sua visão estava embaçada e seu peito doía violentamente.
“Não é possível”, ele pensava. “Não é possível que os três estejam derrotados...”
Deliciando-se com o momento de sua vitória, Tundra observava cuidadosamente suas três vítimas, principalmente Serenna.
- E pensar de foi tão fácil... – Ela dizia, pressionando suas poderosas garras contra o rosto pálido da garota. – Chegou até a ser entediante. Mas nada me impede de continuar me divertindo com vocês, eu realmente quero ver todo o seu sangue escorrer do corpo, Serenna, gota á gota.
Ylua tinha um grito preso na garganta. A presença da Ninfa era terrível, deixava qualquer um em pânico, ainda mais agora que ela tinha Drew e Serenna em seu poder. Aproveitando-se da distração de Tundra, Ylua olhou para Frederick, na esperança de que ele percebesse que ela estava acordada, mas não, infelizmente o Elfo estava perdido demais no próprio desespero.
“Senhor Drew me disse que a telepatia dos Elfos é mais fraca que a nossa, mas é a minha última esperança...”, no instante daquele pensamento, Tundra olhou para Ylua. A Anjo estava em pânico, ao ver Tundra se aproximando, ela tentou desesperadamente controlar o próprio coração, não poderia parecer assustada, não poderia nem mesmo parecer que estava viva!
- Ylua... Sua vadiazinha cretina. – Tundra a olhava com desprezo. – Você foi a que mais me irritou. – Como uma criança que desconta a raiva em um brinquedo, Tundra deu em Ylua um violento tapa. A Anjo caiu pesadamente no chão, forçando o próprio silêncio. Movimentando a mão esquerda, Tundra fez Ylua reerguer-se:
- Já sei o que vou fazer com você. – Tundra abriu a bocarra, exibindo os dentes afiados. – Vou espancar esse corpo, reduzi-lo á uma porção de carne irreconhecível! – Tundra apertou a garra do dedo indicador contra o pescoço de Ylua, liberando um filete de sangue que deu novo tingimento á garra da Ninfa. Ylua escondia a dor como podia, tentando fazer parecer que nada sentia.
- Você é desprezível, Tundra. – Felizmente, Frederick conseguia reunir forças para se levantar. Ele tinha dificuldade em manter-se de pé, mas distraíra Tundra, Ylua deveria aproveitar-se deste momento para tentar se comunicar com Drew e Serenna.
- Você não respeita nem mesmo um corpo sem alma! Nem mesmo Lúcifer a aceitaria no Inferno!...
Ylua imaginava o que Frederick falaria em seguida, mas ele foi interrompido por uma rajada de Tundra, que atravessou seu corpo semitransparente e o derrubou:
- CALE-SE! Você não passa de um Elfo, inútil como todos de sua raça! Não se como você continua vivo neste plano de existência, mas sei que seu tempo fica cada vez menor, Elfo desgraçado! Você vai morrer como todos os outros, e vai sofrer por não conseguir salvá-los!
“Senhor Drew?”, Ylua concentrava-se ao máximo. “Senhor Drew, pode me ouvir?”. Mas não houve resposta. Ylua tentou com Serenna e nada, eles estavam completamente inconscientes. Ao tentar comunicar-se novamente com Drew, Ylua notou certa resistência do Anjo, ele ainda lutava contra o poder de Tundra, conseguindo manter-se consciente por poucos segundos.
- O... O que está havendo aqui? – Drew perguntou, com voz abafada.
A voz do Anjo atravessou Tundra com violência. Os olhos da Ninfa se esbugalharam, cheios de ódio:
- O que é você, Drew? Um demônio do Inferno com asas brancas? – Assumindo a verdadeira forma lentamente, Tundra olhou para Drew:
- Você não deveria passar de um corpo sem alma! Uma casca vazia! Como é possível que tenha forças para falar?
Drew recuperava a energia lentamente e Tundra se aproximava. Ylua não poderia estragar seu disfarce agora, mas ela tinha de ajudar seu querido Mestre:
“Frederick, por favor, preste atenção”, Ylua reunia toda a energia que conseguia para comunicar-se com o Elfo. “Frederick, preciso pedir para que você sirva de isca. Distraia Tundra por alguns segundos, tire o olhar dela do Senhor Drew para que eu possa purificar seu corpo!”
“Y-Ylua? É você? Está viva?”, felizmente, Frederick havia recebido a mensagem telepática.
“Por favor, Frederick, não há tempo para explicações!”
“Como quiser, eu a ajudarei!”
Tundra estava a poucos centímetros de Drew, Frederick não tinha tempo a perder:
- Vê, Tundra? Esse estúpido truque de Magia Negra não é o suficiente para derrotá-los.
- Criatura idiota... – Tundra gerava uma pequena bola negra entre as mãos. Ela virou-se rapidamente e lançou-a contra Frederick, gritando:
- VOU ACABAR COM VOCÊ AGORA!
Aquele tempo era o suficiente. Ylua pegou a mão de Drew e a apertou, concentrando toda a energia que podia. Drew a olhava, sem entender, mas logo era possível sentir a energia da Anjo passando para seu corpo. Sua visão ficava mais nítida, ele não sentia mais dores, pelo contrário, sentia como se tivesse despertado de uma longa meditação, muito mais forte do que antes.
“Ylua...”
“Shhh! Tundra não sabe que estou acordada. Na verdade, nunca fui vítima daquela ampulheta maldita... Eu tive poder para purificá-la, senhor Drew! E tive poder para fazer o mesmo com você!”
“Nunca senti tanto orgulho de um aprendiz, Ylua. Infelizmente não há tempo para elogios ou gratificações, se perdermos tempo, morreremos com certeza”.
O amarelo dos olhos de Drew ficou mais escuro. Ylua tremeu e engoliu em seco, ela sabia que todos correriam risco caso ele se descontrolasse.
- Não prefere lutar comigo, Ninfa? – Drew esticou o braço direito, invocando uma espada longa e amarela como seus olhos.
“Senhor Drew é incrível!”, pensava Ylua. “Mesmo num lugar como este Nada, ele consegue invocar qualquer espada!”.
Tundra olhou indiferente para a espada, mas sorriu ao ver a determinação e a força recém conquistada nos olhos de Drew. Ela, em sua forma verdadeira, disse com voz estridente:
- Prefiro sim, meu querido... Mas no mundo real, onde a dor É real.
Um movimento de mãos, um vento avermelhado que causava dor onde tocasse. Logo Drew, Serenna, Ylua e Tundra deixavam o chão, acompanhados dos gritos de Frederick, que jamais poderia voltar. Drew fechou os olhos, assustado. Pela primeira vez ele parara para pensar. Ele havia se esquecido de que havia um mundo real, que o Nada não passava da Prisão Espiritual – uma das formas de tortura utilizadas por Tundra-, que eles só estavam lá por causa de Harmonny, que queria protegê-los. E agora eles voltariam... Há quanto tempo estavam no Nada? Em que época estariam quando chegassem á Terra? Como ela estaria, já que fora submetida ao poder de Mortis, a estrela de Tundra? O Templo das Sombras, as estrelas e os Universos ainda estavam em seu lugar? Essas e muitas outras perguntas ecoavam na cabeça de Drew, incessantemente. Ele tinha medo de abrir os olhos e encontrar um mundo completamente devastado.
Poucos segundos depois, Drew tocou levemente o chão de pedra.

enviada por ºMaah!º



06/09/2008 17:37
Gente, por favor, perdoem o estado do Templo. O Blig está com bugs absurdos, as postagens demoram séculos para serem publicadas e, ainda sim, não são publicadas direito. Se o bug não melhorar, é possível que eu transfira o Templo para algum outro endereço que, com certeza, será publicado aqui.
Eu espero sinceramente que esses problemas tão desconfortáveis acabem logo. Mas até lá, paciência é a palavra.
enviada por ºMaah!º



31/08/2008 18:22

Capítulo 59

Frederick já não passava de uma sombra levemente colorida. Sentia dores por todo o corpo e andar exigia um imenso sacrifício. Serenna havia se esquecido completamente do Elfo, por isso ele sabia que não tinha mais tempo.
"É incrível que eu ainda esteja aqui", ele pensava. "Só espero ter tempo o suficiente para reunir todos os outros...".
- Não, você não terá. - A voz de Tundra ecoava. Segundos depois, envolta em uma nuvem de Magia Negra, ela surgia.
- Você está aqui há tempo demais. Me irrita ver a quantidade de energia que aquela mortal patética depositou na sua projeção. Mas isso não importa agora, logo todos vocês estarão mortos.
- Ora, cale-se. - Frederick não demonstrava a preocupação que sentia. - Alguém que esconde a própria natureza, que oculta a aparência atrás de uma forma bela, não pode ser tão poderosa quanto diz.
O sorriso de Tundra desapareceu, dando lugar ao ódio extremo. Num piscar de olhos ela avançava contra o pescoço de Frederick, tirando-o do chão:
- Eu poderia te matar agora, mas não me interessa matar alguém que nem ao menos existe. Vou provar que não me envergonho de minha verdadeira forma, serzinho inútil.
Aquela cena, com certeza, reinaria nos pesadelos de qualquer criança: a pele pálida de Tundra descamava, seus olhos de profundidade oceânica ficavam esbugalhados e vermelhos, com veias negras correndo por todo o globo ocular. Seu sorriso ficava ainda maior e seus dentes ficavam mais afiados do que as presas de Cerberus - o cão que, segundo as crenças humanas, guardava os portões do Inferno. Suas unhas cresceram vinte centímetros, aproximadamente, todas cobertas por um esmalte vermelho que começava a descascar. Porém, se alguém chegasse perto o suficiente de suas garras, saberia que não se tratava se esmalte, e sim do sangue de suas últimas vítimas - Anjos e Elfos do Castelo, provavelmente. Ela crescera quase meio metro e sua pele assumira um tom azul-acinzentado. As únicas coisas que não mudaram foram o cabelo azulado e o enfeite em sua testa, que brilhava como nunca.
- Ao contrário do que pensa, Elfo, eu me orgulho muito desta forma.
Frederick estava paralizado.
- Agora sim, Elfo. VOU QUEBRAR SEU PESCOÇO! - As garras de Tundra apertavam a garganta do Elfo violentamente. Para seu alívio, um leve som a distraíra: o som da última pedra das ampulhetas, que tocava o outro lado.
- Finalmente. Poderei matar seus amigos na sua frente, sem que você possa fazer nada! Você vai morrer, Elfo. Todos vão!
E com uma risada demoníaca, Tundra e Frederick foram envolvidos na mesma nuvem de Magia Negra, desaparecendo.
===
Ao mesmo tempo, Ylua andava sem destindo, com a pedra apertada contra o peito. Seu coração havia disparado de repente, ela podia sentir que algo estava muito errado.
Sem que ela notasse, a pequena pedra esquentava até ficar á uma temperatura bastante elevada, o que obrigou a Anjo a jogá-la no chão, com um grito abafado.
A pedrinha vibrava com violência, emitindo uma vibração cada vez mais alta.
- O que está acontecendo? - Tundra ficava desesperada com o barulho, que só aumentava. Sem ter o que fazer, ela simplesmente tampou os ouvidos com as mãos e protegeu o rosto com suas pequenas asas azuladas.
O barulho enlouqueceria qualquer um, as lágrimas de pânico já escorriam pelo rosto da Anjo. De repente, tudo ficou silencioso. Ainda tremendo, ela descobriu o rosto, fitando a pedra que voltara a ficar imóvel. Com um estalo, a pequena pedra azul rompeu-se em duas partes idênticas.
- Minha Nossa. - Ylua não se atrevia a tocá-las. Imediatamente a vibração recomeçara. Cada pedra corría para um dos lados da Anjo, em alta velocidade, as duas começaram a girar, cercando-a completamente.
- O QUE DIABOS ESTÁ HAVENDO AQUI?! - Ylua gritava, tentando fazer com que a voz ficasse mais alta do que a vibração. Em completo pânico, a Anjo lançou-se contra a barreira que as pedras projetavam, mas era impossível fugir. Logo Ylua teve a desagradável sensação de ser tirada do chão com violência. De fato, a tal barreira a estava transportando para algum lugar.
Ylua não sabia, mas o mesmo acontecia com Serenna e Drew. Como suas ampulhetas estavam intactas, houve muito mais energia na criação da barreira. Enquanto estavam sendo transportados, por apenas alguns segundos, tando o Anjo quanto a humana despertaram do transe, logo entendendo tudo o que se passara e tudo o que acontecia naquele momento: Tundra desejava reuní-los.
A batalha final começara.
enviada por ºMaah!º



16/08/2008 18:00

Capítulo 58

Mais da metade das pedras da ampulheta de Serenna já haviam caído, o tempo parecia passar mais rápido. Agarrada á ampulheta como se protegesse o tesouro mais valioso do mundo, Serenna caminhava lenta e sem se importar com o caminho que seguia. Em sua mente, incontáveis vozes gritavam seu nome, desesperadas. Não era possível dizer quem ou quantas vozes eram, mas Serenna não dava atenção á elas, como se não as escutasse.
- Quem são essas pessoas? - Perguntava Serenna, fitando a ampulheta, completamente em transe.
- Ninguém - Foi a resposta. Uma voz gélida ecoava de dentro do artefato. Serenna olhava a ampulheta como se ela fosse a única coisa na qual pudesse confiar.
- Tudo vai acabar bem, não vai? Vai tudo voltar ao normal? - Perguntava a jovem, com um sorriso crédulo, beirando o infantil.
- É claro que vai, minha criança.- Com uma gargalhada, a ampulheta silenciou-se.
As vozes que ecoavam na mente de Serenna ficavam cada vez mais intensas e desesperadas, implorando á jovem para que despertasse do transe. Infelizmente, a Magia Negra da ampulheta já havia tomado sua alma por completo, Serenna agora pertencia á Tundra.
====
-Maldição... - Drew mal conseguia manter-se de pé. Andava e segurava a ampulheta com grande dificuldade. O sono o dominava, era difícil respirar e a visão do Anjo ficava cada vez mais embaçada. Sem forças para nada, Drew deixou-se cair:
- O que essa ampulheta maldita está fazendo comigo? Eu... Nunca me senti tão fraco assim...
- Interessante, não é? - Dizia uma voz vinda da ampulheta. Drew logo reconheceu a voz de Tundra. - É interessante como as ampulhetas que eu forjo funcionam bem. Logo você não passará de um corpo sem alma.
- Tundra... O que quer dizer?
- Estou surpresa que um Anjo como você nunca tenha estudado o funcionamento das ampulhetas forjadas com Magia Negra. O mínimo que eu posso fazer antes de sua morte é explicar-lhe o que acontece com você enquanto conversamos: imagine a parte de cima da ampulheta, onde as pedras ficam; ela representa o seu corpo. A parte de baixo da ampulheta, onde as pedras caem, são o meu corpo. E as pedras...
- Representam a minha alma. - Dizia Drew, horrorizado.
- Exato. Quanto mais tempo você passa com essa ampulheta, mais rápido as pedras caem e mais da sua alma fica em meu poder. Sua alma pertence a mim agora, meu querido Anjo Drew.
Tundra gargalhou, ciente que havia conseguido o que queria. Drew simplesmente não sabia o que fazer, sentia ódio de si mesmo por ter sido seduzido tão facilmente pelas ofertas de Tundra.
- Eu fui um tolo. - Drew tinha dificuldades para respirar. - Eu já devia ser... Mais do que qualquer um, eu já devia saber... Que esses estúpidos sentimentos e emoções, nos quais os humanos tanto se apegam... Só nos deixam mais fracos e vulneráveis. Não me restam dúvidas de que os sentimentos são apenas para... Fracos. - Terminando tal frase com grande dificuldade, Drew tombou por completo, inconsciente.
====
- Como eu vou achá-los agora? - Ylua caminhava há algum tempo, procurando Drew, Serenna e Frederick. Mas no reino de Tundra, era praticamente impossível encontrá-los. Por impulso, a Anjo apertou a pedra que sobrara da ampulheta contra o próprio peito.
"Havia uma única pedra que não era feita totalmente de Magia Negra... Por que algo assim estaria na ampulheta de Tundra?", sem parar de caminhar, Ylua tentava encontrar qualquer explicação para a existência de uma pedra "pura" em um artefato forjado com Magia Negra. Andando a passos largos, Ylua analizava a pequena jóia de todos os ângulos possíveis, porém, um rápido pensamento a fez parar:
- Que Tundra é totalmente má, não tenho dúvidas. Mas talvez a alma da pessoa que receba essa ampulheta consiga neutralizar pelo menos uma das pedras! É claro! - Tundra apoiou o rosto num único dedo, pensativa. - Então o poder da alma de quem toca a ampulheta é equivalente ao poder de uma única jóia... O que quer dizer que as ampulhetas são artefatos absurdamente poderosos! Mas supondo que haja pelo menos uma jóia purificada em cada ampulheta, talvez eu consiga encontrar Serenna e senhor Drew!
Com um grande sorriso, Ylua apertou ainda mais a pedra contra seu peito e, confiando plenamente em si e em sua decisão, retomou a caminhada em direção á uma grande e perigosa batalha.
enviada por ºMaah!º



28/07/2008 22:29

Capítulo 57

Durante muito tempo, Tundra ficou imóvel, assim como Ylua. A Ninfa sentia sua presença, mas não conseguia dizer onde a Anjo se escondia.
- Pare de se esconder, Ylua... Sua irmãzinha não se escondeu... - Tundra sabia que aquilo atravessaria a mente de Ylua com violência. De fato, poucos segundos depois, Tundra sentiu uma barreira ser desfeita e a Anjo apareceu á sua frente. Tundra sorriu:
- Me assusta ver o seu poder no meu Nada... Você sem dúvida evoluiu mais do que todos aqui.
- Onde quer chegar? - Ylua assumira posição de batalha e esticara suas asas ao máximo. Em seus olhos estava estampado o ódio mortal que ela sentia pela Ninfa.
- Quero chegar aos seus mais profundos sonhos, Ylua... E realizá-los.
- O quê? - Assim como Drew, Ylua logo voltou a posição normal, visivelmente interessada no que a Ninfa tinha a lhe dizer.
- Sente falta da sua irmã, não é? Pois bem, eu posso devolvê-la á você e á este plano de existência. Eu posso fazer de você uma Anjo poderosa, permitir que você encare as dificuldades sem medo, como seu Mestre faz.
- Senhor Drew... - Ylua sussurrou. Depois de tanto tempo sem pisar no Templo, Ylua havia se esquecido de que Drew fora o responsável por todo o seu treinamento, assim como pelo treinamento de sua irmã. - Mas e Serenna? E Frederick?
- O que acha de eu deixá-los juntos para sempre?
- Senhor Drew não gostaria disso. - Ylua usava de toda sua inocência naquele momento. Tundra parecia irritada:
- Pois muito bem, quais são estes sonhos que você esconde, Ylua? Mostre-me o que deseja, e eu realizarei.
- Qualquer coisa? - Os olhos da Anjo brilharam.
- Qualquer coisa. - Tundra sorria, triunfante.
- Pois bem. Eu quero minha irmã de volta. Quero que as Guerras Celestiais nunca tenham acontecido e que Anjos e Elfos voltem a ter um relacionamento pacífico. Quero que a Serenna libere sua aura de Anjo e volte conosco para o Templo das Sombras, para que ela e Senhor Drew possam ficar juntos, mas quero que tenhamos acesso ao mundo dos humanos também, e ao Castelo dos Elfos!
Ylua vibrava como uma criança, pensando em como seria sua nova vida. Tundra havia ignorado quase tudo o que ela falara, os desejos da Anjo não eram de seu interesse. Mesmo assim ela sorriu, fez surgir outra ampulheta, um pouco menor que a de Serenna, com minúsculas pedras, azuis como as asas de Ylua. A Ninfa entregou-lhe a ampulheta, perguntando:
- Mas e para você? Para seu próprio proveito? Não desejas nada?
- Absolutamente nada. - Disse Ylua, confiante. - Se meus amigos ficarem feliz, eu também ficarei.
- Quanta nobreza... Mesmo assim, pense bem e reflita sobre o que você deseja. Quando a última pedra cair, eu voltarei.
Dizendo isso, Tundra desapareceu. Ylua observou a ampulheta, encantada, mas ao sentir que a energia da Ninfa desaparecera por completo, colocou-a no chão, muito séria:
- Jamais subestime uma Anjo da Cura, Ninfa. - Ylua ajoelhou-se em frente á ampulheta, fechou os olhos e elevou as asas. Rapidamente, uma aura puríssima, capaz de dissipar até a maior das energias negativas cercou a ampulheta. Sem abrir os olhos, Ylua disse:
- Droga... É Magia Negra, eu já suspeitava. - Não era normal Anjos da Cura anularem essa magia tão horrível.
"Como eu queria que Harmonny estivesse aqui agora...", Ylua suspirava. Ylua não tinha energia suficiente para mentalizá-la, e era arriscado desperdiçar energia naquele momento. "Eu preciso tentar, Senhor Drew ficará orgulhoso de souber que eu consegui anular os efeitos da Magia Negra desta ampulheta!", afastando-se de qualquer pensamento, Ylua conduziu toda a sua energia para as mãos, descarregando-a na ampulheta. Apesar de tudo, era algo perigoso demais, pois havia apenas uma chance, já que ela usava toda a energia que possuía no momento. Mesmo que os Anjos da Cura recuperassem os poderes mais rápido que os outros, a vida de Ylua corria risco, pois ela não poupara energia alguma em seu corpo.
Seus cabelos cor de fogo ganharam movimento e, por causa da energia, levitavam como se Ylua estivesse submersa. Sentindo fortes pontadas por todo o corpo, ela cerrou os olhos e concentrou-se ainda mais, descarregando a energia toda de uma vez.
O resultado foi um grande clarão, que cegaria qualquer um que estivesse desprotegido. Ylua rezou para que Tundra não tivesse sentido aquela energia imensa. Ela esperou durante alguns minutos, temerosa, mas como nada aconteceu, Ylua abriu os olhos.
Para seu encanto, a ampulheta brilhava como cristal, estava muito mais bonita do que antes.
- Eu... Consegui. - Ela estava tão fraca que sentia dores até mesmo para falar, mas a enorme alegria que ela sentia falava mais forte que suas dores.
- SENHOR DREW, EU CONSEGUI!!! - Recuperando-se imediatamente, Ylua pulou de alegria em volta da ampulheta. - É impressionante como tudo fica mais bonito quando é purificado. - Porém, para seu espanto, no momento em que a Anjo tocou o objeto, ele se desfez como um castelo de cartas. A única coisa que permaneceu intacta foi uma das pedras que a ampulheta levava em seu interior.
- Hmm... - Suspirava Ylua, pensativa. Com certo receio, ela pegou a minúscula pedra e aproximou-a do rosto. Depois de alguns minutos de silêncio, a Anjo sorriu, levantou-se num pulo e disse:
- Acho que vou deixar o meu cabelo azul, quando sair daqui!
Apesar de seus poderes terem evoluído muito naquela prisão mental, Ylua sempre seria aquela doce, infantil e inocente Anjo, que por dentro era tão poderosa quanto seus amigos.
Ylua guardou a pedra consigo e iniciou sua caminhada á procura de Tundra e de seus amigos.
enviada por ºMaah!º



20/07/2008 22:12

Capítulo 56

Após curta caminhada, Tundra não parecia nada satisfeita com o que via á sua frente: uma gigantesca casa de bonecas que bloqueava sua passagem. A Ninfa poderia facilmente ir ao encontro de Frederick sem usar as pernas, mas, já que Ylua havia se metido em seu caminho, seria ela sua nova vítima.
- Deixarei o Elfo por último então. Brincar com a mente dessa Anjo da Cura ridícula vai ser fácil demais.
Sem cerimônia, a porta da estranha casa foi aberta com violência. Seu interior era enjoativo: rosa, lilás e detalhes em azul claro. Bastante adequado para a infantilidade e felicidade de Ylua.
Na mesinha de centro havia um prato com bolo e uma xícara de chá, além de biscoitos diversos em um pote de cristal. Sem mover as mãos, Tundra destruiu tudo.
"Me surpreende que essa Anjinho inútil consiga manter isso tudo com o poder da mente...", pensava a Ninfa. Sem se preocupar, Tundra começou a subir a escadaria que levava ao andar de cima.
Ela não sabia, mas, fora as cores, aquela era uma réplica quase idêntica á casa de Serenna, a única casa humana que Ylua conhecia por completo.
No maior quarto da casa - o que seria dos pais de Serenna - havia apenas uma cama de casal com dois manequins sem rosto deitados. Não havia iluminação no quarto, apenas os vultos eram visíveis, o que dava ao quarto um ar assustador. Tundra olhou o quarto com desprezo e bateu a porta.
- Ridículo.
Tundra vasculhou a casa toda. Todos os quartos eram ocupados por manequins sem rosto.
- Aquela desgraçada me fez perder tempo. - Dizia Tundra, enquanto abria a porta por onde entrara. Para sua surpresa, a porta que outrora era a de entrada, levava de volta ao quarto com a cama de casal.
- Mas que diabos...? - Tundra não completou a frase, pois logo deu pela falta de um dos manequins. Naquele momento, ela ouviu a porta se feixando atrás de si.
Virando-se rapidamente, ela viu o manequim de faltava. Para o desgosto da Ninfa, ele assumira sua face e sorria com maldade. Após alguns instantes, a voz de Ylua ecoava pela casa:
"Gostou, Tundra? É impressionante o que se pode fazer neste lugar, com um pouquinho de concentração".
"Droga...", pensava a Ninfa. "Ylua tem um poder mental que eu não havia imaginado... Isso está ficando divertido, vamos ver o que mais ela preparou para mim".
As unhas de Tundra cresceram rapidamente, transformando-se em garras monstruosamente grandes. Com um único ataque, o manequim estava destroçado.
Porém, no mesmo instante, o segundo manequim pulou nas costas da Ninfa. Este também tinha seu rosto e algo a mais: suas garras, que prendiam o pescoço de Tundra. Novamente, a voz e os risos de Ylua era ouvida por toda a casa:
- Esqueci de te contar? Desde que caí neste lugar, venho aperfeiçoando minha capacidade mental. Criei estes personagens para que copiassem a aparência e as habilidades demonstradas por quem entra nesta casa. Agora, você é uma de minhas bonecas, Tundra.
- Veremos por quanto tempo! - A boca de Tundra tornou-se monstruosa, seu dentes tornaram-se afiados e compridos, seus olhos se esbugalharam e tornaram-se avermelhados; suas orelhas -já um pouco pontudas- cresceram, seus dedos se alongaram e seus cabelos assumiram o tom acinzentado. Aos poucos, Tundra assumia a verdadeira forma demoníaca.
Como se sentisse medo, o manequim se afastou. Tundra passou a língua gigantesca nos lábios e disse:
- Vou quebrar suas bonecas, Anjinho.
Sua pele, pálida e macia, tornava-se cinza e um pouco escamosa. Tundra gargalhou de forma horripilante, esticou os braços e, em questão de segundos, a casa era reduzida á cinzas.
- Este é o verdadeiro poder da Ninfa que Rege a Morte...
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Neste mesmo instante, outras três pessoas caminhavam e refletiam sobre assuntos diversos, em lugares totalmente opostos do Nada. Serenna é uma delas. A cada novo rubi que caía na ampulheta, a jovem sentia-se com mais vontade de sucumbir á vontade de Tundra e desistir de tudo o que vivera até agora ao lado de seus queridos amigos.
O mesmo acontecia com Drew, que, sem perceber, enfraquecia a cada pedra que caía, e logo toda a sua alma era corroída pelo ciúmes, ele estava certo de que aceitaria a oferta de Tundra.
Já Frederick, que ainda não havia sido seduzido pelas promessas da Ninfa, sofria calado com seu lento desaparecimento. Após tocar a ampulheta, Serenna parara de suntentá-lo no Nada, ele desapareceria rapidamente.
"Maldição...", pensava o Elfo, ajoelhando-se de tanta dor. "Eu não vou sumir agora... É meu dever manter os três em segurança, até que eles saiam deste inferno!". Ofegante, Frederick desmaiou, poupando o pouco de energia que lhe restava.
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Tundra mantia-se imóvel em sua forma demoníaca. Estava atenta á menos vibração, tentando localizar a Anjo que lhe dera tanta dor de cabeça.
- Apareça Anjinho... Tundra só quer conversar. - A voz da Ninfa também havia mudado e perdido o tom aveludado de outrora. Agora era uma voz que riscava a garganta e ardia os ouvidos.
No rosto da Ninfa brotava um largo e demoníaco sorriso de vitória.
enviada por ºMaah!º



06/07/2008 23:10

Capítulo 55

Os pequenos rubis começavam a cair lentamente. Vendo o tamanho da ampulheta e o tamanho dos rubis, Serenna percebeu que ainda teria muito tempo, pois os rubis insistiam em cair um de cada vez. A jovem então se sentou no chão, frio e sem cor e passou a pensar. De fato, não havia um único dia em que ela não sentia falta da vida comum que levava. Sentia falta dos pais, dos amigos, da escola. Mas voltar á vida antiga, significaria a morte de seus amigos mais preciosos.
Você chora a morte de desconhecidos?”, a voz de Tundra ecoava em sua mente. Era verdade, se tudo voltasse á ser como era antes, Serenna jamais conheceria Drew, Ylua ou Frederick, e sequer saberia se estariam vivos ou mortos...
“Isso é egoísmo puro”, ela pensava, olhando a ampulheta, mas um ato egoísta nunca fora tão sedutor.
Enquanto isso, Tundra rompia diversas barreiras de existência do Nada, caçando suas próximas vítimas. O primeiro a ser encontrado fora Drew. Apesar de estar cansado, no exato momento em que sentiu a presença da Ninfa, o Anjo assumiu a posição de batalha, pronto para invocar a magia negra que o dominava por dentro. Ao ver a determinação de Drew, Tundra abriu um largo e horrendo sorriso:
- Por que tanta pressa em perder uma batalha, Anjo Drew?
- O que você quer aqui, Tundra? Onde está Serenna?
- Ah, como é bonito ver um Anjo apaixonado... E é exatamente por isso que eu estou aqui.
- O que quer dizer? – Interessado, Drew voltou a assumir a postura normal.
- Você não é o único que se cansou desse jogo. Eu também estou entediada. Por isso resolvi terminar as coisas de uma maneira diferente. O que você faria, se eu dissesse que posso e estou disposta á mudar o passado, o presente e o futuro? O que você faria se eu estivesse disposta á transforma-lo num humano e fizer com que Serenna se apaixonasse por você?
- Os sentimentos humanos não foram feitos para serem manipulados. – Havia certa tristeza na voz de Drew.
- TUDO foi feito para ser manipulado. Basta ter poder e saber utiliza-lo. – Os olhos de Drew encontraram o olhar na Ninfa. Tundra estava conseguindo o que queria. – Eu mudaria toda a história, desde que Serenna o conheceu. Daria a você a chance de ser humano, e de viver com ela até quando o destino permitisse. Ylua e sua irmãzinha viveriam em paz no Templo, vocês nunca teriam se conhecido. E ambas seriam as maiores Anjos da atualidade. Frederick será apagado de suas lembranças, e ele viverá soberano em seu Castelo, como antigamente.
- E o colar nunca seria rompido, a profecia nunca seria revelada e você nunca seria libertada? Não me faça rir.
- E chegamos ao ponto que me interessa. Eu não alterarei o meu presente, mas as novas circunstâncias me favorecerão! Eu dominarei o Castelo e o Templo, como é de minha vontade. Mas você e sua queria Serenna nem tomarão conhecimento da existência de tal poder...
- Até que você decida brincar com a Terra. Você não pode de enganar, Tundra.
- Então você prefere ser tratado apenas como um amigo? Prefere ver Serenna chorar a morte de Frederick, esquecendo-se de sua existência, e só lembrando de você quando desejar descontar a raiva em alguém? É isso?
Aquilo atravessou o peito e a mente de Drew como uma espada. Mesmo que fosse só um dia, só um momento, tamanha seria sua alegria se Serenna o amasse... Mas não. Ela desejou que Frederick a guiasse pelo Nada e, quando ele desaparecesse, seria seu dever consolá-la, mesmo que não sentisse pela morte do rival.
- Serenna... – Ele sussurrou. – E o que eu devo fazer?
- Apenas pegue isso. – Outra ampulheta, um pouco maior que a de Serenna, surgiu nas mãos de Tundra. As pequenas pedras, negras como uma noite sem céu ou estrelas, reluziam dentro do artefato. – E pense bem sobre sua decisão. Quando a última jóia cair, eu voltarei. E quero uma resposta definitiva quando voltar.
A segunda presa de Tundra fora pega em sua armadilha, agora, restavam apenas duas.

enviada por ºMaah!º



29/06/2008 04:32

Capítulo 54

Após correr durante muito tempo, Serenna finalmente chegara onde queria: lugar nenhum. Estava completamente perdida, e rezava para que ninguém a encontrasse.
Drew também havia se perdido, e se odiava por isso. Ficara tão desesperado em tentar acalmar Serenna que nem se lembrara de que os caminhos mudavam para cada um. Se Serenna não desejasse ser encontrada, Drew não conseguiria fazê-lo. Sem ter para onde ir, o Anjo apenas sentou no chão, encolheu as pernas e deixou sua mente vagar em meditação profunda. Por algum motivo, ele sentia uma raiva extremamente grande quando pensava em Frederick... Apesar de tudo, Drew era um Anjo inocente... Ele desconhecia o significado do ciúme.
“Serenna...”.
- Serenna?
- Vá embora...
- Não sem você.
- Como me achou aqui, Frederick?
- Eu faço parte desse mundo, suas leis não se aplicam á mim. – Frederick parecia estar mais acostumado com o fato de não passar de uma ilusão. – E, de qualquer forma, sabia que, se eu fosse na direção contrária, a encontraria antes de Drew, que a seguiu.
- Drew estava me procurando? – Havia certa alegria na voz de Serenna.
- Desesperadamente. Mas ele nunca poderia encontrá-la, já que este não era o seu desejo. Você se escondeu em um mundo só seu, foi difícil até para mim...
- E porque você veio? – A agressividade voltara a dominar a voz da garota.
- Porque meu tempo aqui é curto. Não foram poucas as vezes em que eu me tornei temporariamente transparente... Logo desaparecerei para sempre. Devemos encontrar Ylua o mais rápido possível, para que vocês descubram logo como sair daqui. – Serenna, porém, não parecia ter vontade alguma de sair do lugar.
- A menos que você deseje ser a culpada pela vitória de Tundra. – Frederick comentou.
- Eu não me importo mais com Tundra, Frederick. Estou cansada... Eu sinto falta de viver minha vida normalmente. Há muito tempo que eu não vejo meus amigos, que não falo com meus pais... Frederick, os mortais possuem vidas também! Eu não posso me dedicar completamente á Tundra, ou a qualquer outra coisa assim! Eu tenho meus estudos, meus amigos... Como eu queria poder escolher... – As lágrimas já rolavam sem timidez pelo rosto de Serenna.
“E você pode.” A inconfundível voz de Tundra ecoou por todo o Nada de Serenna, assustando-os. Logo os gritos de Frederick, que chamavam seu nome, foram ficando tão distantes, tão baixos, que Serenna deixou de se preocupar com eles. O branco tornou-se cinza e os passos de Tundra ecoavam infinitamente. Em poucos segundos, Serenna estava frente á frente com a Ninfa demônio.
A jovem estava paralisada de medo, já Tundra parecia muito feliz, com seu sorriso anormal, de dentes grandes, pontudos e amarelados; olhos esbugalhados, quase saltando das órbitas e garras mortalmente afiadas, tingidas com o sangue esmaltado:
- Olá, criança.
- O que você quer aqui, demônio? – Apesar do medo, Serenna tentava reunir todas as suas forças, mesmo não dominando praticamente nada de seus poderes. Tundra gargalhou com gosto.
- Ah, minha querida. Não percebe que eu só estou querendo ajudar? Eu ouvi os seus lamentos. Imagino o quão terrível é para uma jovem mortal abandonar tudo de repente: os amigos, os estudos, os próprios pais... Você sente falta, não é? Não há um dia em que você não pense em todos os dias em que não foi á escola, porque estava com seus Anjinhos preciosos... Isso não é nada bom para uma mortal. Eu posso libertá-los. Posso fazer o tempo regredir e posso mudar os fatos. Posso fazer com que Serennity nunca tivesse morrido, posso devolver o trono de meu Castelo á Frederick, posso unir Harmonny e Drew e posso tirá-los completamente de sua vida.
- O quê? – Serenna estava, ao mesmo tempo, maravilhada e horrorizada com a oferta da Ninfa.
- Isso seria tão mais fácil para nós duas. – Tundra deslizada com uma de suas garras pela face de Serenna, causando-lhe arrepios. – Eu usaria o poder de minhas irmãs para conseguir o que quero, e você viverá sua vidinha comum, como tanto deseja.
- Mas... E Drew, Ylua e Frederick? – Perguntou Serenna, lutando para não deixar-se seduzir pela oferta de Tundra.
- Me diga criança: você chora a morte de desconhecidos? Depois de hoje, você não precisará preocupar-se com eles! Se eles viverem ou não, não importará! Você sequer saberá da existência desse mundo de Anjos, Elfos e poderes!
Aquele era um momento realmente delicado. Serenna seria capaz de abandonar tudo? De esquecer o próprio destino, apenas pelo prazer de viver uma vida comum? Porque isso, que antes não possuía nada de interessante, agora fazia tanta falta àquela jovem?
Com um movimento das garras, Tundra fez aparecer uma ampulheta negra, ricamente detalhada, com pequenos rubis no lugar dos grãos de areia. Ela o entregou á Serenna, dizendo:
- Quando a última pedra cair, eu voltarei. E é bom que já tenha feito uma escolha, até lá. – Sem dizer mais nada, desapareceu, deixando Serenna abraçada á bonita ampulheta, obrigando-a a tomar a decisão mais perigosa de sua vida.

enviada por ºMaah!º



22/06/2008 14:36

Capítulo 53

Quanto tempo teria durado aquele silêncio torturante? Os poucos segundos que se passaram mais pareceram uma horrenda eternidade. Drew mantinha-se calmo, frio e inexpressivo. Frederick prometera a si mesmo que agüentaria calado tudo o que Serenna tivesse para dizer, afinal, ele não se via no direito que responder-lhe, quando ele era o culpado por seu sofrimento.
Serenna lutava calada contra as lágrimas que tanto queriam rolar por seu rosto pálido. O Elfo fechou os olhos, engoliu em seco e, como se aquelas palavras muito o machucassem, repetiu, também querendo se convencer disso:
- Eu não sou real...
- Que história é essa? - Serenna falava rápido, quase desesperada. - O que você quer dizer com isso? Como pode não ser real?!
- Você é muito poderosa, Serenna. - Frederick a olhava nos olhos. Seu sofrimento era visível em sua voz. - Assim que você chegou ao Nada, seu inconsciente entrou em um desespero quase mortal. Você desejou com grande poder que tivesse alguém aqui para ajudá-la, para guiá-la! Alguém que entendesse como o Nada funciona...
- Você chamou por Frederick. - A voz de Drew era fria, ele não se preocupava em esconder o quão enciumado estava.
- Sim. - Frederick voltou a falar. - Pouco tempo depois, eu me vi aqui. Não entendi nada no começo, pensei que talvez fosse algo relacionado á vida após a morte, mas não. Assim que comecei a andar, diversas informações inundaram a minha mente. Em poucos minutos, eu sabia de toda a história deste lugar abominável... Você havia mentalizado um guia que lhe mostrasse coisas que nem você sabia.
- Quer dizer então... Que... Eu enganei a mim mesma? - Serenna elevava sua voz num misto de raiva e extrema tristeza. Estava triste por saber que Frederick estava realmente morto, e que não voltaria mais á vida. E sentia um ódio profundo de si mesma, por cair em uma armadilha cruel de sua própria mente, por ter alimentado falsas alegrias e esperanças, por ter chegado a pensar que tudo voltaria a ser como era antes...
- Não, Serenna. - Percebendo a confusão de sentimentos que reinava no espírito de Serenna, Drew se aproximou, querendo ajudá-la. - Tudo o que você fez foi dar mais uma mostra de seu poder. Mesmo sem saber, você evoluiu demais, a ponto que quebrar as regras desse lugar maldito!
- Mas que regras, Drew? - Serenna estava a ponto de explodir. Descontava sua ira em todos que estivessem próximos. - Por que um lugar ridículo como esse teria regras?
- Drew está certo. - Frederick dizia calmamente. - Apesar de parecer incrível, o Nada possui algumas regras: não é possível materializar portais, mapas, portas, bússolas... Ou qualquer outra coisa que seja capaz de guiar através do Nada. Outra regra que você conseguiu quebrar foi a do tempo: tudo que aqui é materializado, desaparece em pouco tempo. E o período de tempo fica curto, conforme você passa mais tempo aqui. Você conseguiu manter uma ilusão por muito tempo, sem nem ao menos perceber...
- E QUEM SE IMPORTA?! - O grito de ódio de Serenna ecoou durante minutos. - VOCÊS SÓ SE IMPORTAM COM O QUANTO A DROGA DO MEU PODER EVOLUIU? NÃO PARARAM PRA PENSAR QUE EU POUCO LIGO SE EU EVOLUI OU NÃO? NUNCA IMAGINARAM QUE EU POSSA PENSAR EM MILHARES DE OUTRAS COISAS?
Os pêlos da nuca de Frederick se arrepiaram, enquanto as penas das asas de Drew se eriçaram, uma a uma. Serenna correu para longe dos dois, desejando com todas as forças nunca ter nascido com aquele sangue tão especial: o sangue de humanos, Anjos e Elfos...
Drew tentou correr atrás da jovem, mas foi detido por Frederick:
- Não... Ela quer ficar sozinha.
- Ela pode se perder... - Drew ofegava. - Eu prometi a mim mesmo que iria protegê-la, não me perdoaria se acontecesse alguma coisa á ela! - O Anjo afastou a mão de Frederick do seu ombro com violência e começou a correr atrás da jovem.
“Eu ainda tenho algum tempo...”, pensava Frederick. “Tudo isso é culpa minha, é meu dever uni-los de novo, nem que eu precise ir até o Inferno para conseguir!”, imediatamente, Frederick começou a correr na direção oposta, lutando contra seu pouco tempo restante no Nada.
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- Tudo vai conforme o planejado... - Em uma sala escura, muito distante do Nada, alguém mexia com as garras compridas em uma poça de sangue, onde tanto Serenna quanto Frederick, Drew e Ylua eram vistos. Logo, uma risada estridente ecoou por todo o Castelo dos Elfos.
- Sim senhora. - Harmonny estava ajoelhada aos pés do trono de Tundra. Ela fitava o chão, sentindo imensa culpa por tudo o que se passava com as vítimas da Ninfa.
- Mesmo querendo me trair, você me ajudou, criança. - Tundra se levantou para acariciar a asa esquerda de Harmonny. Assim que seus planos de ajudar Serenna foram descobertos por Tundra, a Anjo fora barbaramente torturanda, a ponto de sobrarem apenas três penas em sua asa esquerda. As roupas de Harmonny estavam rasgadas e sujas, assim como o seu rosto. Haviam ferimentos por todo o seu corpo.
Mas a tortura não foi nada comparado á idéia de, mesmo sem querer, ter ajudado Tundra. Sim, pois, dois dias depois, a Ninfa a libertou da prisão e da tortura, anunciando seu plano de usar o poder de Serenna contra ela e seus amigos. Logo, aquele episódio horrendo se recriava na mente de Harmonny:
-Aquele Elfo cretino não passa de um sonho daquela mortal insignificante... E ela está tão apegada á ele... - Dizia Tundra, com um sorriso maldoso nos lábios. - Logo Frederick desaparecerá, como tudo que é mentalizado no meu Nada. Serenna sofrerá como nunca sofreu antes, e descontará sua fúria em Drew, que estará cego de ciúmes do Elfo... A discórdia está plantada.
- Mas e a Anjo da Cura, senhora? - Perguntou Harmonny, deixando o calabouço, desesperada por encontrar uma falha no plano de Tundra. A Ninfa demoníaca riu com gosto:
- Eu não preciso me preocupar com uma mera aprendiz, que mal sabe ainda dominar o próprio poder... Me diga, querida Harmonny, o que Ylua poderia fazer para me irritar?
Harmonny fitou o chão, humilhada e derrotada. Em silêncio, voltou a seguir sua mestra.”
- Não vai demorar... - Dizia Tundra. - Logo Serenna desejará voltar a ser a humana insignificante que era antes... Ela vai desejar nunca ter conhecido Drew, Ylua ou Frederick. Vai desejar nunca ter tido poder algum... E ela vai conseguir o que quer.
enviada por ºMaah!º



15/06/2008 00:14

Capítulo 52

Para o desespero de Serenna, a fome os perseguia. Sim, porque a comiza materializada no Nada não fazia mais efeito. Os chás que Frederick tanto apreciava não tinham gosto, e tomar uma xícara daquilo era o mesmo que tomar uma xícara de nada. E a comida assumia o gosto de serragem, assim que tocada pelos lábios ressecados de sede de Serenna, desaparecendo em seguida.
Não demoraram a descobrir que a comida já digerida também desaparecia, o que deixava ambos frequentemente com fome.
Frederick andava mais á frente, tentanto esqueçer da dor de cabeça e da fraqueza que a fomr gerava, já Serenna ainda não desenvolvera tal resistência e andava muito atrás.
- Frederick, por favor, vamos parar um pouco. - Disse Serenna em meio á um bocejo. - Se dormirmos, talvez a fome passe, e estaremos melhor quando acordarmos.
De fato, havia um bom tempo que nenhum dos dois dormia, eles haviam andado pelo que pareciam dias á fio, sem fazer uma pequena pausa sequer.
- Tudo bem. - Disse Frederick, após pensar por alguns instantes. - Podemos descansar e você pode dormir se quiser, eu quero me manter alerta.
Serenna abriu um sorriso cansado e nem se preocupou em materializar uma cama, ou qualquer outra coisa, pois sabia que tudo que fosse materializado no Nada, se dissiparia em pouco tempo.
"No fim, esse lugar mostou-se uma forme de tortura horrível...", pensava Serenna, enquanto se encostava nas costas do Elfo, caindo no sono poucos minutos depois. Frederick ficou um bom tempo fitando lugar algum, sua mente estava livre de pensamentos, sim, pois Frederick simplesmente não tinha o que pensar, ele só sabia que deveria encontrar Drew o mais rápido possível, para seu bem e o bem de Serenna. Logo o olhar inexpressivo do Elfo deu lugar á um olhar de extrema tristeza, e uma única palavra passou a ecoar em sua mente: "Real...", o motivo de tal palavra o atormentar tanto, só ele sabia.
Serenna dormia profundamente, parecia estar perdida em um sonho turbulento, pois ela se mexia com agressividade, como se tentasse desvencilhar-se de algo ou alguém, e não foram poucas as vezes em que ela chamava por Drew, Ylua e até mesmo por Frederick. Ao ouvir seu nome saindo da boca de Serenna, a tristeza no peito do Elfo só aumentava.
Após notar que Serenna se acalmara, Frederick decidiu que era hora de eles retomarem a caminhada, principalmente porque o mesmo vento gélido os cercava há algum tempo, a prova de que Drew os chamava.
- Serenna... - Sussurrou Frederick, como quem acorda uma criança. - O que acha de encontrarmos o Drew?
- Ah Frederick. - Resmungava a jovem, sem nem prestar atenção no que dizia: - Esse lugar é um lixo, a gente anda, anda, anda, e nada! Como sabe que nós vamos encontrá-lo?
- É que a brisa gelada inconveniente de seu amigo fica nos cercando há um bom tempo... Talvez estejamos perto.
Neste exato momento, o tal vento gelado soprou com força no rosto de Serenna, como se a chamasse. A jovem abriu os olhos imediatamente e disse:
- Ele está perto... Vamos para lá, posso sentir uma energia muito fraca, mas sei que é dele! - Ela apontava para o Leste. Antes que Frederick pudesse dizer qualquer coisa, a jovem, que parecia muito melhor, disparara a correr. Só restava ao Elfo suspirar e fazer o mesmo.
O vento sussurrava o nome de Serenna frequentemente, a jovem não tinha dúvidas. Logo os sussurros ficavam mais altos, assim como a energia e presença de seu Anjo.
"Por favor, não deixe que esse lugar me traia novamente!", implorava Serenna em pensamento.
Frederick ofegava, não sabia que Serenna tinha anta energia ou que corria tão rápido, e ele sentia imenso orgulho da jovem por isso. Quando a alcançou, ficou tão boquiaberto e paralizado quanto ela.
O lugar era extremamente gelado. Era como uma perfeita caverna de gelo, sem dúvida alguma, o refúgio de Drew, não haveria lugar melhor para um Anjo tão frio quanto ele.
- Que maravilha! - Exclamou Frederick, enquanto analizava os imensos cristais de gelo. - Drew possue uma habilidade mental incrível... Conseguiu manter isso tudo...
- DREW!!! - Gritou Serenna, pulando de alegria. De fato, no centro do lugar, cercado por cristais de gelo, estava Drew, em profunda meditação.
- Ele colocou-se em transe, para não sofrer com a fome... Brilhante... Serenna! Não! Não desperte o Anjo! - Gritava Frederick, tentando pará-la. Sem conter a alegria, Serenna corria em direção á Drew, pronta para acordá-lo.
- Por que não? - Perguntou Serenna, parando bruscamente.
Frederick aproximou-se de Drew e constatou que seu transe era absurdamente profundo.
- Não fassa tanto escândalo. Não se sabe onde ele está, só sabemos que ele não deseja ser encomodado. Elel não irá ouví-la, por mais alto que grite, apenas chame por seu nome em pensamento, e ele não demorará a acordar.
Serenna obedeceu. Fechou os olhos imediatamente e tentou encontrar o Anjo em pensamento:
"Drew... Está me ouvindo?"
"Serenna?!", para a surpresa da moça, Drew não demorou a responder: "Você me encontrou? Como"
"Seguimos a brisa que nos trouxe até você."
"Seguimos? Ylua está com você?"
"Na verdade não. Volte para seu corpo, e terá uma grande surpresa!"
Serenna abriu os olhos e esperou em silêncio. Frederick manteu-se alguns passo atrás, com um olhar muito triste e preocupado, mas também aliviado, pois agora Serenna estava segura.
Pouco tempo depois, Drew abriu os olhos e todo o gelo desapareceu. Ele gritou alegremente o nome de Serenna, abraçando-a com vontade, ambos explodindo de alegria. Porém a alegria transformou-se em uma imensa surpresa ao ver Frederick:
- Frederick?! O que faz aqui?
- Pense um pouco... - Sussurrava Frederick, fitando o chão branco. - Você sabe porque estou aqui...
Pela primeira vez, Serenna notou o tamanho da tristeza do Elfo. E assim como Frederick havia dito, Drew logo entendeu, e a surpresa em seu olhar transformou-se num misto de susto, surpresa e tristeza:
- Frederick... Você...?
- Exatamente, Anjo Drew...- Frederick arriscou um olhar desolado para o Anjo. - Eu não sou real.
enviada por ºMaah!º



31/05/2008 00:14

Capítulo 51

- Posso fazer uma perguntinha?
- Mais uma?
- Só mais uma.
- Você já fez mais de trinta... Minha querida Alice.
- Eu tenho motivos para ter dúvidas, e quer parar de me chamar de Alice?
- Perdão, acabei me acostumando. Mas você é tão curiosa quanto ela... Vai acabar crescendo e encolhendo daqui a pouco, assim como ela.
- Eu não sou Alice, Frederick.
- E qual é sua pergunta?
- Você disse que temos de nos manter loucos para estarmos sãos... Quando sairmos daqui... Não vamos estar tão acostumados com a loucura desse lugar, o que significa que aqui estamos sãos, mas que lá fora estaremos tão loucos quanto realmente estamos aqui?
- Não.
- Como não?
- Eu não sei, mas é melhor eu dizer "não" antes que embarque nesse seu raciocínio sem sentido e acabe louco também...
- Mas ele não é sem sentido!
- Cuidado Serenna... Está ficando louca. É melhor deixar as perguntas para depois. Consegue se comunicar com alguém?
- Não, a telepatia é meio impossível aqui... E dá dor de cabeça.
- Talvez seja porque você está tentando se comunicar com mundos diferentes. Cada um está em seu mundo aqui, felizmente estamos no mesmo mundo, se não fosse por isso, você estaria digna de um manicômio...
- Estou preocupada com Drew... Ele é sério e calculista demais, vai acabar enlouquecendo de verdade se não o encontrarmos.
"Mas... Se nós estamos loucos aqui... Como saberemos se estamos sãos no mundo real, e não tão loucos quanto dizemos estar aqui? E como sabemos se essa loucura é fingimento ou não? E..."
- Serenna, pelo amor de Deus, pare de pensar! Esses raciocínios são tão terríveis que até eu posso ouví-los! Se quiser um conselho, não pense em nada!
- Daí eu morro de tédio.
- Então pense em algum livro que você leu recentemente! Ninguém fica louco pensando em livros!
Serenna soltou um longo suspiro e voltou a seguir Frederick. Há tampo tempo que não lia nem ao menos uma revista, como poderia refletir sobre algum livro? Resolveu cantar músicas mentalmente, alguma música de que ela gostasse...
Ambos andavam rapidamente, sem que percebessem, aquele branco que tanto irritava os olhos tornava-se gelado. Arrepios percorriam as costas de Serenna e Frederick ofegava.
- Acho que estamos perto de alguma coisa... Não era pro Nada ter temperatura definida.
- Talvez Drew tenha passado por aqui...
- Você acha?
- Não consigo imaginar mais ninguém para deixar tudo tão frio. Ele tem que estar perto!
Ignorando os avisos de Frederick, para se manterem juntos, Serenna correu em direção ao frio, procurando pelo Anjo. Deixado para trás, Frederick apenas suspirou e, com a nuca apoiada nos dedos entrelaçados, sorriu, retomando a tranqüila caminhada.
- Drew? - Chamava a jovem. Sua voz ecoava infinitamente, assim como suas mentalizações.
- Que droga. Não dá pra mentalizar um mapa?
Após muito tentar, conseguiu um mapa precário com os caminhos que ela já fizera e umas poucas anotações como "achei o Frederick aqui" e "esse lugar é um saco". De fato, a paciência de Serenna estava se esgotando.
Em pouco tempo Serenna descobriu que sua imaginação era limitada naquele lugar. Não era possível imaginar uma porta de saída ou um teletransporte para achar Drew, Ylua e agora, Frederick...
- Ahh... Pra quê eu saí correndo? Agora me perdi até do Frederick...
Nesse momento, quando Serenna se perguntava á ponto de desespero "o que fazer", ela se lembrou da frase de Frederick "manter-se louco para ter certeza de que está são". Mesmo não confiando nessa filosofia do Elfo, a última cartada de Serenna era agir de alguma forma bizarra... Louca.
Sem melhores idéias, Serenna começou a cantarolar e a saltirar para trás, refazendo seu caminho como uma criança alegre.
Não se sabe quanto tempo ela fez isso, mas Serenna já estava quase sem voz quando ouviu a risada do Elfo:
- Serenna! Garota, o que é isso? Sentiu falta da infância? - O Elfo chorava de tanto rir, e Serenna não tirava sua razão. Aquela cena era ridícula.
- Só sendo louca, Frederick. - Serenna disse séria, o que calou o Elfo imediatamente. - Para estar sã.
Frederick sorriu orgulhoso de Serenna e de si próprio:
- Até que enfim você entendeu como o Nada funciona. Agora... Vamos procurar seu amigo?
- Da maneira mais sã possível, Frederick! - E com um sorriso de criança, Serenna tomou o Elfo pela mão e ambos correram em direção ao Nada onde Drew se escondia.
enviada por ºMaah!º



17/05/2008 22:48

Capítulo 50

"Serenna está morta", dizia mentalmente Harmonny, abrindo a porta do quarto onde Drew estava preso.
"O quê?! Quer dizer... De verdade?"
"É claro que não, seu tolo. Ela é mais esperta que você e me ouviu, escolheu a morte espiritual e agora sua alma vaga em meio ao nada. Se você escolher essa morte, terá alguma chance de se encontrar com ela, onde quer que ela esteja!"
"Não se se posso confiar em você, Harmonny. Mas as duas pessoas mais importantes para mim nesse mundo estão mortas, e eu não posso fazer nada a não ser morrer com elas..."
"... E reviver com elas também."
"Assim seja".
Harmonny bloqueou a própria mente novamente, sentindo a gélida presença de Tundra:
- Posso arrancar suas asas agora, queridinho?
- Poderia optar pela morte espiritual, por favor? - Pediu Drew, tentando ao máximo diminuir o próprio ego.
- Tem medo de sentir dor?
Drew não respondeu. Achou que isso seria mais convincente do que dizer "sou vaidoso demais para perder as asas", ou então um simples "sim". O silêncio de Drew fez brotar um monstruoso sorriso em Tundra, que tinha os olhos esbugalhados. Era aterrorizante ver alguém de tamanha beleza ficar tão demoníaca, seu rosto delicado dava lugar á um sorriso que deixava sua boca, inicialmente delicada, maior do que qualquer boca comum. Seus dentes afiados brilhavam e seus olhos quase saltavam das órbitas. Tundra tinha prazer em assustar o Anjo com aparência tão horrenda.
"Acredite: ela ainda está bonita", comunicava Harmonny, para o desgosto de Drew.
- Vamos deixar isso mais divertido. Harmonny! - A Anjo aproximou-se prontamente, exibindo as torturadas asas negras. Pouco se importando com seus gritos de dor, Tundra arrancou-lhe um punhado generoso de penas que jamais iriam se recompor. Sim, porque as penas tiradas das asas de um Anjo nunca vão nascer de novo, e quando não sobrar uma única pena, o Anjo perderá completamente sua alma, morrendo. Esse era o destino de Harmonny, que ela aceitava calada, dócil.
Apertando as muitas penas e enxarcando-as com magia negra, Tundra transformou-a numa faca digna de um açougueiro habilidoso. O sorriso da Ninfa Demônio se alargou ainda mais, seus olhos ficaram ainda mais esbugalhados e suas unhas cresciam rapidamente. Com o facão em punhos, Tundra correu até Drew, enterrando de uma vez o facão em sua mente. Os olhos do Anjo perderam a cor e o foco. Com a boca semi aberta, Drew tombou sem vida no chão frio.
Harmonny tapou a boca com as mãos, nunca imaginou que viveria para a ver a morte de um Anjo tão habilidoso quanto ele. Mas ela tinha de ser firme no pensamento de que aquelas mortes eram temporárias. As asas da Anjo ardiam violentamente, estavam horríveis e defeituosas, era muito doloroso voar e muito humilhante exibi-las. Harmonny sabia que logo chegaria a sua vez de morrer, e não seria uma morte temporária.
===
Em algum lugar no meio do nada, Drew -ou melhor- a alma de Drew caía violentamente, levantando poeira no chão branco. Instantes depois, recuperado do baque, Drew percebeu que tudo por lá era branco e infinito, sem dúvida, era a melhor definição do "nada" que alguém poderia conseguir.
- OLÁ! - O grito do Anjo ecoou infinitamente. Poderiam se passar dias até que Serenna ou Ylua o escutassem. Sem querer perder tempo, Drew liberou as asas que, em meio a tanto branco, mal podiam ser vistas.
- Que saudades do céu azul da Terra... - Suspirou o Anjo, levantando vôo.
===
Em algum outro lugar em meio ao nada, Serenna caminhava desinteressada, afinal, o que poderia ser interessante em meio ao nada? Eu digo o que poderia ser interessante:
- Serenna?
A jovem virou-se rapidamente:
- Quem é você? Onde está? Apareça! - Ela procurava em todos os cantos, mas não via ninguém. Até que, pega completamente de surpresa, a jovem foi abraçada com força:
- Serenna! Não acredito que é você! Pensei que nunca mais fosse te ver!
- Mas que diabos... MEU DEUS!!! - Tentando se soltar agressivamente, Serenna só percebeu depois que conhecia aquela voz tranquila muito bem. Ela não se preocupou em guardar o grito quando viu aquela figura alta, de ombros largos, vestindo-se como um nobre. De olhos profundos, orelhas pontudas, cabelos castanhos em uma trança presa por uma fita de seda negra, um pouco abaixo dos ombros e, algo que ela jamais poderia esqueçer: o sorriso doce de Frederick.
Assustada, a jovem deixou-se cair para trás:
- Você... O que está fazendo aqui?... A Kennedy... Ela te matou, eu vi!
- Na verdade... Eu não sei bem o que estou fazendo aqui. Só sei que depois que Kennedy me atacou, eu vim para cá.
- Isso aqui é o Purgatório? - Perguntou Serenna, preocupada.
- Acho difícil. Se fosse o Purgatório, estariam inúmeras pessoas aqui, aguardando a sentença final... Imagino que essa seja uma prisão mental ilimitada.
- Por que você acha isso? - Serenna mal acreditava que estava falando com o Elfo, e ele falava com tanta normalidade... Deveria estar ali há muito tempo para estar tão acostumado.
- Quer uma xícara de chá?
- O quê?!
- Chá. Uma xícara de chá, ajuda a acalmar depois que chega. - Frederick só poderia estar louco. Ele movimentava as mãos como se realmente estivesse bebendo chá, mas não segurava nada.
- Vamos Serenna... Não pode ver nada se estiver de olhos fechados. - Falava Frederick, como quem tenta ensinar um cachorro a sentar.
Serenna piscou uma, duas vezes e viu: uma bonita xícara branca com detalhes em dourado e um chá de camomila que pingava no chão.
Sentindo-se como Alice, em seu mundo de devaneios, ela perguntou:
- Como fez isso?
- Imaginando. Esse lugar é bizarro, é só o que tenho a dizer. Já leu "Alice no País das Maravilhas"? É um dos únicos livros humanos que já li, e devo admitir, é bem parecido com a nossa "realidade" nesse momento. Agora, se quiser chá ou bolo... Ou qualquer outra coisa, basta imaginar e se servir.
Frederick apontou para o nada. De repente, o "nada" deu lugar á uma bonita mesa de mármore, cheia de bolos, doces, salgados e alimentos em geral.
- Me perdoe. - Disse Frederick, estendendo uma xícara á Serenna. - Acabei incorporando demais o "Chapeleiro Louco", não acha?
Serenna só fez confirmar com a cabeça. Estava tão feliz por ver seu querido Frederick, mas tão confusa... Que raio de lugar era aquele?
- Frederick... Onde estamos?
- Ah! Que descuido meu... Eu chamei esse lugar de "Nada", não encontrei nome melhor, mas se pensar em algum, me avise!
- Você viu Ylua e Drew por aqui? Eles devem estar aqui também.
- Ah sim... Vi Ylua tem bastante tempo, o tempo corre de forma estranha aqui, então não posso dizer quanto tempo faz, exatamente. Mas quando a vi, ela estava em um lago, montada num cisne... Sem dúvida, Ylua tem uma bonita imaginação de criança, é por isso que gosto tanto dela. Agora, sobre Drew... Eu não me lembro de tê-lo visto, mas se ele estiver aqui, com certeza o encontraremos!
- E não dá pra imaginar um lugar menos branco?
- Daí teríamos que pensar em outro nome. Mas sem brincadeiras, eu tentei e não consegui, esse lugar é infinitamente grande, não dá pra cobrir tudo de outra cor... Mas se passarmos por um lugar levemente azulado, saberei que foi o primeiro lugar onde estive.
- Eu vou enloquecer... Tem certeza que está com a mente, bem... Sã?
O sorriso de Frederick deu lugar á face séria de que Serenna se lembrava com tanto carinho.
- Escute, Serenna: esse lugar nos afeta profundamente. Aquele que tentar se manter são em um lugar como o Nada, certamente ficará louco. Só sendo louco para se manter são. E eu espero que Drew entenda isso antes que ele enlouqueça, mas como eu não confio em seu amigo Anjo, é melhor iniciarmos nossa busca.
Embora Serenna estivesse tão confusa, ela sentia-se segura com a presença de Frederick, que tanto lembrava o Chapeleiro. E Drew e Ylua? Seriam eles o Coelho e o Gato? Talvez o Conselheiro com seu relógio e a Dama de Copas? Quem sabe... Só lembrem-se de se manterem loucos enquanto permanecerem conosco no Nada, é a única garantia de que estão realmente sãos. Escolham seus personagens e boa sorte.


enviada por ºMaah!º



11/05/2008 19:37

Capítulo 49

Para o desgosto de Tundra, não havia muito que fazer com Serenna. Ela não tinha asas até então, portanto, duas de suas torturas favoritas eram descartadas. Sobrava apenas a morte espiritual, para o alívio de Harmonny, que passava todas as informações sobre Drew por telepatia:
"Está me ouvindo?"
"Perfeitamente."
"Ótimo. Drew é um Anjo teimoso, mas se você escolher a morte espiritual, ele também escolherá. Só espero que vocês se encontrem e fiquem juntos. Encontrem também aquela Anjo da Cura, antes que algum de vocês desista da própria vida..."
"Não se preocupe comigo. Se você diz que é possível sobreviver á morte espiritual e ainda permanecermos juntos, eu... Eu confio em você".
Harmonny não evitou de sorrir. Sem dúvidas, Serenna era a mortal da Profecia, pois ninguém confiaria em Harmonny tão rapidamente, a não ser que pudesse medir a verdade em suas palavras. Ao ver o tímido sorriso de Harmonny, Tundra tratou de intervir na comunicação mental, felizmente Serenna havia sido mais rápida e bloqueara a própria mente.
- Está feliz, Harmonny?
- Eu... Eu... Sim senhora.
- Anciosa por eliminar a concorrente?
- Sim senhora. - Harmonny dizia fitando o chão. Algo no sorriso maldoso de Tundra fazia a Anjo sentir-se imensamente inferior.
- Então, por ser tão... Prestativa para minhas metas, eu te deixarei feliz, Harmonny. Serenna morrerá hoje. Se bem que há infitas outras torturas que eu posso aplicar em humanos, passei séculos estudando e praticando algumas muito interessantes...
- Mas a morte espiritual. - Disse Harmonny, assustada. - Provaria o quão fraca é a mortal da Profecia, que se diz destinada á derrotá-la! Ela não aguentaria uma semana em estado de morte espiritual, aposto minhas asas nisso!
"Harmonny, perdeu completamente o juízo?", exclamava Serenna mentalmente.
"Eu não tenho absolutamente nada a perder com isso, garota".
- Você está tão desesperada assim, para vê-la em morte espiritual?
- Eu... Eu não sei o que se passa neste estado, Milady. Mas imagino a aflição de não saber se está vivo ou não, de estar perdido em meio ás Trevas, vendo a vida fugir aos poucos.
- Ah, seus argumentos neste péssimo tom poético me cansam... - Tundra massageava o cenho. Ela não escondia o tédio por estar perante uma mortal. - Muito bem então, que seja a morte espiritual. Pelo menos me livro dela mais rápido!
Foi como se todo o peso do mundo fosse retirado das costas de Harmonny. Ela olhou para Serenna e abriu um largo sorriso. A vontade de Serenna era sorrir também, mas ela tinha que manter as aparências perante Tundra.
A Ninfa arrancou com força uma das penas negras de Harmonny, que abafou um gemido de dor. Tundra esmagou a pena com apenas uma mão, que logo ficou coberta de magia negra. Aos poucos, tal magia assumia a forma de uma adaga enegrecida. Exibindo os dentes afiados em um sorriso louco, Tundra aproximou-se de Serenna e encostou a adaga em sua testa. Aos poucos, a adaga sumia, assim como a cor nos olhos de Serenna que, em poucos minutos, caiu pesadamente no chão.
A magia negra da adaga, levemente alterada por Tundra, invadiu a mente e o espírito de Serenna aos poucos, prendendo-o em meio ao nada, como se disesse "Bem Vinda á Morte Espiritual".
Deixando o corpo inerte no quarto, Tundra e Harmonny saíram a fim de selar o destino do Anjo Drew.
enviada por ºMaah!º



02/05/2008 21:58

Capítulo 48

Uma coisa curiosa sobre os Anjos: eles praticamente nunca rezam. Os Anjos crêem, confiam em Deus, mas nunca rezam, e não se sabe o motivo. Os Anjos mais velhos rezavam com certa frequência, mas, nos turbulentos dias atuais, alguns dos Anjos mais novos nem ao menos sabe rezar. Mesmo não sendo tão jovem, Harmonny também não sabia como fazê-lo.
"Meu Deus...", pensava a Anjo, em silêncio. "Proteja essas pobres criaturas, que nunca se revoltaram contra ti. Drew sabe rezar, e a garota deve saber também, já que muitos mortais simplesmente dependem de você, confiam em você e, por você, arriscariam suas vidas. Um dia, Drew disse que poderia me ensinar a rezar, mas eu não quis. Apesar de nunca ter visto o Senhor, escutava suas ordens e as cumpria com relutância e preguiça. Não haveria outro destino para mim senão a revolta. Mas, por favor, se alguém deve ser castigado, que seja essa pobre e maldosa ovelha desgarrada que Lhe apela. Por favor, deixe meu querido Drew em paz, ele gosta de Serenna como eu queria que ele gostasse de mim. Por favor, proteja os dois...", se Tundra notasse que Harmonny chorava, talvez tentasse entrar na sua mente e descobriria tudo. Felizmente, o ego da Ninfa não lhe permitia observar a Anjo.
- Abra. - Para a surpresa de Harmonny, elas já estavam em frente á prisão de Serenna, como se o tempo passasse mais rápido quando sua alma se encontra em pura reflexão. Enxugando as últimas lágrimas na manga encardida, Harmonny empurrou outra das inúmeras e pesadas portas do Castelo.
Para a surpresa de todas, Serenna encontrava-se em posição de lótus, meditando profundamente, no centro da sala de pedra acinzentada.
Sem dizer palavra, Tundra afastou a bonita manga, exibindo a mão pálida e as unhas pintadas de vermelho. Segundo a segundo, aquelas unhas cresciam, em pouco tempo viraram garras que assustaria até o mais feroz dos lobos. Com passos largos ela se dirigiu até Serenna e, com um golpe violento, agarrou sua cabeça, empurrando-a para trás com suas garras horrendas, enquanto invadia a mente da garota.
- Essas vidas idiotas dela acham que podem comigo... Os mortais da Profecia já caídos estão desesperados, sem dúvida ela é a mais incompetente de todos, a única que foi presa. - Ela soltou a cabeça de Serenna, que fora tirada do transe com violência. - E diga ao meu querido Dereck, o patife que me prendeu naquele ridículo colar, que é inútil aconselhar uma mortal do seu nível...
- Dereck manda dizer que mal pode esperar para ver com meus olhos a sua queda. - Serenna sorriu com dificuldade, pois o toque das garras malditas pareceram amortecer todo o seu rosto. Tundra ignorou o comentário. Felizmente, o pouco tempo em que Serenna meditara fora o suficiente para saber que Tundra era vaidosa e que era um ser horrendo na verdade. Também aproveitou para saber da situação de Ylua e Drew, estava muito mais aliviada agora e sentia-se capaz de desafiar a Ninfa que domina a Morte.
-Boa sorte-, na mente de Serenna, a calma voz de uma de suas vidas passadas ecoava pacificamente. Ela sabia que todos estavam torcendo por ela. E essa batalha ela não se permitia perder.
enviada por ºMaah!º



19/04/2008 21:24

Capítulo 47

Vênus fez sinal para que se retirassem o mais rápido possível, não tinha certeza se conseguiria dominar o profundo ódio que sentia de Tundra.
"Não somos fracos", pensava Vênus. "Nem nunca fomos dominados tão facilmente... Como seria grande o meu prazer em ver o sangue daquela Ninfa escorrendo por entre meus dedos...".
Harmonny abria a pesada porta com esforço, a claridade irritava os olhos de Drew, já acostumados com a escuridão.
- Está acomodado? - Tundra adentrava lenta e dramaticamente no quarto, querendo apreciar plenamente a face de Drew. Era a primeira vez que o Anjo via seu rosto, nunca imaginaria que fosse tão bonita.
Seus cabelos eram acinzentados e lisos, seus olhos eram azuis de uma profundidade oceânica. Sua pele era tão branca quanto a Lua e um enfeite de ouro pendia em sua testa. Suas roupas eram riquíssimas e lembravam muito o Japão Feudal. Sem dúvida, ela era a mais bonita das Três Ninfas.
- Podia estar melhor. - Drew respondeu, após o pequeno transe. Tundra o olhou com desprexo e respondeu rispidamente:
- Você é mesmo um ingrato! Se acha isso ruim, saiba que vai ficar infinitamente pior! - Sem perceber, Tundra havia mostrado os dentes. Drew percebeu que aquela beleza era inteiramente falsa, e estremeçeu vendo o demônio que Tundra era por dentro. Seus dentes era longos, brancos e afiados como o de um cão damoníaco. Percebendo o medo de Drew, Tundra abriu um sorriso, literalmente, de orelha á orelha.
"Ela é um demônio!?".
Tundra aproximava-se lentamente. Atrás dela, Harmonny tremia e suava frio.
"Vo... Você não deveria provocá-la... Não imagina o quão horrenda é sua forma verdadeira!" - A voz desesperada de Harmonny ecoava pela mente do Anjo acorrentado. - "Aposto que nem mesmo os Anjos Espirituais conseguiriam derrotá-la!".
"E onde estão os Anjos Espirituais?", perguntou Drew, tentando recompor-se do susto.
"Eu não sei. Há uns poucos no Templo, mas outros partiram para outras Constelações, em inúmeras missões. Até onde sei, nenhum retornou".
Seria loucura chamar os poucos Anjos Espirituais do Templo... Qeum sabe? Talvez fosse louco o suficiente para dar certo, mas seria um grande peso perder esses poucos Anjos numa tentativa frustrada de ataque. Drew decidiu que só os chamaria como última opção.
Tundra fitava Drew nos olhos. Suas longas e afiadas unhas vermelhas arranhavam seu pescoço de leve, liberando uma gota de sangue escuro vez ou outra.
- Você teme a morte?
- Eu sou imortal.
- Até o dia em que te matem da forma certa. Agora me diga, o que você prefere: que eu arranque pena por pena de suas bonitas asas, que eu as arranque de uma vez ou que eu o prenda em um estado avançado de morte espiritual, onde você ficará preso até admitir que morreu, desistindo de sua própria vida?
"Morte espiritual, peça a morte espiritual!", repetia Harmonny, telepaticamente.
"Você adoraria que eu desistisse de minha vida, não é?".
"A morte espiritual é um meio demorado de tortura. Você ficará preso no meio do nada até admitir que está morto, mas enquanto não admite, continua vivo! Tudo o que você tem que fazer é dizer a si mesmo que está vivo e conseguirá retornar!"
- São todos meios muito interessantes, Tundra. Eu fico imaginando a quantidade de Anjos que você já deve ter matado para conheçer três formas de fazê-lo. - O Anjo tentava ganhar tempo.
"Drew, pelo amor de Deus! O grito de um Anjo que perde as asas é o som mais agonizante que você pode imaginar! E perder pena por pena, assim como eu, é algo demorado e absolutamente torturante! Tundra é sádica, trabalha com tortura! A morte espiritual é indolor e há uma chance para se salvar! Eu imploro!".
- Já chega, você demora demais... - Tundra estava aborrecida. - Já que você não escolhe, escolho eu. Arrancarei suas asas de uma vez...
Harmonny tapou a boca com as mãos maltratadas, abafando um grito. Drew engasgou. Harmonny deveria agir rápido:
- Milady... - Harmonny ajoelhou-se perante Tundra. - Se me permite, não creio que devas sacrificá-lo imadiatamente, afinal, o verdadeiro troféu está indefeso e aprisionad no Castelo. Creio que seria melhor cuidar primeiro da mortal Serenna, que, segundo dizem, está destinada a derrotá-la.
Tundra riu, mostrando as presas:
- Chega a ser engraçado. Como podem ter tanta certeza de que eu seria derrotada por uma mortal pálida como aquela? Mas se faz tanta questão de ver sua concorrente morta, Harmonny, eu farei sua vontade.
"Dê graças a Deus que a telepatia é impossível apenas fora daqui, se não você já estaria morto. Só espero ue sua amiga me dê mais atenção...", Harmonny deu passagem á Tundra e a seguiu de cabeça baixa.
Por um décimo de segundo, Drew sorriu carinhosamente para Harmonny. Talvez ela não fosse de todo mal.
enviada por ºMaah!º



12/04/2008 17:11

Capítulo 46

A telepatia era simplesmente impossível, e Serenna gastara uma quantidade perigosa de energia tentando provar o contrário.
As lágrimas escorriam por seu rosto pálido, mas ela própria as ignorava. Não adiantava chorar naquele momento, demonstrar fraqueza seria um erro. Serenna só desejava saber o que estava acontecendo com Drew.
O Elfo que acompanhava o Anjo fora dispensado no meio do caminho, voltando em silêncio e com o olhar baixo para de onde quer que ele tenha saído.
Os Anjos Manipuladores eram mais agressivos do que o Elfo, eles conheciam o poder de Drew e, mesmo sabendo que ele não ofereceria resistência, não puderam negar o praser de acorrentar o mais poderoso líder do Exército Celeste. Drew nunca sentira-se tão humilhado, mesmo assim, seu olhar continuava frio, impassível.
Seu pescoço foi preso por uma pesada coleira de metal, seus pulsos e tornozelos foram algemados e suas asas sofreram golpes de pressão para que não se movessem, o que causava uma dor terrível - dor esta, que Drew suportou em silêncio.
Como se já não bastasse, seus olhos foram vendados com um lenço vermelho sangue, o que irritava os olhos do Anjo caso ele tentasse mantê-los abertos. Antes de ser vendado, Drew notou que os Anjos não se atreviam a olhá-lo nos olhos, mesmo assim, reconheçeu em cada um deles, um amigo.
Galadriel e Tinuviel, os Anjos que o acorrentaram, foram seus maiores companheiros muitos séculos antes, quando os três ainda era meros aprendizes no Templo das Sombras. Na época, Drew era muito mais frio e anti-social, e os dois Anjos Manipuladores foram os responsáveis por mostrar-lhe que de nada valia isolar-se em um lugar como aquele.
- Apesar da má fama da raça, foram os Anjos mais justos que já conheci. - Murmurava Drew. Ele sabia que, ao todo, eram quatro Anjos, portanto, oito passos ecoavam pelo corredor. Mas assim que Drew pronunciara aquela frase, ele deixou de ouvir o caminhar de dois Anjos. Mesmo sem poder ver, Drew sabia que Galadriel e Tinuviel o olhavam assustados e com grande remorso.
- E sei que continuam sendo... - Completou Drew.
Galadriel parecia querer falar algo, mas Tinuviel depositou a mão em seu ombro, pedindo para que continuasse em silêncio.
E quem seria o terceiro Anjo? Quem andava á frente dos demais, puxando Drew pelas correntes? Ninguém mais, ninguém menos que Vênus, a antiga monitora da Classe Manipuladora e guerreira nata. Outra grande amiga de Drew, que se perdeu em meio ao turbilhão das Guerras Celestiais.
- Talvez fosse melhor continuar desgarrada, não é, Vênus querida?
- Cale-se... - Foi tudo o que Vênus conseguiu pronunciar, antes que as lágrimas tomassem conta de seu bonito rosto. Vênus se odiava amargamente for realizar um trabalho tão repulsivo, mas ela era líder por natureza e deveria mostrar toda a frieza que fingia ter. Mas por quanto tempo ela manteria este nível tão cruel perante um amigo de tantos séculos?
Os minutos pareciam eternos quando, finalmente, eles pararam.
- A telepatia é impossível. - Falava Vênus. - Quilômetros de um "corredor - labirinto" separam você e sua amiga. O quarto onde você vai ficar é a prova de feitiços, sons e qualquer outra coisa. O único oxigênio que você vai encontrar é forjado, artificial, portanto, é simplesmente impossível de tentar fugir.
Tinuviel retirava a venda enquanto Galadriel retirava as algemas, deixando apenas o pescoço do Anjo preso. Vênus empurrou uma das milhares portas de aço e de passagem a Drew, entrando em seguida.
A corrente da "coleira" de Drew foi imediatamente acoplada á parede de pedra pura, Vênus trabalhava com agilidade. Ao testar a resistência das correntes várias vezes, a Anjo voltou para o lado dos amigos e fechou a pesada porta, deixando Drew mergulhado na escuridão.
Do outro lado, Vênus deixava-se cair de joelhos no chão, suas mãos cobriam o rosto encharcado de lágrimas:
- Se algo acontecer á ele... Eu destruirei este castelo e morrerei em seguida... Eu juro por minhas asas que vingarei este Anjo.
Envergonhados e fitando os próprios pés, Galadriel e Tinuviel ajoelharam-se, cada um com uma mão no ombro de Vênus.
E lá eles ficaram, imersos num silêncio de vergonha, até que os passos de Tundra, seguidos por passos apressados e ofegantes de Harmonny puderam ser ouvidos, aproximando-se rapidamente.
enviada por ºMaah!º



11/04/2008 21:07

Capítulo 45

- Recomponha-se. - Tundra era inacreditavelmente fria. Ela repetiu a ordem, dessa vez mais agressiva. Harmonny levantava-se com dificuldade.
- Perdoe-me, Milady. Mas, como bem sabe, não sou nada comparada a vossa força.
- Comparada com minha força ou não, você não é nada.
Harmonny engolia seu orgulho amargamente, seu comportamento era atípico, o que provava que Tundra era extremamente poderosa. As mãos da Anjo tremiam com violência, ela suava frio, seus dentes trincavam. Pela primeira vez em séculos, Harmonny estava apavorada.
- E o que faremos com os prisioneiros, Milady?
- Leve-os para celas distantes, quero que eles se sintam sozinhos quando "morrerem".
Imediatamente, a porta da torre foi aberta, dois Elfos entraram sem olhar para a escuridão onse se localizava Tundra, ambos tremiam.
Suas roupas estavam em condições um pouco melhores que as de Harmonny, provavelmente, era Harmonny que sofria quando Tundra estava de mau humor.
- Desculpe... - Murmurou um dos Elfos, enquando Serenna e Drew eram separados. O mesmo Elfo passou o braço de Serenna por trás de seus ombros e a ajudou a caminhar, o mesmo fez o Elfo que ajudava Drew. Já Harmonny levava o corpo inerte de Ylua com desprezo:
- Vocês vão acabar ficando que nem ela... Um saco de penas inútil.
- Antes um saco de penas do que um saco desprezível de pancadas... - Murmurou Drew. - Você está completamente domada por Tundra... Nunca foi tão fraca.
Aquilo atravessou Harmonny como uma lança, paralizando-a. Ela segurou uma teimosa lágrima o máximo que pode, soltando-a, por fim, seguida de um soluço:
- Você não sabe o sufoco que estamos passando aqui. Eu tinha o controle de tudo até ela chegar. De repente, estávamos todos sob o comando daquele monstro.
- Senhorita, por favor, fale baixo! - Murmurou um dos Elfos. - Como bem sabe, Mestra Tundra poderia estar ouvindo.
- E QUE ESCUTE! - Gritou Tundra, virando-se para a porta e retomando o baixo nível de sua voz em seguida. - Seria apenas mais um castigo e mais uma porção de penas a menos em minhas asas... Ela mesmo já disse que sua única meta neste castelo era me matar lentamente, me depenando como uma ave prestes a ser abatida. Você tem muita sorte, Drew. - Ela sorriu tristemente. - Pois só depende de vocês se vão morrer ou não. Já eu... Não tenho escolha.
Drew pesava com severidade cada palavra de Harmonny. Não sabia se deveria acreditar em algo que saísse de sua boca. Serenna porém, não conhecia os feitos passados da Anjo, e, para ela, o passado não importava. Harmonny estava muito pior do que eles dois.
-"Poderíamos ajudá-la", pensava Serenna.
-"Não acho uma boa idéia...", em outra ocasião, Drew diria um "Não" solene, mas ele achava-se extremamente inferior agora, como um inseto insignificante. Simplesmente não se perdoava por quase ter matado alguém que tanto gostava.
-"E se fosse você quem tivesse que aceitar fato de morrer aos poucos, perdendo pena por pena das asas que tanto ama?".
-"Sei que deve estar com medo de mim agora... E admito que eu seja mais parecido com Harmonny do que eu gostaria, mas saiba que, por vontade própria, eu nunca trairia um amigo..."
-"Eu não seria capaz de ficar brava com você por muito tempo, Drew, nunca fui de guardar rancor. E você não fez isso por vontade própria... Aquele não era você... E de você eu não tenho medo". - Porém, nem Serenna nem Drew sentiram total verdade nessas palavras mentais.
Eles seguiram em silêncio mortal até um corredor bifurcado, onde cada um tomou um caminho diferente. Harmonny seguiu Serenna com Ylua até metade do corredor, onde entrou por uma porta de aço espesso. Cinco minutos depois, o Elfo indicou a Serenna uma porta idêntica, e disse:
- Espere aqui em silêncio. E lembre-se: "A Morte é apenas uma questão mental, pois se a mente manter-se viva, até mesmo o corpo mais ferido é capaz de levantar"... Meu irmão sempre dizia isso.
- Quem é seu... - A pergunta, porém, ficou pendendo no ar. Serenna já sabia a resposta: o jovem Elfo tinha o mesmo sorriso, o mesmo brilho nos olhos negros que Frederick.
O Elfo abriu a pesada porta com facilidade e, ostentando um sorriso triste, porém esperançoso, disse:
- Jamais desista dessa vida maravilhosa que você possui. Jamais desista da vida de sua mente. Todos nós contamos com você em segredo, Serenna.
A porta se fechou lentamente.
- Espere! Qual é o seu nome? Que lugar é esse? E Frederick?!
Infelizmente, a porta não deixava passar nenhum ruído para o outro lado. Se qualquer milímetro do quarto não estivesse repleto dos mais diversos feitiços, talvez Serenna escutasse o que o jovem Elfo dissera, assim que a porta foi trancada. Algo importante sobre Frederick, que com certeza inundaria aquele quarto da mais luminosa esperança.
E, em silêncio e na escuridão total, Serenna aguardava a vinda da Ninfa que domina a Morte.
enviada por ºMaah!º



05/04/2008 20:33

Capítulo 44

- Pegue Ylua e suma daqui... - Um arrepio percorreu as costas de Serenna ao ouvir a voz de Drew. Uma voz outrora calorosa estava fria e sádica. - Antes que eu a mate também.
- Eu não vou fugir. - Srenna respondeu, confiante. A jovem simplesmente não acreditava que Drew fosse capaz de atacá-la, afinal, ela nunca presenciara seus feitos manipulando magia negra. Se talvez já tivesse visto seu desempenho em algumas guerras, obedeceria imediatamente.
- Talvez você realmente queira morrer. - Os dentes de Drew pareciam mais brancos e afiados, seu sorriso era aterrorizante. - Eu odeio mortais que não têm amor á vida... Já matei muitos desses seres inúteis, sabia? Mais uma não vai mudar o rumo das coisas.
"Ele é um monstro...", Serenna estava paralizada de medo. Aquele ser de olhos negros jamais seria comparado ao bonsoso Anjo de Guerra, aquele que sofria por ser obrigado a matar, aquele que carregava uma culpa maior do que deveria. Agora Serenna entendia: Drew sentia-se culpado pelas atrocidades daquele monstro.
Ao olhar Harmonny, Serenna notou um largo sorriso em seu rosto. Harmonny certamente admirava aquele ser tão cruel. Não era difícil imaginá-la apaixonada por aquela versão terrível de Drew. Harmonny simplesmente idolatrava o lado possuído por magia negra do Anjo, um lado que ele próprio queria esconder.
- EU MANDEI VOCÊ SUMIR DAQUI! - Mesmo que Serenna não percebesse, Drew sofria em uma luta interior consigo mesmo. O Anjo suava e ofegava, sempre manipulando a Espada Proibida. - Por favor... - A voz de Drew voltava ao normal aos poucos. - Serenna, por favor... Saia daqui...
Porém, seus olhos escureceram novamente e sem dizer mais nada, Drew virou-se, pronto para atacar a jovem.
Serenna imediatamente largou o corpo de Ylua, com medo da Anjo também sofrer o ataque.
Talvez a jovem estivesse paralisada de medo, talvez ela simplesmente não temesse. O que importa é que Serenna manteve os olhos nos olhos possuídos de Drew. Serenna seria atacada de cabeça erguida.
Drew manipulava a espada com grande habilidade, é claro, e nem poderia ser diferente. Enlouquecido pela sede de sangue, parte de Drew apenas pensava em que região do bonito corpo da garota desferiria seu golpe. Já a outra parte gritava desesperadamente para que ele parasse.
A ponta da espada foi apontada para a barriga da jovem. Drew correu o mais rápido que pode, preparado para acabar com a vida de mais um mortal. A espada, porém, parou a apenas dois centímetros do corpo de Serenna.
As gotas de suor escorriam pelo rosto do Anjo, ele tremia. Seus olhos mudavam de cor constantemente, ele parecia sentir dor. Logo, Drew fez a espada desaparecer, assim como a escuridão gótica de seus olhos, e deixou-se cair de joelho perante Serenna.
- Eu disse que EU iria matá-la... - Aquela voz gélida, emersa na escuridão, voltara a ecoar pela torre. Harmonny tremia da cabeça aos pés. Subtamente, a Anjo virou-se e atirou-se ao chão, mostrando o medo que sentia de quem quer que fosse:
- Si-si-sinto muito Milady. É... Você... A senhora... Sabe, eu apenas...
- SILÊNCIO! - Um feixe de luz que misturava vermelho com negro atravessou a sala, atingindo Harmonny em cheio. A Anjo caiu estatelada no chão, inconsciente. Mesmo aquilo não foi capaz de desviar a atenção de Serenna:
- Drew, tá bem? - Serenna ajoelhara-se no chão, procurando os olhos do Anjo:
- Como pode tocar em mim depois do que eu pretendi fazer com você? Serenna, eu pretendia de matar...
Com certa veronha, Drew olhou nos olhos da jovem. O Anjo chorava.
- Aquele jamais poderia ser você, Drew. Você nunca faria algo assim.
- Mesmo assim... Seu sangue escorreria em minhas mãos, e eu jamais me perdoaria se... Aquilo... Fizesse algum mal á você.
- Tente se acalmar. - Serenna estava aliviada. Por um momento, a presença de Tundra não tinha importância. Drew sentia-se como uma criança, uma criança com poder de matar. Serenna o abraçou. Mesmo assim, a jovem não conseguia evitar de sentir medo dele.
enviada por ºMaah!º



30/03/2008 13:04

Capítulo 43

Serenna adormecera nos braços de Drew. Os ossos do Anjo estralavam ao mínimo movimento, seus braços estavam dormentes e suas asas doloridas. Ele porém, não ousava parar um minuto sequer, não fora criado para queixar-se de dores.
Para o desespero do Anjo, a macabra dança entre Lua e Sol havia se iniciado, sempre seguidos por uma grande bola brilhante -Mortis-que sugava e energia de tudo e todos, inclusive de Serenna, que ficava cada vez mais gélida.
- VAMOS LÁ HAMONNY! É TUDO O QUE CONSEGUE? - Gritava Drew. - CASO NÃO SE LEMBRE, EU JÁ PASSEI POR TORTURAS MUITO PIORES, NA PRIMEIRA GUERRA!
Drew sabia que Harmonny os estava observando, e com certeza, não estava nem um pouco satisfeita. Um vento terrivelmente gelado tentava fazer o Anjo recuar. Por mais que suas asas estivessem feridas, Drew jamais desistiria, pois a torre do Castelo estava realmente perto agora.
"Drew... Meu amado Anjo..., a voz gélida de Harmonny voava junto ao vento. "Por que continua? Desista. Largue essa mortal inútil e volte ao Templo, onde é seguro".
- O único Anjo que eu conheço que fugiria numa ocasião assim é você...
Apenas alguns centímetros. Era essa a distância entre Drew e a janela da torre. Com a cabeça de Serenna contra o próprio peito, Drew tomou impulso e atirou-se contra o vidro. Porém, apenas na terceira investida que o vidro ricamente enfeitado cedeu, dando passagem á um Anjo perigosamente ferido.
- Drew? - Protegida dos efeitos de Mortis, Serenna recuperava a energia aos poucos. - Onde estamos?
- Nós conseguimos. - Drew falava carinhosamente. - Estamos no Castelo.
- Que bom... - Serenna ostentava um sorriso cansado. - Acho que estou recuperando as forças.
- Excelente... - Uma voz desconhecida surgiu de uma parte escura da Torre, seguida pela risada histérica de Harmonny. - Assim poderei sugá-las por completo.
Uma leve batida de asas, o barulho de metal contra metal, e dois pares de olhos brilhando perigosos na escuridão... Pela primeira vez em dias, Drew não sabia o que fazer.
A primeira a aparecer foi Harmonny. Seu cabelo loiro quase branco estava desgrenhado, suas vestes estavam rasgadas e suas pequenas asas negras davam pela falta de penas. Mesmo judiada, Harmonny ostentava um ar superior, suas asas estavam abertas e ela fitava Serenna com desprezo.
Apenas pelo prazer de enfrentá-la, Drew esticou ao máximo suas grandes e perfeitas asas brancas, e disse, com um sorriso cínico:
- Quem diria... E você foi, outrora, a mais vaidosa com suas asas... Se eu fosse você, eu as esconderia para sempre, por vergonha de exibir perante um Anjo de Guerra, asas tão imprestáveis quanto as suas.
Por mais que os insultos tivessem atingido Harmonny profundamente, ela apenas aproximou-se de Drew, acariciou se rosto e disse:
- Minhas asas nunca foram bonitas como as suas, querido... Você se lembra? Antes da Primeira Guerra Celestial? Eu tinha tanta inveja das suas asas...
- Sim, tanto que tentou cortá-las no mesmo dia em que eu descobri que você havia me traído.
Diante dessa acusação, Harmonny recuou. Pela primeira vez ela pareceu notar a presença de Serenna, que se erguia com dificuldade. Odiando-a profundamente, Harmonny a agarrou pelos cabelos:
- Então, Drew... Essa é a vadia que ocupou o MEU lugar na sua vida?
Os olhos de Drew ficaram acinzentados imediatamente. Vovendo-se com grande agilidade, ele agarrou a Anjo pelo pescoço:
- Eu não permitirei que você ofenda Serenna! Você está louca, Harmonny. Sempre foi louca!
"Louca por você", pensava a Anjo enquanto voltava a escuridão.
- Você vai ver, Drew. - Ela dizia. - Eu tenho algo que vai baixar essas asinhas...
Alguns segundos depois, ela retornara á claridade com um Anjo, amarrado e amordaçado. A rara combinação de asas azuis e cabelos cor de fogo permitiu que Drew e Serenna a reconhecessem imediatamente:
- YLUA! - Os dois exclamaram.
- Foi tão fácil... - Harmonny fitava a Anjo com um sorriso maldoso.
- Foi quando Ylua foi visitar o túmulo da irmã, não foi? - Serenna perguntava a Drew, horrorizada.
- Não... Foi antes... A que estava conosco não era Ylua. Harmonny a sequestrou e assumiu sua forma, usando a técnica de Transformação... - Drew fitava a Anjo Manipuladora com ódio. Seus olhos ficavam cada vez mais enegrecidos.
- A Magia Negra surte um efeito dobrado nos Anjos de Cura... Causa ferimentos dolorosos que eles não podem curar. - Harmonny falava com ar vitorioso. - Foi até chato derrotar alguém tão inexperiente.
- Então lute comigo agora. Vamos ver se vai achar chato. - Pequenos raios negros e azulados cercavam a mão direita de Drew. Serenna e Harmonny fitavam o Anjo num silêncio mortal. Logo, uma espada feita da mais pura magia negra era empunhada pelo Anjo.
- Você conheçe a lâmina dessa espada como ninguém...
Serenna conhecia a história dessa espada. A "Espada Proibida" de que Ylua falara certa vez... Drew já a usara no Castelo dos Elfos, para ajudar na fuga, mas ele nunca a manipulara com tanto ódio.
"Eu fico descontrolado quando a uso, por isso mesmo tento não usála, por medo de machucar inocentes", Serenna lembrava dessas palavras... Tanto ela quanto Ylua e Harmonny corriam perigo. Ninguém sabia do que Drew era capaz.
enviada por ºMaah!º



24/03/2008 20:13

Capítulo 42

Antes de mais nada... Notaram as mudanças? O Templo ficou muito melhor assim, não é? Pois bem, esse deve ter sido o presente mais incrível desse mês (mês do meu aniversário e tbm da metade da família xD). E queria muito agradecer á Fernanda, dona da página:www.surrender.890m.com; Visitem, eu recomendo!



As horas passavam rapidamente e Ylua não voltava. Drew já começava a se preocupar.
- Ela disse que queria ver a irmã... - Serenna tentava acalmá-lo.
- Eu não sinto mais sua presença nesse mundo... É como se Ylua não estivesse viva. - Drew respondeu, sem tirar os olhos de Mortis.
- Que horror, não fale uma coisa dessas nem brincando!
- Eu adoraria estar brincando...
Por pior que fosse, no momento, tudo o que eles poderiam fazer era esperar, e foi exatamente isso que fizeram até os primeiros raios de sol surgirem. Drew dormia no parapeito da janela e Serenna acordava apenas com a cabeça na cama, o resto de seu corpo dolorido adormecera jogado no chão:
- Drew...? Drew, acorda! Que horas são?
- Umas... Seis da manhã. - Disse Drew entre um longo bocejo. - E Ylua?
- É exatamente isso, Drew! Ylua não voltou!
- O quê? Como assim não voltou? - Drew colocou-se de pé repentinamente, apavorado. - Acredita em mim agora?
Serenna só fez confirmar com a cabeça. Sem tempo para mais uma sílaba, Drew enlaçou a cintura da jovem com o braço e saltou pela janela, levantando vôo em seguida.
As asas de Drew batiam desesperadas. A preocupação do Anjo era visível:
- Por Deus e os Serafins... Ela é uma Anjo em treinamento! Não teria condições de se defender por muito tempo! Não vou permitir que outro Anjo sob minha responsabilidade morra!
Sobrevoando o oceano, Drew deixou-se cair uns poucos metros, tentando ver se o túmulo de Serenitty ainda estava lá.
- Ali! - Apontou Serenna para um minúsculo ponto brilhante. - Está vendo?
- Sim... - Drew, porém, não prestava atenção em nada, estava atônito, chocado com a própria incompetência.
- Está sentindo algo?
- Uma energia... Conhecida. Só não me lembro muito bem de quem...
Drew parou bruscamente, Serenna, por impulso, pindurou-se no pescoço do Anjo, com medo de cair.
- Harmonny...
- O quê? Tá falando daquela psicótica que tentou matar vocês dois na base da tortura no Castelo dos Elfos?
- Não, ela não tentou nos matar... Queria apenas divertir-se, ela sempre foi assim, desde que era uma Anjo em treinamento. - Dizendo isso, Drew voltou á voar com força total, esforçando-se para não perder o rastro de energia de Harmonny.
"Drew sabe muito sobre essa mulher... Se isso terminar bem, eu vou querer explicações...", pensava Serenna com desconfiança.
Serenna perdera a noção de quanto tempo eles voaram. Minutos, horas, dias... Para a jovem, fora uma verdadeira eternidade. Por algum motivo, dia e noite não faziam mais sentido. Lua e Sol ficavam lado á lado em determinadas horas, e em outras ocasiões, giravam como crianças brincado de roda.
- Coisa de Elfo, eu acho. - Explicou Drew. - Tente não olhar, vai ficar tonta.
- Tarde demais. - Serenna já sentia náuseas.
Algum tempo depois, o Sol sumiu por completo e Serenna teve certeza de que já era noite e tranquilizou-se, talvez a mudança "Lua/Sol" tivesse terminado.
Sim, de fato, havia terminado. Apenas para dar lugar á algo muito pior.
Numa velocidade aterrorizante, estrelas e mais estrelas uniam-se á um único ponto no céu, que crescia, crescia, até atingir tamanhos cientificamente impossíveis.
- Desgraçada. - Dizia Drew entre os dentes. - A vadia pretende sugar a energia vital do Sol!
Serenna não conseguia tirar os olhos de Mortis, completamente hipnotizada. Em seus olhos, Mortis era refletida claramente. Não era apenas a energia do Sol que Tundra desejava.
- Drew... Vai mais devagar... Eu tô me sentindo tonta, fraca... - Serenna quase desmaiou. Felizmente, Drew a abraçou e virou-se de costas para Mortis.
- Tente não olhar. - Sussurrava o Anjo. - Tundra é tão sádica quanto Harmonny, ela quer te torturar. - Ele olhou Serenna nos olhos, impedindo-a de ver qualquer outra coisa, a não ser aqueles profundos olhos amarelos. - Olhe para mim, olhe apenas para mim. Não há mais nada aqui, apenas eu e você, está bem? Você não precisa olhar para mais nada.
Serenna concordou. Sem poder perder mais tempo, com toda a vida Celeste em jogo, Drew voltou a voar o mais rápido possível. Algum tempo depois, a torre mais alta já era visível entre a névoa.




enviada por ºMaah!º



15/02/2008 20:50

Capítulo 41

Por motivos pessoais estou ocultando os comentários, mas continuo recebendo e lendo á todos. Obrigada.


De fato, uma estrela gigante próxima ao sol não era algo que se vê todos os dias. Serenna arriscou sua última idéia:
- Não dá pra esconder aquilo com alguma ilusão?
- Não. - Disse Drew, sem tirar os olhos de Mortis. - Precisaríamos de muito, mas muito poder mesmo. Além do quê, o mundo todo já viu a bola brilhante da nossa amiga Ninfa...
- Muito bem... E o que faremos?
- Envocaremos Ártika e Kennedy para atrairmos Tundra...
- O QUÊ!? - Exclamou Ylua. - Senhor Drew, isso é um absurdo! Nós combinamos que só usaríamos isso em casos de extrema urgência! Você sabe dos riscos, senhor Drew!
- Ahnnn... Riscos? - Serenna parecia confusa. Drew suspirou demoradamente e começou a explicar:
- Veja, Serenna: Uma Ninfa pode atrair a outra. Se permitirmos que Kennedy e Ártika escapem, você poderia ordenar que elas chamassem por Tundra. Porém, não podemos confiar em Kennedy... Acho que ninguém esqueçeu o que ela fez. E você ainda só domina a telepatia e a Transferência de Ferimentos, o que não são coisas tão úteis em uma batalha como essa. Seria necessário que você já conseguisse libertar sua aura de Anjo para lutar contra Tundra sem temer traições, mas você teria que estudar e praticar muito, e nós realmente não temos tempo para isso.
- Boom. - Disse Serenna, juntando as mãos. - Não vai ser a primeira vez que vou arriscar a minha vida, mas não custa nada eu treinar um pouquinho, né? - Ela piscou para os Anjos, Drew ficou boquiaberto com seu comportamento. Ylua disse:
- Mas Serenna, é arriscado demais! Já perdemos Frederick, e podemos perder você também! - Só então Serenna percebeu o quanto Ylua ainda sofria com a morte do Elfo. Serenna procurou tranquilizá-la:
- O que aconteceu com Frederick foi uma total covardia de alguém que não aceitava perder... Eu não vou deixar que minhas subordinadas se voltem contra mim enquanto estiverem em meu poder, não se preocupe.
Ylua a olhava incrédula, mas conseguiu sorrir após enxugar as poucas lágrimas do rosto e dizer que confiava em Serenna.
- Agora, se me dão licença, eu preciso voltar pro meu banho anter que meu cabelo endureça...
Equanto Serenna voltava ao banheiro, Drew segurava firmemente o colar incompleto contra o peito, pedindo ao Deus que há muito não via que os protegessem no momento que garantiria o destino de todos os mundos existentes.
- Eu já volto. - Disse Ylua, quebrando a concentração de Drew. Ela havia assumido sua verdadeira forma, exibindo belas azas azuladas e um cabelo cor de fogo vivo. - Preciso de ar.
- Onde você vai?
- Á praia... Desejo ver minha irmã.
"Serenitty...", pensava Drew. "Eu já esperava que Ylua fosse recorrer á compania da irmã nessa hora tão difícil".
- Muito bem, pode ir. - Disse Drew, sorrindo tristemente.
Ylua assentiu com a cabeça e levantou vôo, deixando o Anjo sozinho no quarto.
Porém, Ylua sobrevoou a praia, o mar e o túmulo de Serenitty. Ela mantinha um estranho sorriso no rosto, um sorriso maligno.
Ela foi o mais alto possível, até o topo de uma torre conhecida. A "Anjo" podia não ter muitas lembranças concretas sobre Ylua e seus amigos, mas sabia muito bem que ambos já haviam sidos prisioneiros na torre dos Elfos.
Ela entrou pela janela mais alta, dirigiu-se há um canto escuro do salão e ajoelhou-se em sinal de respeito.
- Tudo está indo como o planejado, Milady. - Pouco há pouco, seus cabelos ficaram longos e platinados, suas asas cresceram e se tornaram negras, suas vestes estavam um pouco rasgadas e em seu corpo haviam cicatrizes de inúmeras batalhas. Ela fitava o chão:
- Espero sinceramente que eu tenha pagado por meus crimes... Mestra Tundra.
O salão foi inundado por uma risada diabólica. Tanto Tundra quanto Harmonny ignoravam a presença de uma Anjo da Cura, amarrada, amordaçada e em estado de morte espiritual temporária.
Tundra estava pronta para atacar, e não faria isso sozinha.

enviada por ºMaah!º



05/02/2008 23:28

Capítulo 40

- Brilhante, senhor Drew. - Ironizou Ylua. - E, por curiosidade, como pretende destruir uma estrela?
- Eu ainda não sei. - Drew caminhava de um lado para o outro. - Mas, sem dúvida, é o que devemos fazer. Nada me tira da cabeça que se destruirmos Mortis, Tundra ficará mais vulnerável.
- E nada me tira da cabeça que está fácil demais descobrirmos tantas coisas. - Serenna levantava de sua cama. - Estamos indo bem demais, o único motivo para Tundra facilitar tanto para nós é uma armadilha. Na minha opinião, devemos continuar a observar a movimentação celeste e esperar Tundra dar as caras.
- Mas e se ela estiver ficando mais forte nesse exato momento? Quando apareçer, estará invencível! - Drew parecia preocupado. Serenna sorriu estranho, como se prevesse uma grande aventura, e disse:
- Então, Drew, será ainda mais divertido.
"Não há dúvidas, senhor Drew", depois de muito tempo, Ylua voltava a usar a telepatia. "Serenna está aprendendo rápido como permitir aos escolhidos do passado se comunicarem através de seu corpo".
"Sim. Ela está evoluindo rápido. Sua personalidade muda constantemente, Ylua. Significa que cada vez mais vidas passadas dela entram em contato... Os guerreiros antigos anceiam por novas batalhas".
- Bom, eu vou tomar um banho. - Disse Serenna, como se nada tivesse acontecido. Ela se digirou ao banheiro, assobiando e lá se trancou.
Drew e Ylua se entreolharam, orgulhosos de Serenna. Sem ter mais o que fazer, desceram até a cozinha. Serenna já havia dito que algo chamado pipoca era realmente muito bom, os Anjos decidiram que não faria mal se experimentassem.
Enquanto Ylua preparava o suco, Drew - com grande ajuda da mãe de Serenna - aprendia a usar dos aparatos mortais.
- No Templo das Sombras, isso seria muito mais fácil. - Disse Drew, metendo a mão em água gelada após queimar-se com a panela.
- No Templo das Sombras, nós não precisamos comer, senhor Drew. - Ylua ria. Ela, porém, tinha iguais dificuldades, apesar de sua tarefa ser muito mais fácil. Acabou por molhar metade da cozinha.
Os Anjos terminaram por serem expulsos da cozinha pela mãe de Serenna, que disse que levaria tudo para o quarto quando estivesse pronto. Sem ter mais o que fazer, eles subiram para ver TV.
Poucos segundo após ligarem o aparelho, Drew espancava a porta do banheiro:
- SERENNA, VOCÊ TEM QUE VER ISSO! SAI DAÍ AGORA!
Enrolada na toalha, Serenna destrancou a porta. Drew a puxou pelo pulso no mesmo instante. Sem entender nada, ela apenas sentou na cama e ouviu o que a TV tinha a dizer:
"Pesquisas confirmam a movimentação da estrela conhecida como Mortis. Todos os dias, ela se aproxima do Sol. Nenhum cientista soube explicar essa anomalia, mas isso preocupa a população científica cada vez mais".
- Essa não. - Serenna estava boquiaberta. - Tundra quer absorver o Sol...
- É possível? - Perguntou Ylua. - Quer dizer, pode uma única estrela absorver o Sol?
Drew abriu a janela rapidamente e, incrédulo, respondeu:
- Acredite... Para uma estrela gigante, é possível sim.
Serenna colocou um roupão por cima da toalha e, junto com Ylua, dirigiu-se até a janela.
De fato, Mortis já havia absorvido tantas estrelas menores que seu tamanho, vista da Terra, era semelhante ao tamanho de uma bola de basquete.
- A comunidade científica vai pirar... O mundo todo vai pirar... A gente tá frito. - Lamentava-se Serenna, boquiaberta.
- E a pior parte. - Disse Ylua. - É que o mundo todo pode ver o que Tundra está fazendo.
enviada por ºMaah!º



22/01/2008 12:26

Capítulo 39

Durante cinco noites, Drew, Ylua e Serenna revezavam-se em turnos para observarem Mortis, a "estrela devoradora de estrelas". Era um trabalho sério, mas entediante.
Eram quatro da manhã, Serenna olhava a estrela, Drew dormia e Ylua -por vontade própria- assistia á televisão, procurando qualquer sinal de Tundra em outras regiões.
- Nada. Tundra deve estar rindo muito da nossa cara, onde quer que esteja.
- Ou então, preparando algo para nos pegar de surpresa.
- Você acha que ela tem alguma coisa á ver com Mortis?
Serenna, que se apoiava em uma das mãos, entediada, arregalou os olhos. Em um segundo, ela estava em cima de Drew, gritando e sacudindo o Anjo para que ele acordasse:
- DREW! DREW! ACORDA! ACORDA LOGO, CARAMBA!
O Anjo, porém, estava desmaiado.
- Ele está cansado. - Concluiu Ylua.
- Que se dane. - Serenna pegou um jarro de água que ficava perto de sua cama e despejou todo seu conteúdo na cabeça de Drew, que acordou rapidamente:
- Tá loca? Serenna, eu te juro: da próxima vez que você me acordar desse jeito, eu fasso você engolir esse jarro!
- Você pode ser um Anjo, mas dorme feito um demônio. Preguiça é pecado, sabia?
- Ao contrário do que os humanos pensam, garota, os Anjos não são seres puros, muito menos... "Angelicais". Se nós nos importássemos em pecar, estaríamos extintos há milênios. Agora... Você me acordou para uma aula de Catequese?
- Não. - Respondeu Serenna, irritada. - Só pra avisar que Ylua é um gênio.
- É algum tipo de piada? - Ao ouvir esse comentário, Ylua fez uma careta para Drew, cruzou os braços e virou-se para o lado oposto ao Anjo. Serenna voltou a falar:
- Não Drew, é muito sério. Ylua disse uma coisa que pode nos ajudar á desvendar o mistério da Estrela Mortis, e nos levar á Tundra, ao mesmo tempo.
Ao ouvir isso, o rosto de Drew se iluminou. Ele estava incrédulo:
- E... O que foi que ela disse?
- Ela perguntou se Tundra não seria a culpada pela Mortis. Pensa bem: Mortis = Morte, e Tundra é "Aquela que domina a Morte"...
Ylua voltou-se para Drew e completou:
- Enquanto Tundra mata tudo o que tem vida na Terra, Mortis mata tudo o que brilha no céu.
- E enquanto Mortis aumenta a cada estrela que absorve... - Drew começava a raciocinar.
- Tundra fica mais forte a cada vida que tira! - Disseram os três, juntos.
- Nós ainda não temos certeza de nada, por mais que pareça óbvio. Mesmo assim, temos que tomar cuidado, pois Mortis pode ser a fonte de energia de Tundra. Quando Mortis já tiver absorvido estrelas o suficiente para tornar Tundra cada vez mais poderosa, ela atacará. - Drew dizia, sério. - Então, se quisermos destruir Tundra, antes que seja tarde... Teremos que destruir a Estrela que Mata Estrelas.
enviada por ºMaah!º



14/01/2008 15:08

Capítulo38

Por algum motivo, Tundra não se revelava. Eles não tinham nada para fazer, não tinham o equipamento necessário para treinar, a anciedade era insuportável.
- Tundra está se divertindo ás nossas custas... - Lamentou-se Ylua.
- Então ela está se divertindo muito! - Serenna estava esparramada em sua cama atirando uma bolinha contra o teto. Ela atiroou a bolinha para Drew, e este atirou para Ylua e, assim, eles deram início á um jeito idiota de passar o tempo.
- Ainda acho que deveríamos dar atenção ás estrelas de Sakuya... É muito incomum podermos vê-las daqui. Pode estar acontecendo alguma coisa... - Disse Drew, jogando a bolinha de volta para Ylua.
- Pois eu aposto essa bolinha que não era nada demais. - Brincou Serenna. Os três riram e, em seguida, o silêncio voltou a se instalar no quarto.
- Eeei! - Exclamou Ylua, seus olhos brilhavam e ela mantinha um sorriso que não cabia em seu rosto. - Eu tive uma idéia! E se, na verdade, Tundra já está acordada, mas não está por perto? Podemos usar aquilo para ver se não há vestígios de Tundra em algum lugar longe daqui! - Ela apontava para a televisão.
- Boa idéia! - Drew pulou cama, travesseiros e colchões revirados até chegar ao controle remoto.
- Onde liga esse troço? - Ele perguntou, apertando o potão de volume.
- Aah, me dá aqui. - Serenna tomou o controle das mãos do Anjo e ligou a tv.
Novelas, filmes mal dublados, um documentário sobre a vida das serpentes, uma reportagem sobre constelações e...
- Espera! Volta no canal 63! - Drew exclamou.
- Tá legal, mas... - Assim que mudou o canal, Serenna entendeu. Era uma reportagem sobre duas estrelas novas no céu.
"De cores exóticas, não sabemos como deixamos passar estrelas tão próximas da Lua"- diziam os astrônomos entrevistados- "Também precisamos rever o tamanho da estrela recentemente batizada de Mortis, que aparenta ser pouco maior do que o dito anteriormente".
- Viram? Eu disse! - Drew mantinha uma expressão preocupada.
- Guenta aí que eu não sei onde a bolinha caiu... - Serenna revirava o quarto procurando a bolinha que perdera na aposta. - Mas eu ainda acho que não deve ser nada muito sério...
- Quer apostar mais alguma coisa? Já vimos que o seu palpite não foi muito bom na última aposta. - Drew mantinha os olhos na TV.
- É... Você tem razão... Mas e essa história da Mortis estar aumentando de tamanho? E que raio de nome é esse?
- Acho que é "morte" em Latin... - Disse Drew.
- E depois. - Ylua também parecia preocupada. - Não é um nome muito adequado para uma estrela, a não ser que ela tenha dado motivos para ser batizada assim... Estrelas não deveriam crescer ou engordar...
- Mortis... A "Estrela Negra de Brilho Branco"... "Aquela que mata estrelas... - Serenna parecia ter entrado em transe repentido.
- Como disse? - Drew aproximou-se, tão curioso quanto Ylua, que a olhava com interesse.
- Ãhn... O quê? Eu disse alguma coisa? - Serenna voltava ao normal aos poucos. Ela riu, confusa. - Eu... Eu não me lembro de ter dito droga nenhuma.
- Acho que já temos o que fazer. Devemos aproveitar enquanto Tundra não acorda para estudarmos o que está havendo com essa tal de Mortis... - Drew aumentou o volume da TV.
Ninguém mais poderia reclamar de estar entediado daqui para frente.
enviada por ºMaah!º



14/01/2008 01:09

Capítulo 37

O irmão de Serenna ainda estava viajando, mesmo assim, Drew não quis ocupar o quarto do rapaz sob a desculpa de "estar perto caso algo sério acontecesse". Eles improvisaram duas camas no quarto de Serenna e ficaram em silêncio por minutos incontáveis, apenas esperando os pais de Serenna irem dormir.
Algum tempo depois, todas as luzes da casa foram apagadas e a porta do quarto do casal foi fechada. Imediatamente, Drew correu até o interruptor e acendeu a luz:
- Foi horrível... Não me deixe esqueçer, Ylua: eu nunca mais vou me apresentar para outro humano!
- Está anotado, Senhor Drew. - Disse Ylua, quase mecanicamente. Serenna a olhou assustada, mas relaxou quando a Anjo começou a rir:
- Estou brincando, senhor Drew. Ora, não foi tão ruim assim, é que nós tínhamos muitas coisas para contar... A nossa história na Terra é realmente muito confusa.
- Uma grande história recheada por histórias menores... - Suspirou Serenna. Drew completou:
- E ainda há muitas histórias para serem descobertas... Mesmo assim, não vai ficar tão confuso, contanto que nos lembremos das histórias do começo de nossa "aventura" na Terra.
Novamente, o silêncio. Entre um suspiro e outro, Serenna apostou tudo num comentário impensado:
- Queria que Tundra já tivesse aparecido...
- O QUÊ?! - Respondeu Drew, assustado. Ylua fitava a garota incrédula:
- Serenna, por favor, o que está dizendo? Kennedy já nos deu trabalho além da conta, não acha que merecemos uma folga?
- Não. - Serenna respondia normalmente, como se o assunto da discussão fosse o tempo que faria no dia seguinte.
- Não. - Ela repetiu. - Eu não quero descançar para ser pega de surpresa. Sinceramente, eu queria que Tundra se revelasse, para que, em seguida, usando o poder do Colar Das Ninfas, nós invadíssemos o castelo daqueles malditos Elfos, lutássemos contra Harmonny e os Anjos traidores e acabássemos com toda essa... Essa... Bah, esqueçe.
Ylua olhava Drew esperando uma reação. Este apenas suspirou e olhou para Serenna como quem olha uma criança:
- Sabe. - Ele sentou-se ao seu lado. - Ás vezes eu também queria que a Ninfa da Morte já tivesse se revelado... É que... Nós já passamos por tanta coisa, e coisas maiores estão vindo. Poxa, pra quê parar quando já temos meio caminho andado? Pra quê ficarmos nos remoendo de anciedade? Aqueles malditos Espíritos do Tempo...
- Espíritos do Tempo? - Perguntou Serenna, curiosa.
- Você ainda não conhece nada do mundo além do seu mundo, não sabe de nada. - Disse Ylua. - Eu também quero que isso tudo acabe para levá-la ao Templo das Sombras, lá tem uma biblioteca incrível! Você aprenderia tudo o que precisa. Você treinaria na Academia Celestial, aperfeiçoaria seus poderes, seria fantástico!
- Ylua adora o Templo das Sombras. - Sussurrou Drew. Em resposta, recebeu um travesseiro de plumas na cara.
- Muito bem, vou entender isso como uma promessa dos dois! - Disse Serenna, animada. - Assim que essa história acabar, eu vou com vocês para o Templo das Sombras! Vai ser divertido como mudar de escola!
- Olha o que você fez, Ylua. - Drew ria. - Muito bem Serenna, você volta conosco. Contanto que não destrua nada... Se alguma coisa acontecer, a culpa vai ser minha...
- Se vai ser sua então eu não tenho que me preocupar. - Disse Serenna. - Eu posso tocar fogo no dormitório e não vai ser problema meu...
- Faça isso e eu te derrubo da torre mais alta do Templo sua... Humana. - Respondeu Drew, atirando o travesseiro em Serenna.
- Você tem alguma coisa contra os humanos? - Perguntou Serenna, com um olhar sarcástico. - Meu querido e puro "Anjinho", algum dia eu ainda te levo em uma praça que tem aqui perto. De noite deve ter pelo menos uns duzentos humanos por lá e a música é muuuuuuuuito alta.
- Eu dispenso. - Drew riu.
- Eu quero ir, nunca ouvi música humana alta. - Disse Ylua, animada.
As duas começaram a conversar sobre a tal praça e sobre um plano meticuloso para arrastar o Drew até lá. Enquanto isso, o Anjo se pendurava na janela, observando as constelações.
- Drew, cuidado. Você pode cair. - Disse Serenna. Drew não deu atenção. Ele mantinha a cabeça erguida, os olhos bem abertos:
- Ylua... Venha cá.
- O que foi, senhor Drew?
- Aquelas estrelas... A azul e a avermelhada, logo ao lado da Lua... Elas deveriam estar ali?
- Estrelas naquele tom deveriam existir apenas nos céus de Sakuya, senhor...
- E o que elas estão fazendo aqui?
- Não sei... Mas coisa boa não é.
- O que houve? O céu está caindo? - Perguntou Serenna, apoiando a cabeça no ombro de Drew.
- Não, ainda não. - O Anjo respondeu. - Mas há uma mudança impossível na posição de duas estrelas de outro mundo... Não deveria ser possível vê-las da Terra...
- Ah, esqueçe isso... Deve ser alguma alucinação. Já está tarde e estamos cansados. Venham, vamos dormir. - Serenna fechou as cortinas e apagou a luz.
Nenhum deles viu quando as estrelas começaram a caminhar pelo céu em direção há uma outra estrela e, em seguida, desapareceram.
enviada por ºMaah!º



19/12/2007 12:38

Capítulo 36

Quando os pais de Serenna acordaram, ninguém sabia como explicar tudo o que tinha para ser explicado. Os pais de Serenna estavam aterrorizados:
- Serenna, querida! Onde esteve? Por onde você andou por todos esses dias? - Perguntava a mãe da jovem. Serenna olhou para Drew, implorando por socorro.
- Não era pra eles esqueçerem de tudo? - Ela murmurava ao Anjo.
- Eu também achei que era, mas essa droga de invocação do esquecimento detona com os nossos poderes! Esse feitiço é sanguessuga! - Ele murmurava em resposta. - De qualquer forma, é bom começar a explicar antes que eles desmaiem de novo.
- Deixa que eu explico! - Disse Ylua. Ela ficou frente á frente com os pais de Serenna, fechou os olhos, respirou fundo e disse, assumindo sua forma original:
- Por favor, não se assustem. - Todo o corpo de Ylua brilhou azul claro. Seu cabelo assumiu o tom de fogo vivo, seus olhos assumiram o tom azul claro, assim como as delicadas asas que surgiam de suas costas.
Drew, suspirando, também se transformou. Seus olhos se tornaram amarelados, seu cabelo branco, assim como as majestosas asas de suas costas. Serenna olhava os Anjos com admiração, fazia algum tempo que ela não os via em sua forma original.
Os pais de Serenna não os viram assim que suas asas surgiram. Apenas Serenna podia vê-los, mesmo assim, o casal estava maravilhado. Eles nunca foram lá muito religiosos, mas a visão de dois Anjos - amigos de sua filha - era simplesmente incrível.
- Mamãe, papai... - Dizia Serenna. - Esse é Drew, um Anjo de Batalha, e essa é Ylua, uma Anjo de Cura... Nós temos muitas coisas para explicar.
As explicações começaram antes do pôr-do-sol e terminaram na alta madrugada. Serenna falou tudo o que sabia: o poder das invocações, o controle dos elementos, as Guerras Celestias, o Templo das Sombras, etc.
Ela também descobriu coisas novas sobre as "Estrelas Sagradas", as estrelas protetoras de cada Anjo. Ela descobriu que que Nibelumbo, a estrela de Drew, era, na verdade, um reino dominado por seres desconhecidos. Kalpha, a sua própria estrela, era, na verdade, um vulcão celestial, uma fonte de poder inimaginável. Descobriu também que a Estrela Sagrada de Ylua chamava-se Kiva, e era uma das poucas Estrelas inesploradas pelos Anjos.
Os Anjos e Serenna exitaram quando começaram a falar dos Elfos. Era impossível falar na raça sem falar de Frederick... De repente, a saudades do Elfo os invadiu, por isso, Serenna encerrou o assunto:
- Se não se importam, foi um dia longo, nós vamos dormir...
Ainda havia muito o que contar, muito para descobrir. Naquele momento, porém, não parecia haver mais nada.
enviada por ºMaah!º



07/12/2007 18:36

Capítulo 35

Por quanto tempo os três jovens estariam parados em frente aquela casa? Horas? Minutos? Segundos? Por quê estavam tão paralisados? O que os aguardava depois daquela porta branca? Eram essas as perguntas que ecoavam nas mentes de Serenna, Drew e Ylua.
Nenhum dos três se atrevia á abrir a porta, Serenna suava frio.
- Tem certeza que quer fazer isso? - Perguntou Drew, colocando a mão em seu ombro.
- Sim. - Foi a resposta.
O vento soprava delicadamente, as folhas dançavam ao redor dos Anjos. Serenna engoliu em seco, sua mão tremia. Ela fechou os olhos por um momento, suspirou e exclamou com ar irritado:
- Mas que droga! Parece até que eu fiz alguma coisa muito errada!
- E não fez?... Ai! - Sussurrou Ylua, recebendo uma cotovelada de Drew logo em seguida, este sussurrou em resposta:
- Ylua, minha queria... Quer calar a boca?
- Como quiser, senhor Drew. - Ylua respondeu, vermelha.
"Senhor Drew", fazia tempo que Ylua não o chamava assim. Por um momento, ele se lembrou do Templo das Sombras... Quase esquecera seu lar. Será que Ylua também pensava em sua casa? Ou já teria esquecido o lugar em que vivera e recebera seu treinamento?
Serenna respirou fundo e tocou a campainha. Os instantes de espera antes que alguém atendesse á porta foram intermináveis.
Finalmente, a porta foi destrancada. Os três prenderam a respiração, estavam nervosos. Sorridente, a mãe de Serenna abriu a porta:
- Sim? Em que posso ajudar?
Um rápido movimento de mãos, palavras incompreensíveis murmuradas, o vento invadindo a casa, levando folhas das árvores próximas com ele. Toda a casa estava envolta em um tornado de vento e luz.
Em pouco tempo, tudo voltou ao normal. Tanto a mãe como o pai de Serenna caíram inconscientes no chão, isso era previsível.
- E nós estávamos com medo de tocar a campainha... - Suspirou Serenna, colocando as mãos atrás da cabeça e analisando a casa. Nada havia mudado.
Drew colocou os dois no sofá enquanto Ylua esquentava água para preparar um chá. Enquanto isso, Serenna analisava cada centímetro da casa, subitamente, todas as suas lembranças voltavam como um filme, passeando livremente por seus olhos. Ela sorria, crescera naquele lugar e, depois de tantos perigos, estava de volta.
enviada por ºMaah!º



14/11/2007 20:08

Capítulo 34

Os minutos pareciam simplesmente não passar, através de seus braços, Serenna podia medir todo o sofrimento do Anjo. Era difícil de acreditar que o passado de um dos maiores guerreros das Guerras Celestiais pudesse ter sido tão cruel e implacável... E era exatamente por isso que Drew era um dos melhores guerreiros.
Ylua soltou um longo bocejo, Serenna e Drew apressaram-se em distanciar-se um do outro e a agir como se nada tivesse acontecido: Drew fingia que acabara de acordar e se espreguiçava, enquanto Serenna voltava a fitar a janela.
- Boooom dia! - Exclamava uma Ylua completamente renovada. - Que noite maravilhosa, não?
- Bom dia... Sim, sim, a noite foi perfeita. Drew notou que Ylua não parecia acreditar em sua afirmação e o olhava com desconfiança.
- Bom dia! - O sorriso de Serenna estava radiante, como sempre.
- Então, quais são os planos para hoje? - Perguntou Ylua, virando-se para Drew. A Anjo parecia ter se esqueçido completamente de sua desconfiança de momentos atrás.
- Irmos ao castelo dos Elfos. - A resposta de Drew foi imediata, e ele falara aquilo com tanta naturalidade! Serenna e Ylua responderam em coro:
- O QUÊ?!
Drew sorriu lindamente, colocando as mãos atrás da cabeça:
- Ora, vocês queriam um plano, não é? Essa foi a primeira coisa que me veio em mente.
Após a conversa com Serenna, Drew parecia mais leve, relaxado, como se todo o seu medo tivesse se esvaído momentaneamente.
- Na verdade, eu... - Dizia Serenna, timidamente. - Eu queria ver meus pais...
Dessa vez, fora a vez de Drew mostrar-se surpreso. Ylua logo assentiu, dizendo que uma visita á família seria muito mais seguro e divertido. Serenna voltou a dizer:
- Não me leve a mal, Drew... Mas eu não etou me sentindo nada bem com o que eu fiz... Foi errado fazê-los esqueçer que tinham uma filha, eu adoraria que eles pudessem se lembrar de tudo novamente.
Drew assentiu com a cabeça.
- Certo, eu respeito isso, Serenna. - Novamente, o Anjo sorria. - Podemos, ao menos, tomarmos café antes? Os corpos mortais são muito frágeis... Sinto fome a cada meia hora!
Serenna riu e concordou, ela também estava faminta, assim como Ylua que, assim como uma criança, vibrara ao deparar-se com a mesa do café da manhã, situada no andar de baixo.
Eles comeram demoradamente, apreciando cada bocado de comida que colocavam na boca. Depois de tantos acontecimentos desagradáveis, todos chegaram a pensar que nunca mais sentiriam o gosto de uma fruta saborosa na boca. A mesa estava repleta de diversas frutas, delicadamente cortadas e colocadas sobre a mesa como alimento e enfeites ao mesmo tempo. Drew gostava de maçãs, Ylua de uvas e Serenna, por sua vez, preferia as jabuticabas, sempre doces.
A praia já estava cheia de gente quando eles deixaram a pousada para sempre. Serenna comunicara aos amigos de que contaria apenas o nescessário para os pais e tentaria convencê-los á deixarem Drew e Ylua ficarem em sua casa.
Drew acompanhava Serenna de perto, seguidos pela saltitante Ylua, eles conversavam animadamente. Tinham decidido antes de saírem que, dentro de três dias, se Tundra não se revelasse, eles iriam até o Castelo dos Elfos enfrentar Harmonny e os Anjos traidores e tentar por um fim na guerra que podera ter início na mais turbulenta das eras.
enviada por ºMaah!º



20/10/2007 14:48

Capítulo 33

A lua já brilhava alta no céu estrelado. Drew dormia perto da porta, encostado na parede. Ylua também estava lá, - a pedido de Drew, naquele momento, o que eles menos precisavam era de mais uma discussão entre o Anjo e Serenna - ela também adormecera no chão, encontada ao pé da cama.
Serenna era a única que estava acordada, ela olhava o mar atentamente, tinha a impressão de conseguir ver as cúpulas com os corpos de Serenitty e Frederick debaixo d'água, refletindo o brilho da lua.
Ela havia ficado tempo demais sem enxergar, não queria perder nem mais um instante do que acontecia ao seu redor.
A xícara de chá em sua mão fumegava. Lá fora, tudo era mergulhado em um silêncio profundo, porém, dentro de Serenna, tudo era envolto em um confuso turbilhão.
Ela olhou para Drew. O Anjo dormia profundamente, ela ouvia sua respiração.
"Tantos mistérios, tantos segredos...", pensava Serenna. Realmente, haviam muitos mistérios em Drew. Seu passado, seu presente... Sua vida.
Ela respirou fundo e voltou a olhar para fora da janela, tomando pequenos goles de chá.
E assim permaneceu até que os Anjos acordassem.
- Acordou cedo... - Murmurava Drew, ás sete da manhã do dia seguinte.
- Não dormi... Não consegui. - Serenna respondia. Ela engolia em seco constantemente, estava nervosa. Ainda mantinha a xícara vazia na mão. Ela queria conversar com ele, porém não tinha coragem, não sabia se era a hora certa.
- Você está bem? - Perguntou Drew. Serenna fem que sim com a cabeça. O Anjo voltou a falar:
- Pois não pareçe.
- Nós precisamos conversar. - Disse Serenna, de impulso. Vendo que não tinha como voltar atrás, continuou a dizer:
- Você é frio demais Drew, e não me dá o direito de saber por quê! Você pouco se importou com a morte de Frederick, agiu como se não fosse algo importante! Nós sempre acabamos discutindo, é claro! Ou você quer que eu aceite essa sua frieza sem saber o motivo? Por quê você faz isso conosco?
O Anjo ouviu tudo pacientemente. Por mais orgulhoso que pudesse ser, não tirava a razão de Serenna. Ele devia a ela uma explicação:
- Eu não me orgulho de ser assim... Acredite Serenna, se eu pudesse escolher outra forma de agir, eu seria completamente diferente! - O Anjo assumiu um tom de arrependimento - Mas não dá. Eu adoraria poder contar-lhe abertamente tudo o que aconteceu comigo, o motivo de eu ser assim mas... Sempre que eu tento, eu acabo desistindo, pois eu sei que meu passado poderia colocar você e Ylua em risco. E perdê-las é tudo o que eu menos quero.
Serenna parecia não compreender. É verdade, em outras ocasiões, Drew aparentava querer lhe contar sua história, mas nunca contava. Talvez agora fosse diferente. Drew engoliu várias vezes e voltou a falar:
- Os Anjos não podem se orgulhar de ter uma família. Nós simplesmente existimos, somos forjados por energias superiores, assim como todo o Universo. Porém... Nem todos são forjados por energias boas... Quando eu passei a existir, não me deram um nome, simplesmente me mandaram destruir tudo ao meu redor. Eu fui criado por energia negativa. Fui criado para destruir. Eu não sei quem me criou, nem como tudo aconteceu. Fui eu quem escolheu meu nome, pois ninguém se importava se eu tinha ou não uma identidade.
Na primeira Guerra Celestial, chamavam-me apenas de "Anjo", ou então, quando eu não estava presente, referiam-se á mim como "Arma". Quando não estávamos em guerra, eu era mantido preso em um quarto espaçoso. Neste quarto, havia apenas uma janela pequena, que ficava no alto, naquela época, eu mal sabia usar as asas, não se importaram em me ensinar.
Com muito esforço, apredi a voar, quebrando as pontas das asas várias vezes. Depois de um tempo, já era capaz de voar pelo quarto e ver como era a vida lá fora, quando não havia guerra. Com o tempo, minhas asas (inicialmente cinzas), tornaram-se brancas como são hoje, porém ninguém notou, ninguém notava sequer a minha existência. Notaram apenas quando eu fugi.
Tornei-me um traidor. Cometi inúmeros crimes, apenas nesse ato. Para os Anjos, os pecados são considerados crimes e os criminosos são cruelmente castigados, porém, eu nunca fui acusado por meus pecados, pois, como um anjo forjado por energia negativa, tinha poderes que os outros Anjos não tinham.
Hoje, a energia negativa que me dominava é pequena mas, por mais que eu tente, não consigo controlá-la. É por isso que eu oculto minhas emoções, eu mesmo me proibi de lamentar a morte de alguém ou festejar algo bom. Se eu demonstrar minhas emoções, nada vai me impedir de demonstrar meu ódio também e... Se isso acontecer... Eu jamais me perdoaria.
Serenna estava perplexa. Drew a olhava com o olhar de quem sofre muito por dentro, mesmo assim tentava parecer forte, indiferente. Sem dizer qualquer palavra, Serenna o abraçou.

enviada por ºMaah!º



23/09/2007 17:13

Capítulo 32

O enterro de Frederick foi ao anoitecer. Assim como foi com Serenitty, uma cúpula de cristal com o corpo de Frederick foi jogada na água.
- O mar oferece uma paz infinita para as almas... Os Anjos Anciões sempre disseram que se uma alma encontrasse o mar... Ela encontraria a paz... - Murmurava Ylua. Drew fez uma cara de desgosto ao ouvir o nome dos Anjos Anciões.
Descalça, Serenna caminhou até o mar razo, ajoelhou-se e rezou. As lágrimas quentes percorriam seu rosto intensamente. O sangue de seus ferimentos misturava-se com a água salgada.
"Já passamos por tanta coisa juntos.", pensava Serenna. "Libertamos Frederick, lhe devolvemos a visão... Tivemos brigas e ele sempre foi o único que procurava manter a calma. Ele só demonstrou sentir ódio uma única vez, e foi quando Kennedy o chamou de bastardo. Apesar de tudo, nós sabemos muito pouco sobre ele. Não é justo que ele tenha morrido tão cedo..."
- Esse oceano já virou nosso cemitério particular... - Murmurava Drew. Mesmo que não demonstrasse, o Anjo tinha raiva de si mesmo por não sentir-se capaz de chorar ou de sentir tamanha tristeza perante a morte de um aliado.
Ylua fitou Drew, desaprovando-o. O Anjo suspirou:
- As Guerras Celestiais são muito cruéis... Após duas ou três guerras, a morte é um acontecimento rotineiro. Eu sinto muito por tudo o que aconteceu, mas fui treinado para não sentir nada perante a morte de um amigo... Eu só sei agir assim...
- É uma pena que você não tenha sentimentos... - Murmurou Serenna, levantando-se.
Drew manteve-se em silêncio, ambos queriam apenas ter um pouco de paz. Lentamente eles começaram a caminhar de volta á pousada.
- O que faremos de agora em diante? - Perguntou Ylua. Drew respondeu:
- Voltaremos para o Castelo dos Elfos e tentaremos terminar com isso de uma vez por todas.
- E quando Tundra se revelar?
- Tentaremos não morrer...
Serenna caminhava á frente, pensativa e insegura:
"Sob o efeito da magia de Kennedy, nós discutímos muito. Nos ferimos, nos ofendemos. E agora, por causa dela, perdemos um grande amigo e um aliado... Eu só espero que consigamos nos recuperar de tudo isso em breve..."
enviada por ºMaah!º



22/09/2007 23:44

Capítulo 31

Ártika sofria com os violentos golpes de Kennedy, assim como Serenna que ficava cada vez mais fraca.
- Serenna, fuja daqui! Leve o corpo de Frederick para junto dos outros! - Gritou Ártika. Abraçada ao Elfo, Serenna assentiu e o arrastou para fora do quarto, com grande dificuldade para se desviar dos golpes que destruíam o aposento.
Apesar da guerra do quarto em frente, a paz reinava no quarto da jovem. Drew e Ylua permaneciam inconscientes. Com cuidado, Serenna depositou o corpo de Drew ao lado dos Anjos e, como se estivesse em transe, murmurou:
- Eu preciso de vocês...
Serenna depositou as mãos delicadamente no peito de Drew, imediatamente elas começaram a brilhar azuladas. Ela precionava o peito do Anjo cada vez mais.
"Abra os olhos... Anjo teimoso!", ela pensava enquanto descarregava sua energia no peito de Drew. Finalmente, Drew abriu os olhos, respirando com dificuldade.
- Serenna?! - Ele balbuciava, ofegante.
- Quieto. - Ela respondeu enquanto fazia o mesmo com Ylua.
- O que está fazendo aqui? O que houve? E Kennedy?
- Quieto. - As mãos da jovem voltavam a brilhar.
Serenna chorava. Se ela era realmente a mortal da profecia, se tinha tantos poderes assim, por que ela não conseguia terminar tudo de uma vez? Devolver a vida á Frederick, derrotar Kennedy, fazer tudo voltar ao normal?
Ylua abriu os olhos assustada. Estava a ponto de fazer as mesmas perguntas, mas foi calada com um gesto de mãos de Drew. O Anjo fitava Serenna preocupado. Com dificuldade para manter-se em pé, Drew cambaleou até ela e a abraçou, murmurando:
- A solidão pode ser muito cruel...
Sem pensar duas vezes, a garota o abraçou com força, soluçando:
- Eu me sinto tão fraca. Tão... Tão inútil! Apesar de tudo eu... Eu não consegui impedir... Eu não consegui fazer nada! Ele tá morto Drew... Ele tá morto e é tudo culpa minha! Eu podia ter feito alguma coisa pra impedir... Mas eu tive medo! Medo por mim, medo por ele... E agora... AGORA ELE TÁ MORTO!
Drew segurava a cabeça de Serenna com firmesa para junto de si, impedindo-a de olhar para Frederick. Ele procurava fazer o mesmo.
- Apesar de tudo... Ele foi um bom amigo... - Drew sentia-se desconfortável. Ele nunca fora muito sentimental, os sentimentos eram a chave da derrota nas Guerras Celestiais. Era a primeira vez que ele sentia a perda de alguém.
- Ártika está lutando contra Kennedy no quarto de Frederick... Ela pediu para que eu não interferisse na batalha...
- Mesmo assim nós podemos assistir. - Comentou Ylua.
Eles foram. Tudo estava destruído no quarto de Frederick, as duas Ninfas continuavam lutando bravamente, apesar de estarem ambas muito feridas.
- Eu disse que essa luta era minha. - Resmungava Ártika.
- Não pretendemos interferir. - Respondeu Ylua, impaciente.
Kennedy pareceu paralizada ao ver que os Anjos haviam recuperado a energia e que todos - com excessão de Frederick - estavam juntos novamente. Aproveitando a distração da oponente, Ártika aplicou-lhe um violento golpe, derrubando-a:
- A solidão jamais vence a amizade e isso te incomoda muito. Você se torna fraca e distraída... Virou uma presa fácil.
Ártika desferia com violência uma sequência interminável de golpes na irmã, o ódio estava estampado em seu olhar gélido.
- Essa batalha está prestes á terminar. - Respondeu Kennedy, investindo seu báculo contra Ártika, que lançava, ao mesmo tempo, uma rajada esbranquiçada contra Kennedy.
Uma explosão cegante e gritos, seguidos por uma cortina de fumaça.
Serenna, Drew e Ylua apertaram os olhos enquanto a fumaça se dissipava. Tudo o que eles puderam ver foi Kennedy tombando no chão, seguida por Ártika, ambas sem força.
- Malditos... Bastardos... - Murmurava Kennedy que, lentamente, desfazia-se em um milhão de pontos. O mesmo acontecia com Ártika, que sorria satisfeita. Ambas retornavam para o colar que, naquele momento, adquiria a segunda das três peças.
Serenna suspirou aliviada. Finalmente eles teriam paz. Em silêncio, os três se abraçaram e ficaram lá abraçados, encolhidos no canto do quarto, em silêncio...
enviada por ºMaah!º



15/09/2007 19:37

Capítulo 30

O grito de ódio de Serenna ecoou pelo quarto, dando imenso prazer á Kennedy.
A jovem ergueu-se cambaleante, seus olhos sem cor inundados pelo ódio.
- Demônio maldito... - Ela dizia cerrando os dentes.
- Você está sozinha agora, queridinha... E assim como esse Elfo bastardo, você vai morrer.
- Frederick não está morto... - Serenna continuava a dizer. - E eu nunca vou estar sozinha.
Ártika andava calmamente até ficar ao lado da jovem. Sua expressão continuava vazia, tranquila. A Ninfa dizia normalmente:
- Você fez de sua solidão uma grande força, assim como sua frieza. Porém, minha irmã, sem que você se desse conta, sua maior força tornou-se também sua maior fraqueza. Você nunca foi nossa irmã, sempre estava sozinha, vivendo de solidão. Alguém como você jamais entenderia a força dessa mortal. A força dela vem do sentimento que ela nutre por seus amigos... É algo que você jamais conseguirá derrotar.
Kennedy pouco ligou para o que sua irmã dizia. Seu ódio por Ártika aumentava cada vez mais. Novamente, a bola de luz de seu báculo voltava a enegreçer-se. Kennedy murmurava:
- Você está certa... Nós nunca fomos irmãs...
Outro lampejo atravessava o quarto em direção á Ártika, que o aguardava em posição de ataque.
Serenna tinha dificuldades para manter-se em pé. Sua energia vital ainda estava sendo drenada por Kennedy, porém a jovem pode ouvir o disparo que ia contra Ártika e, por impulso, jogou-se na frente do disparo, recebendo-o diretamente.
Enquanto Kennedy fitava a mortal horrorizada, Ártika não parecia surpresa.
Serenna mantinha-se suspensa em pleno ar, contorcendo-se de dor enquanto o golpe de Kennedy contornava seu corpo.
Por um momento, Kennedy sorria satisfeita, certa de que seu golpe tiraria a vida de Serenna, porém, a Ninfa estava errada e Ártika sabia disso.
Pouco a pouco a energia negra que cercava Serenna ia desaparecendo, como se a mortal a absorvesse. Serenna tocou o chão lentamente, fitando Kennedy em seguida.
A Ninfa mostrou-se horrorizada. Os olhos de Serenna haviam recuperado a cor, porém estavam muito mais escuros do que o normal. Com o ódio estampado em seu rosto, Serenna dizia:
- Vocês fazem parte de mim...
Isso fora o suficiente para que Kennedy compreendesse que seus ataques não surtiriam efeito na garota, que avançava com grande agilidade. Porém, o grito de Ártika obrigou a jovem a parar:
- Espere Serenna!
A jovem parou bruscamente, voltando-se para Ártika em seguida. A Ninfa voltou a falar:
- Assim como fez comigo, você absorveu uma boa quantidade da energia de Kennedy, o que lhe devolveu a visão. Porém, eu tenho algumas coisas a acertar com minha irmã... Essa luta é minha.
- Eu respeito isso. - Respondeu Serenna.
As duas Ninfas avançaram em batalha com grande violência. Serenna correu para proteger o corpo inerte de Frederick perante uma chuva de golpes violentos. Ela agora podia ver a palidez no rosto sereno do Elfo. Ela não podia aceitar sua morte.
enviada por ºMaah!º



01/09/2007 00:24

Capítulo 29

Um lampejo enegrecido cortava o quarto, atingindo diretamente o peito do Elfo. Tamanha era a energia maligna de Kennedy, logo, Serenna foi ao chão, completamente sem forças.
Frederick gritava. A voz agonizante do Elfo perfurava completamente a mente de Serenna. A luz negra o conssumia lentamente. Serenna apalpava o chão e os móveis a procura de algo para distrair Kennedy, porém a Ninfa fora mais rápida e, apenas com um movimento de mãos, atirou a garota contra a parede.
Ártika olhava a irmã, paralizada. Ao assistir o violento golpe que Serenna sofrera, gritou:
- Vamos logo, mortal incompetente! Se é mesmo quem diz, levante-se e mostre-nos seu sangue imortal! Você pode estar cega, mas ainda tem os outros sentidos!
Sem deixar de torturar o Elfo que agonizava, Kennedy voltou-se para Ártika e Serenna que se levantava com grande dificuldade. Sua blusa estava manchada de sangue e a dor era intensa demais para permanecer de pé, mesmo assim, Serenna não fraquejava. Kennedy fez uma cara de ódio misturada ao nojo ao ver a irmã e disse:
- Ártika... Sua desgraçada... Sempre nos traindo com esses mestiçinhos malditos. O sangue impuro combina com você.
"Mestiços...", pensava Serenna. "Ela chamou Frederick de mestiço... O que está havendo aqui?".
Ártika apenas ouvia os insultos de sua irmã. Não respondia, por maior que fosse seu ódio. A ninfa simplesmente mantinha um sorriso no rosto, ela parecia ter algo em mente.
Silêncio. Para o desespero de Serenna, Frederick aparentava ter perdido a consciência. Insatisfeita, com o dobro da força do golpe que dera em Serenna, Kennedy o jogou violentamente contra a parede que logo foi tingida por uma ampla faixa de sangue.
"Se...Renna", a voz de Frederick ecoava na mente da jovem. "So...Li...Dã... So... Soli...dão".
De repente, o tempo pareçeu parar. O corpo do jovem Elfo adquirira uma palidez absurda, chegando a ficar semi transparente. Kennedy aproximava-se e, elevando uma de suas mãos, fez uma luz azulada deixar o corpo inerte de Frederick.
Kennedy arregalou os olhos avermelhados, contemplando a aura do Elfo:
- Essa cor... É extremamente pura! Não... Não há um pecado sequer!? Como pode existir alguém que nunca pecou na vida? Um imortal de sangue impuro... Incapaz de cometer qualquer pecado?! Alguém que já matou, que liderou guerras... Ele... ELE FOI PERDOADO?!
A ira tomou conta da Ninfa. Kennedy gritava e destruia tudo em seu caminho, amaldiçoando Frederick por possuir uma alma pura. Enquanto isso, Serenna cambaleava com imensa dor em auxílio do Elfo, tentando reanimá-lo de inúmeras formas. Ao notar as tetativas desesperadas da garota, Kennedy cerrou o punho, despedaçando a alma de Frederick.
- A morte de uma alma... Mesmo que seja de um corpo imortal, significa o fim total de uma vida... Seu querido Frederick está morto.
Dois filetes de lágrimas quentes percorreram a face pálida de Serenna, que tentava reanimá-lo. Porém, era inútil, e a jovem sabia disso. Não tinha outra explicação: Frederick estava morto.


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09/08/2007 18:05

Capítulo 28

Ártika guiava Serenna até a Pousada, por mais que a Ninfa falasse, Serenna nada escutava. Seu ódio misturava-se com o desespero e o desejo de livrar seus amigos da Dama da Solidão.
A cada passo, sentia-se fraca. Ártika justificou:
- Aquele que conheçe o valor de uma amizade verdadeira é mil vezes mais forte do que o que jamais viu o que é amizade. Porém, tem mil vezes mais fraqueza do que o próprio. Com tanta discórdia, a cada passo, sua energia vital é drenada. Você deve resistir se realmente quiser salvar seus amigos. Infelizmente, eu não poderei ajudá-la em muita coisa, afinal, não posso voltar meus poderes para sangue do meu sangue...
- Interessante. - Dizia Serenna distraída. - Além de plantar a discórdia e a inimizade, Kennedy ainda drena a energia vital... Eu vou odiar encontrá-la, principalmente sem a visão.
- Você não precisa de seus olhos no momento. Você conta comigo e com sua própria alma. Pode muito bem ser possuída novamente por nosso antigo mestre...- Suspirava a Ninfa.
Serenna subia as escadas como um raio, por mais sufocante que fosse. O ar estava pesado e difícil de respirar, mas a garota não se deixava vencer.
Uma risada diabólica pode ser ouvida, vinda do quarto de Frederick, seguido por um grito de dor. Apalpando a parede desesperadamente, Serenna abriu a porta.
Frederick lutava contra o feitiço de Kennedy, que podia ser vista apenas como uma névoa negra. O Elfo gritou:
- Serenna! Saia daqui! É muito arriscado!
- Cale a boca... Ela está comigo! - Resmungava Ártika
- Onde estão Drew e Ylua? - Perguntou Serenna.
- Eu não sei! De repente, ficaram gelados... Era como se não tivessem alma!
- É esse o poder da solidão... - Dizia uma voz satisfeita saída da névoa negra. - Vocês são tolos e fracos, muito dependentes de sua amizade ridícula! Mesmo sendo Anjos, foi entediante sufocá-los por dentro...
Aos poucos, a névoa tomava a forma de uma bonita mulher, vestida de negro. Seu cabelo era branco como pérolas e incrivelmente longo, chegando a tocar o chão. Em uma de suas mãos, havia um báculo, onde uma bola de luz flutuava. O rosto da Ninfa sangrava e Frederick sorria com satisfação.
- Elfo imundo! Mestiço desgraçado! - Gritava Kennedy. Frederick empalideceu imediatamente, como se Kennedy tivesse dito algo intensamente proibido. O ódio inundou o olhar do Elfo que avançou rapidamente contra a Ninfa.
Enrolando-se em sua capa, Kennedy voltou a transformar-se em névoa, fazendo com que Frederick a atravessasse e caísse em cima de um vaso de flores, esmagando-o.
Um dos cacos do vazo fez um corte superficial no peito de Frederick, mas fora o bastante para tingir sua camisa de sangue. Kennedy emitiu uma risada demoníaca, enquanto a bola de luz enegrecia-se lenta e pavorosamente.
- Experimente a dor e o desespero da solidão...

enviada por ºMaah!º



11/07/2007 17:55

Capítulo 27

"Por favor. Façam silêncio...", pensava Serenna, sentada na praia. O sol brilhava alto e havia muito barulho e movimento. As diversas vozes ecoavam violentamente na mente de Serenna. A garota tremia de frio, chegou a sentir a própria temperatura. Estava vendendo saúde. Qual o motivo de tal insuportável frio em um dia ensolarado como aquele?
As lágrimas secavam no rosto da garota. Talvez não tivesse mais lágrimas para chorar, talvez lutasse para não continuar chorando. Serenna queria apenas entender o motivo de sentir um vazio tão grande dentro do peito.
Serenna acariciava a areia da praia com um sorriso triste, pensando:
"Parece que faz tanto tempo... Tantas coisas já aconteceram nessa praia. Tudo começou aqui... Tudo terminará aqui? Esse será o fim de nossa amizade? Nessa praia eu encontrei Drew e Ylua pela primeira vez. Todos nós sempre viemos para cá quando quisemos ficar sozinhos, quando estávamos tristes... E agora, com todos tão frios e distantes... Como tudo isso vai terminar? Será que vai terminar?
"Ora, cale a boca"
Por um momento, as vozes se calaram, tudo ficou em silêncio. O frio dentro de Serenna aumentou. Aquela voz fria e cruel ecoava dentro da mente da garota que, já de pé, procurava por qualquer sinal de vida ou resistência.
- Não adianta procurar. Estão todos congelados. Fui eu mesma que congelei.
Pouco a pouco, a imagem gélida de Ártika se formava no mar, levemente congelado. Mesmo sem poder ver, Serenna poderia sentir a presença da Ninfa do Gelo há quilômetros de distância.
- Ártika!- Exclamou Serenna abafando um grito.
- Ponto pela rápida dedução...- Replicava Ártika. - Você tem muita sorte de me ter por perto, garota. Deveria agradecer...
- Co- como conseguiu escapar do colar? - Perguntava Serenna, receosa. Lentamente, Ártika se aproximou, congelando tudo o que estava próximo. Indiferente, ela derrubou Serenna com um violento tapa no rosto:
- É realmente deplorável que alguém tão desentendida como você possa ser a mortal da Profecia... Não posso acreditar que nós, as Três Ninfas, que lutamos milhares de batalhas e saímos sem ferimentos, sempre trazendo a vitória para nosso mestre. Agora, deveremos servir a você?! Sinceramente, torço para que o feitiço de Kennedy tenha sucesso...
- O feitiço de Kennedy? A Ninfa da Solidão? - Perguntava Serenna, levantando-se com certa dificuldade.
- Exatamente. - Dizia Ártika, de braços cruzados. - A menos que você conheça outra Kennedy que possa plantar a discórdia nos corações de seus amigos, para que todos tornem-se vulneráveis perante a solidão... E se ela for capaz de fazer isso, com certeza será derrotada pela única garota que não foi afetada por esse feitiço, já que conta com a ajuda de uma mesma entidade mística. Bom... Acho que o meu trabalho aqui está feito.
Ártika havia honrado milênios de servidão e, para o alívio de Serenna, revelado que tudo não passava de uma maldição da Dama da Solidão. Ártika havia protegido Serenna, que, antes que a Ninfa pudesse terminar a frase, já havia corrido de volta para a Pousada, a fim de salvar seus amigos.
enviada por ºMaah!º



01/07/2007 11:57

Capítulo 26

O sol já estava forte, Drew e Serenna já haviam almoçado, a raiva que sentiam havia dado lugar á preocupação: o quarto de Ylua continuava trancado e Frederick não havia dado sequer um sinal de vida ou presença.
Drew andava pelos cantos do quarto, apreensivo. Serenna atirava uma pequena bolinha contra o teto, tentando pegá-la no ar antes que atingisse o chão, para treinar sua percepção.
- Eu estou com um péssimo pressentimento.- Comentava a garota, parecendo indiferente. - É aquela sensação sufocante de novo...
- Não parece que você está preocupada. - Comentou Drew, aborrecido. - Parece que nem liga.
- Você está ficando cada vez mais humano. - Resmungou Serenna, desejando ter boa mira para acertar a pequena bola na cabeça do Anjo. - Cada vez mais estúpido também. Será que não consegue passar duas horas perto de mim sem começar uma discussão? Eu estou cansada de brigar com você por coisas tão idiotas!
- Está querendo dizer que EU começo as brigas por aqui? É você que já vem com quatro pedras na mão! Eu só revido! Não tou a fim de levar patada de garotinha mimada feito você!
Drew arrepeudeu-se imediatamente do que havia falado. Serenna estava pálida, não conhecia o lado agressivo do Anjo. Ele podia ser muito sério e calculista, mas jamais fora tão grosseiro com ela.
Serenna segurava-se para manter o orgulho e não chorar, mas a tristeza era grande e a ferida profunda. Ela poderia esperar tudo, menos ser ofendida por alguém como Drew.
Ela não conseguia pronunciar sequer uma letra. Por um momento, esqueçeu sua cegueira, sentiu como se pudesse ver onde estava e tudo que estava ao ser redor. Ela conseguiu apenas correr em prantos para fora do quarto. Deixando o Anjo sozinho gritando seu nome:
- Serenna! Serenna, volte aqui! Por favor, Serenna, me desculpe!
Já não havia mais como alcançá-la. Drew suava frio, sentia-se sufocado.
"O que houve comigo?", pensava o Anjo, descendo lentamente pela parede até encostar no chão. "Eu não poderia ter dito aquilo para ela. Não era verdade! O que eu sinto por ela é exatamente o oposto!"
- Seu idiota! - Gritou Drew, esmurrando a parede. - Seu grande IDIOTA!
O sangue começava a escorrer da mão de Drew. Por mais que fosse grande a dor de Drew, ele continuava a descarregar sua raiva de si próprio contra a parede, parando apenas para ouvir uma risada maníaca que ecoava pelo quarto.
- Quem está aí? - Perguntou o Anjo, levantando-se rapidamente e assumindo postura de batalha.
- A sua maior tortura... O seu maior medo... A Dama da Solidão!
enviada por ºMaah!º



24/06/2007 13:44

Capítulo 25 (melhor voltar logo com a história!)

- É amanhã...! - Dizia Serenna, com uma vontade louca de gritar. Ela socava sua cama, morrendo de ansiedade,
- Uahh... - Bocejava Drew, espreguiçando-se. - O que é amanhã?
- É o dia seguinte! - Riu Serenna. - Mas falando sério agora...
- O quê?! - Interrompeu Drew. - Serenna falando sério? Será que agora é você quem está com febre?
Serenna riu alto. Sua alegria era intensa e contagiante, capaz de fazer até mesmo um Anjo sério como Drew rir. Serenna continuou:
- Como eu ia dizendo... Amanhã é a lua cheia e todos os ingredientes já devem estar reunidos!!!
- Serenna. - Suspirou Drew. - Eu não quero te deixar triste ou insegira, o que eu mais quero é que você volte a enxergar... Mas esse tipo de ritual é algo muito complexo, e há extamanete 50% de chance de dar errado...
- Assim como há 50% de chance de dar certo! - Sorriu Serenna. Na verdade, dentro de si, havia apenas preocupação, mas a garota tentava animar-se através de uma injeção de otimismo. Desde que Drew mostrou a estrela Kalpha, Serenna sentia-se mais poderosa, mais confiante, como se pudesse fazer tudo sem medo.
"Vai dar tudo certo", pensava a garota, sentindo lágrimas quentes de alegria escorrerem por seu rosto.
- Já amanheceu... - Comentou Drew.
- Já deve ser hora do almoço... - Resmungava Serenna. - Do jeito que nós dormimos depois de "ver" as estrelas... Tenho a sensação de que dormi por uma semana...
- Se você realmente tivesse dormido por uma semana, teria de esperar um mês inteiro para voltar a enxergar...
- Cala a boca! Não fala uma coisa dessas! Parece uma criança brincando desse jeito! - Disse Serenna, jogando o braço para o lado, como se quisesse alcançá-lo...
-Aii! - Gritou Drew. Naquele momento, Serenna estava pálida, sua mão realmente havia tocado o rosto do Anjo!
- O... O que está acontecendo aqui?! - Perguntou a garota pálida, fitando o teto.
- Das duas, uma. - Comentou o Anjo, passando a mão no rosto vermelho. - Ou você acaba de aprender uma nova técnica, ou estamos mais próximos do que aparenta... Bom, pode acontecer os dois também...
Serenna engoliu seco, assim como Drew. Delicadamente, a garota apalpou o final de sua cama, logo encontrando com o começo da cama de Drew.
- Drew... Meu braço está normal?
- Pareçe que sim... As nossas camas é que foram aproximadas, estão há uns dois centimetros de distância...
-...
- YLUAAAAA! - Gritaram os dois em coro, pulando de suas camas. Drew tomou Serenna pelo pulso e conduziu-a rapidamente para a porta.
- Ylua! Eu já te falei para não brincar com essas coisas! - Gritava Serenna, esmurrando a porta do quarto da garota. - Isso não tem a menor graça!!
Sem que percebesse, Drew havia tomado sua forma original, apenas ocultando as asas. Seus olhos haviam assumido um tom amarelado, oliva. Geralmente, a mudança de tonalidade de seus olhos não era bom sinal, mas, daquela vez, não havia ameaça, Serenna podia sentir isso. A garota continuava a socar a porta, mas Ylua não respondia.
O barulho havia chamado a atenção de muitos que encontravam-se nos quartos vizinhos, que logo saíram para reclamar:
- Mas que absurdo é esse? - Comentou uma mulher que aparentava já ter certa idade. - Poderiam respeitar os outros, crianças? Não me obriguem a chamar o responsável por este lugar!
- Se- Sentimos muito, senhora. - Disse Drew, segurando os pulsos de Serenna. Sorrindo nervosamente, continuou:
- Não vai se repetir.
- É bom mesmo! - Comentou um homem que saíra do apartamento vizinho. - Se voltar a ouvir esse barulho irritante, jogarei você e a sua namorada pela janela!
- E... Ela não é minha namorada! - Dizia Drew nervosamente, gesticulando rápido com as mãos. - É... É só uma amiga! Quer se acalmar, Serenna?!
Serenna parou e respirou fundo, desculpou-se e, desferindo um último chute contra a porta de Ylua, soltou-se e entrou em seu quarto, batendo a porta violentamente. Drew desculpou-se e entrou logo em seguida. Ambos muito irritados.
- Me desculpa. - Murmurou Serenna, sentada em sua cama.
- Você não tem do quê se desculpar. Foi uma brincadeira infantil e de mal gosto. - Resmungava Drew. - Ylua também me faz perder a paciência...
Serenna sorriu, assim como Drew. Por dentro, ambos se perguntavam onde estariam Frederick e Ylua. Mal sabiam eles que ambos sofriam com as premonições de uma nova ameaça e que a "brincadeida de mal gosto" não havia sido culpa de nenhum dos dois.
enviada por ºMaah!º



23/06/2007 22:41

Eu sou muito boa pra guarda segredo, neh...

Bom gente, como eu guardo segredo como ninguém, eu resolvi colocar umas imagens de coisas que vão rolar só na SEGUNDA SÉRIE da história, só pra me aliviar, que eu não tou mais me aguentando!













enviada por ºMaah!º



23/06/2007 22:16

Foto da Ylua!




Hehe, essa aqui é a nossa doce e atrapalhada Ylua, a fiel seguidora de "Senhor Drew", é só imaginá-la com o cabelo com um tom mais puxado pro fogo vivo, mas acho que assim já passa uma imagem fiel!
enviada por ºMaah!º



23/06/2007 22:12

Foto das Ninfas e de Harmonny, a Traidora!!!

É isso ai! Ela nem apareceu por aqui, será o maior desafio da primeira série da história, mas seu rosto já pode ser visto! Aqi está ela! Tundra - Aquela que domina a morte!!!



Agora a Ninfa que domina a Solidão... Kennedy!!





Gnt, a imagem da Ártika eu ainda tou procurando, não é tão fácil assim quanto parece achar uma decente, okkay? Sejam legais comigo!

E agora, como eu tou querendo economizar post pros vilões, a traiodra Harmonny, uma Anjo que ainda é cercada por muitos mistérios! Ela é mais ou menos assim ^^



enviada por ºMaah!º



23/06/2007 22:07

Foto da Serenna!!




Essa ai eh uma imagem da Serenna, com a áurea de Anjo á mostra. Sobre as roupas e o lugar... Segredinho que só será revelado na SEGUNDA SÉRIE DE TEMPLO DAS SOMBRAS, huehuehue, tah pensando o quê, hein? Isso aqui não acaba tão cedo não!
enviada por ºMaah!º



23/06/2007 22:02

Imagem: Drew

Axei uma foto q eh bem uq eu imaginei du Drew, soh a ai ele tah sem as asas, okkay?



Agora eu vo por um mont di imagem q eu axei q saum parecidas com os personagens da história!!
enviada por ºMaah!º



09/06/2007 23:01

Capítulo 24

- Nós morremos? - Perguntou Serenna, virando-se para Drew.
- Ainda não tenho certeza... - Respondeu o Anjo, gemendo de dor. - Talvez os dois tenham sido congelados e já se passaram mil anos. Cientistas mortais nos encontraram e vão nos abrir para estudos...
- Cala a boca Drew... - Reclamou Serenna, virando novamente para o teto. - Nossa, eu não estou conseguindo mexer nada. Afinal de contas, o que é que aconteceu?
- Nós desmaiamos... - Comentou Drew, irritado.
- Isso eu já sei! Eu quero dizer antes disso!
- E você pergunta para mim? Foi você quem derrotou Ártika, eu só fiquei lá... Você não sabe o que é se sentir um pinguim de geladeira... Quando se está DENTRO da geladeira!
- Quer parar de fazer essas piadinhas idiotas? Acho que a baixa temperatura esfriou seus neurônios...
- Quem é que tá fazendo piadinha aqui, garota?
O fato de os dois encontrarem-se completamente indefesos os irritava profundamente. Drew e Serenna acordaram ao mesmo tepo naquela noite. O quarto estava escuro (o que não fazia diferença para Serenna e irritava Drew profundamente) e nem Frederick, nem Ylua pareciam estar por perto.
- Que belos amigos... - Resmungava Drew.
- Ótimos enfermeiros... - Completava Serenna, suspirando irritada. - Vem cá, dá pra gente parar de reclamar?
- Tem razão... Qual é o seu estado?
- Cega... Irritada... A perna esquerda bastante machucada e o corpo inteiro completamente dolorido. - Suspirava Serenna. - E o seu?
- Acho que estou com um pouco de febre, completamente arranhado e o corpo inteiro dolorido também... Mas acho que consigo levantar.
- Fique quieto. Estamos fracos, o melhor a fazer é descançar. - Serenna mostrava certa dificuldade para falar. Sua última batalha havia deixado seu espírito em completa exaustão. - Eu não me lembro muito bem do que aconteceu, só sei que você faz muita falta nesse tipo de batalha.
Drew sorriu. Ele também fitava o teto, mantinha um sorriso triste no rosto. Serenna voltou a falar:
- Foi muito estranho... Era como se não fosse eu lutando contra a Ártika. Era outra pessoa, eu tenho certeza! Acho que a única coisa que eu me lembro era de poder ver... Infelizmente, durou muito pouco... - Serenna enxugou uma lágrima quente com a manga de sua blusa destroçada. Drew gemia, parecia estar se esforçando. Serenna ouviu atentamente durante alguns instantes e falou, alto e irritada:
- Drew de Nibelumdo, pare aí agora mesmo!
Drew parou bruscamente. Ele olhou a garota confuso, ela ainda fitava o teto, mas apontava diretamente para ele.
- Os sentidos mortais revoltam-se contra mim. - Lamentava Drew, voltando para a cama. - Será possível que nem assim eu consigo provar que estou bem?
- Mas você não está bem, Drew. Você ficou muito tempo cercado por gelo maciço! Tem que descansar!
- Eu sou mais resistente que um mortal. Não se preocupe comigo, Serenna. - Falou Drew, sorrindo. Serenna arregalou os olhos momentaneamente. Semi-abriu os lábios, como se quisesse falar alguma coisa, mas logo fechou-os. Ela sorria e pensava: "Pode não ser tão raro, mas... Dessa vez... Foi diferente. Eu senti algo a mais quando ele disse meu nome".
- Drew... O que é esse "Nibelumbo" no seu nome?
- Os Anjos não têm sobrenome, por isso, dizemos que o nome completo de um Anjo é o seu nome e o nome da sua Estrela Sagrada. - Explicou o Anjo, sentando no pé da cama de Serenna.
- É a sua estrela protetora? - Perguntou a garota encontrando forças para ficar sentada no colchão.
- É mais ou menos isso. Ela nos protege e nós a protegemos. É como se fosse a nossa fonte de poder. Caso o poder de luz da nossa estrela seja comprometido, parte do nosso poder também vai ser. E não pense que você está livre disso, Serenna. Você também têm uma Estrela.
Serenna arregalou os olhos, surpresa:
- Sério? E qual é?
- Se estou certo, é uma estrela bem pequena, vermelha como o fogo mais intenso. Dizem que é uma fonte de poder inigualável. É a estrela destinada á única pessoa capaz de suportar tanto poder, já que um Anjo ou um Elfo sozinho não aguentaria.
Serenna sorria. Seus olhos brilhavam de alegria:
- Dá para ver daqui?
Drew levantou-se e a pegou pelo pulso, ajudando-a a levantar:
- Venha.
Os dois foram até a janela, Drew estava atrás de Serenna, guiando sua mão:
- Veja, aqui, para onde você está apontando agora está a lua. Agora, mais para a esquerda... Bem aqui! Esta é Nibelumbo, a minha estrela. Agora, mais para a esquerda, em um canto quase invisível a olho nú, há um pontinho bem pequeno, vermelho e muito brilhante. Aquela é Kalpha, a sua Estrela.
- Kalpha. - Repetiu Serenna, orgulhosa. - Em breve, terá lua cheia, e eu poderei vê-la...
Os dois sentiam a brisa que entrava pela janela em silêncio, ambos sorriam, sabiam que bons tempos se aproximavam, estivessem distantes ou não, haveria alegria. As Estrelas confirmavam.
Eles já haviam esqueçido de que Frederick e Ylua não haviam aparecido, sequer sabiam que estavam acordados. A verdade era que eles estavam no corredor, olhando através da porta com uma invocação de visão, o que permitia que ambos observassem contentes tudo o que se passava com os dois.
enviada por ºMaah!º



09/06/2007 14:15

Capítulo 23

A única cama do quarto de Drew e Serenna foi transformada em duas camas menores pela magia de Frederick. Os dois encontravam-se inconscientes no quarto de hotel, ambos com ferimentos graves.
Os olhos de Serenna voltaram a perder a cor e o ferimento em sua perna fora transformado em uma pequena marca avermelhada.
Drew tinha ferimentos por todo o corpo e sofria de febre alta. Segundo Frederick, ele passara horas insuportáveis em 27ºC negativos.
O Elfo encontrava-se em seu quarto, estudando seus pergaminhos, como era de costume. Já Ylua havia saído á procura dos ingredientes necessários para realizar o ritual da lua cheia.
Apesar de poucos saberem do que se passava com os quatro, o hotel inteiro parecia respeitar a condição dos bravos guerreiros.
"Serenna está sendo forçada a agir como um ser celestial...", pensava Frederick. "Muitos já passaram pela morte, sem morrer. Muitos já perderam suas vidas em guerras. Aqueles que lutam nas violentas Guerras Celestiais não podem ter medo da morte. Temo estarmos forçando demais uma garota mortal..."
Frederick deixou seus pergaminhos e sentou na beirada da janela.
- Senhor... - Ele murmurava. - Para quê envolver mortais inocentes em tão grandes perigos? Para quê forçá-los a viver coisas que poucos seres celestiais suportam?
A brisa fresca da manhã soprava delicadamente. Em sua forma original, Ylua voava pela cidade á procura das ervas adequadas. Sua exaustão era visível, mas ela jamais pararia até que todos os ingredientes estivessem completos.
"Ah, minha amiga Serenna.", ela pensava com um olhar triste. "Só espero que esteja preparada. Você, que já enfrentou tantos perigos desde que nos conheceu, por favor, saiba que é provável que este ritual não a ajude".

Sempre depois de uma batalha perigosa, os tempos de paz são substituídos pela tristeza. Pois algumas cicatrizes jamais poderão desaparecer. A cidade estava deserta, talvez a infelicidade de um Anjo influenciasse nos sentimentos mortais.
"Até mesmo os pássaros parecem tristes...", Ylua supirava. "Nem mesmo as criaturas mais puras se atrevem a cantar... Podemos ter apagado as memórias dos mortais que estiveram perto da praia desde que a batalha começou, mas, mesmo assim, talvez seu subconsciente compreenda que não há motivos para tranquilidade."
Enquanto Frederick estudava, Ylua percorria vales e oceanos além da cidade rapidamente, á procura de ervas estranhas.
- Erva de Fogo do Oriente... Erva do Ar do Ocidente... Erva da Água do Leste... Erva da Terra do Oeste... Erva da Lua Cheia do Norte... Estão todas aqui! - Exclamava Ylua, deixando um singelo sorriso brotar em sua face. - Devo voltar imediatamente, talvez senhor Drew e Serenna estejam acordados!
Ylua ergueu suas asas majestosas e levantou vôo rapidamente. Seu coração enchia-se de esperança, finalmente, a paz reinaria por alguns instantes.
Enquanto isso, Frederick observava os guerreiros inconscientes. A feber de Drew permanecia forte, Serenna estava gelada como a Ninfa.
- Talvez parte do poder de Ártika esteja dentro dela agora... - Comentou Frederick para si mesmo.
De repente, um enorme estrondo veio de seu quarto. O Elfo correu para ver o que era. Ao abrir a porta, ele encontrou a desastrada Anjo.
- O... O que é isso? - Ele perguntou, assustado.
- Não recolhi as asas antes de entrar... Desculpa. - Ylua encontrava-se de cabeça para baixo, embaixo da janela. Frederick a ajudou a levantar-se e recolheu as ervas rapidamente.
- Conseguiu as ervas?
- Sim, peguei todas. E como vão senhor Drew e Serenna?
- Não muito bem. Drew tem febre e temo que Serenna tenha absorvido parte do poder de Ártika, já que sua pele está muito fria.
- Isso já era de se esperar... Não se preocupe, é temporário. E como vai a nossa prisioneira?
- A parte do Colar que conseguimos está intacta. Um pouco fria, é verdade, mas Ártika parece não querer escapar novamente.
- Isso já é um grande alívio. Agora, tudo o que temos a fazer é esperar que os dois acordem. Enquanto isso, melhor eu começar a preparar as coisas para o Ritual...
Naquele momento, tudo o que eles precisavam, era de paz. Infelizmente, haveria pouco tempo para apreciá-la.
enviada por ºMaah!º



08/06/2007 19:03

Capítulo 22

O silêncio incomodava á todos. Ylua procurava por Ártika por toda a parte, a ponto de desesperar-se. Frederick preparava-se para lutar. Não lutava há mais de dez mil anos, mas jamais esqueçeria como fazê-lo. Serenna, porém, permanecia indiferente, apenas aguardava.
Frederick e Ylua distraiam-se tanto com suas próprias preocupações que não perceberam que parte do poder de Serenna despertava.
Ela suspirou, seus olhos estavam fechados e todo seu corpo emanava grande energia.
- Esse espírito... Essa presença... Eu sinto sua presença...
- E eu sinto a sua presença... Há tempos não nos vemos, Ártika. Ainda se lembra de mim?
A voz de Serenna havia mudado muito. Seu corpo todo brilhava. Frederick e Ylua a olhavam perplexos. Lentamente, a garota deixava o chão. Seus olhos sem vida abriam-se coloridos. Enquanto o esquerdo era verde como as florestas, o direito era azul como o oceano. Com um movimento rápido de um único braço, uma espada de luz foi forjada do nada.
- Eu a controlava, muito tempo atrás... Você tornou-se uma aliada rebelde... Você desobedeceu minhas ordens, Ártika. Assim como suas irmãs...
- Você me tomou a liberdade. Fomos expostas a uma grande humilhação. Três Ninfas Malignas aprisionadas por um mortal... Chegou a hora da vingança!
- Cale-se! Não seja insolente com seu mestre. Você deve obediência á mim!
Uma grande movimentação do gelo revelou a forma da bela Ninfa. Era branca como o gelo, seus cabelo eram levemente azulados, assim como seus olhos e lábios.
- Ártika... - Murmurou Serenna.
- Mestre... - Murmurou a Ninfa em resposta. Ela assumiu posição de batalha, investindo rapidamente contra a garota, gritando:
- O QUE VOCÊ FEZ NÃO TEM PERDÃO!!!
Num piscar de olhos, com apenas o desejo de vingança, Ártika fez surgir uma imensa lança de Gelo, adornada elegantemente com uma fita de seda azul.
- Arakai Tsuno... - Murmurou Frederick, roucamente.
- "A Lança do Demônio Congelado". - Traduziu Ylua, aterrozirada.
Uma atacava a outra violentamente. Serenna era ajudada por Ylua, em espírito. Com uma invocação de cura, a Anjo impedia que o espírito de Serenna se exaustasse.
- Neste momento, não podemos fazer mais nada por ela! - Comentou Frederick, preocupado.
- Têm razão... - Comentava Ylua, aumentando o poder de sua invocação. - Mas... O que está havendo com ela?
- Talvez o poder dela esteja despertando. Talvez, quem esteja lutando seja, na verdade, o primeiro mortal que usou o colar...
- Mas... Apenas quando as Ninfas tentam fugir que o mortal é encontrado. E, pelo que eu saiba, essa é a primeira vez...
- Exatamente, "pelo que você sabe". Você ainda é uma criança. Talvez, num passado longícuo, no início dos tempos, as Ninfas tenham tentado fugir de uma outra prisão. Essa é a parte mais complexa da história, pois, pelo que eu saiba, não há Anjos ou Elfos vivos que tenham presenciado a primeira realização da profecia...
- Isso é inacreditável...! - Exclamava Ylua, sem ar.
A batalha que se seguia era violenta. Serenna usava apenas a espada, enquanto Ártika desferia-lhe golpes beixos e sem honra. Serenna esquivava-se com certa dificuldade, sem demonstrar expressão alguma.
- Mestre, você nos traiu! - Gritava Ártika, desferindo golpes cada vez mais violentos.
- Ninfa... - Dizia Serenna. - Vocês traíram á todos, em todos os planos de existência. Vocês deviam obediência a mim, era esta a vontade Divina. Mas vocês mostraram-se rebeldes. Aprenda, Ártika: quanto maior a fúria, quanto menor a honra, maior será a chance de derrota.
A luz que envolvia Serenna se intensificou rapidamente. Frederick e Ylua não puderam ver o que acontecia em seguida. Apenas puderam ouvir Ártika gritando e um horrível urro de dor vindo de Serenna. Ela estava ferida.
Quando a luz se dissipou, Ártika havia desaparecido. Serenna caía lentamente ao chão, como se estivesse sendo carregada por espíritos invisíveis. Ela encostou na superfície gelada há alguns metros de distância de seus amigos, que correram imediatamente na sua direção.
Havia um corte profundo na sua perna esquerda, algo que foi rapidamente curado por Ylua. Serenna mexeu a cabeça, muito fraca, dizendo com dificuldade:
- O... O gelo vai desaparecer em uma hora... Salvem o Drew... Por favor... Usem... Usem a prisão de... Ártika!
Sua voz voltara ao normal. Seu espírito estava muito fraco, ela desmaiara.
Frederick viu que ela segurava firmemente parte do Colar das Três Ninfas. Restavam agora dois seres ainda mais poderosos, querendo apenas se libertar.
- Tente libertar o Senhor Drew... - Disse Ylua, aliviada. - Tenho que me apressar e procurar os ingredientes para devolver a visão de Serenna. Temos apenas dois dias agora.
Frederick assentiu com a cabeça. Ylua partia velozmente. Ele fitou Serenna momentaneamente, suspirando:
- Não se preocupe... Em breve... Tudo termina.
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08/06/2007 13:16

Capítulo 21

A brisa congelante causava arrepios. Frederick fitava as duas garotas sombrio. Ele fitou o chão momentaneamente, seus olhos ficaram completamente negros pela sombra que seu próprio rosto projetava. Ele soltou um suspiro rouco e disse:
- É tempo para respostas, garota.
"Garota...", pensava Serenna, bloqueando sua mente de imadiato, para que Ylua não pudesse lê-la. "Frederick nunca me chamou de 'garota' antes. Isso tudo parece uma piada de muito mal gosto, mas ele nunca pareceu tão sombrio assim. Isso pode ser mais perigoso do que eu imaginei".
- Ele tem razão, Serenna. - Comentou Ylua. - Ocultamos muitas coisas de você, agora, todos nós corremos perigo.
- Mas... Alguém capaz de viver mais de 17 mil anos não morre de jeito nenhum!
- Muito pelo contrário. - Comentou Frederick, olhando o céu. Ylua completou, suas feições eram sombrias, como se algo realmente obscuro estivesse para ser revelado:
- Somos imortais até que alguém nos mate da maneira correta. Viveremos pela eternidade enquanto não morrermos. Pode parecer sem sentido, mas essa é a verdadeira imortalidade. Se formos atingidos pela magia negra em seu ponto máximo de poder, junto com o ódio profundo, poderemos ser mortos facilmente.
- A máxima Magia Negra, aliada ao ódio profundo... - Comentou Serenna. - É assim que os Anjos morrem nas Guerras Celestiais?
- Alguns sim. - Disse Ylua. - Outros têm as almas tão torturadas que deixam a vida se distanciar lentamente. Eles desistem de viver, uma sensação realista de morte enquanto ainda está vivo. Se desistir de viver, morrerá por vontade própria, e nem a imortalidade de um Anjo pode desobedecer a vontade do próprio de morrer.
- E é assim que Tundra, a Ninfa que domina a Morte, ataca e se alimenta. - Disse Frederick, observando Drew. - Não me admira que ele seja o líder dos exércitos dos Anjos em todas as Guerras Celestiais... Mesmo que esteja sofrendo ao máximo, não se entrega á dor de jeito nenhum...
- Então... A imortalidade obedece ao imortal. Se ele desistir da prórpia vida, da própria alma, a imortalidade obedece, tornando-se mortalidade. Estou certa? - Perguntou Serenna. Pouco a pouco, seus olhos sem cor adquiriam uma frieza desconfortável. Ela sorriu. Ylua retribuiu o sorriso e, instantes depois, Frederick, com os braços na nuca, voltou o olhar para as duas, sorrindo maldosamente.
"Agora eu entendo", pensava Serenna. "Toda essa frieza, essa energia sufocante é proposital. Ártika alimenta-se de energia negativa e da magia negra das almas dos mortais. Os dois estavam agindo com essa frieza, justamente para atrair Ártika"...
- Você está lenta, garota. - Comentou Frederick, indiferente.
- Cale a boca. - Ela respondeu com um sorriso maligno. As feições dos três eram dignas de seres demoníacos. Eles enviavam ao infinito o máximo de energia negativa que conseguiam.
Alguns minutos depois, o frio tornou-se insuportável. As areias da praia cobriam-se por uma fina camada de gelo.
- Ela está aqui. - Comentou Frederick. - Podem sentir?
- Se está se referindo ao frio e á sensação sufocante de destruição, com certeza, eu consigo sentir. - Respondeu Serenna.
Dez minutos se seguiram, e a sensação sufocante apenas aumentava, assim como o frio. Um grito agudo e distante era escutado. Os três permaneciam imóveis, pensando em todo o mal do mundo e transferindo-o para os próprios corações. Serenna multiplicava seu ódio ao máximo por estar cega. Ylua fazia o mesmo, por sua irmã. Já Frederick, lembrava-se de todos que, outrora, foram fiéis a ele e, de repente, destruíram grande parte de sua vida.
- Isso está acabando comigo. Já estou ficando sem ar. Essa idéia foi realmente idiota! - Comentava Serenna, semi-cerrando os dentes.
Frederick e Ylua concordaram, mas era tarde demais para desistir. Tanta energia negativa podia prejudicar-lhes, mas aquilo era necessário.
- Eu gostaria de saber quanto tempo mais vocês aguentarão, apenas me alimentando com o próprio ódio e torturando suas almas...
Os três olharam para o nada, aterrorizados. Aquela voz cortante que trasmitia a sensação de dilacerar a alma ecoava por toda a praia. Frederick disse:
- Ártika está aqui.

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31/05/2007 19:18

Capítulo 20

Serenna permanecia paralizada no lado Oeste da praia, onde começavam a surgir árvores diversas, dando uma curiosa beleza ao "fim" da praia.
Frederick e Ylua corriam ofegantes, tentando alcançá-la. Ela porém os ignorou completamente.
- Uff... O... O que foi?... Serenna? - Ofegava Frederick, deixando cair o pergaminho e apoiando-se nos joelhos.
- O mar... - Ela disse num sussurro fraco.
Os dois demoraram alguns instantes para entender o que havia acontecido: o mar havia virado gelo.
- Ártika está aqui... Eu tenho certeza. - Ela continuava a dizer.
- Como pode ter tanta certeza? - Perguntou Frederick.
- Há um frio terrível dentro de mim. Ele começou assim que eu vi o mar congelado. Eu tenho certeza, ela está aqui...
- É a profecia. - Disse Ylua, sombria. - Segundo a antiga profecia, Serenna está ligada espiritualmente com as três Ninfas, sendo assim, ela consegue sentir a presença de uma delas se estiver perto.
- Entendo. - Frederick mantinha os olhos no oceano congelado.
- Esse gelo... Não é apenas uma superfície congelada. O mar foi completamente congelado! Até a última gota, a última planta, o último ser vivo! - Serenna gritava.
- Ou morto... - Ylua disse. Ela tinha os olhos brilhavam como o fogo do ódio dentro dela. - O túmulo de minha irmãzinha está nesse mar...
Ylua não pode completar a frase, pois Serenna saíra em disparada até o oceano.
- Serenna, pare! Isso aí é gelo puro! - Gritava Frederick. Porém Serenna corria sem problema algum pela superfície congelada. Nem mesmo o gelo poderia tentar detê-la. Ela correu alguns metros e deslizou rapidamente até uma parte distante da praia, onde Ylua e Frederick a olhavam perplexos. Ela jogou-se no chão com as mãos ao lado dos olhos para facilitar sua visão. Alguns minutos depois ela chamou os dois com gestos rápidos e fortes de seu braço. Sua expressão indicava máxima urgência.
Frederick e Ylua demonstraram grande dificuldade para andar sob o gelo, mas logo aproximaram-se de Serenna.
- O que foi? - Perguntou Frederick, preocupado.
- Olhem. - Disse Serenna, olhando para o gelo profundo.
Encontrava-se em uma grande profundidade, mas era possível ver. Em meio á tanto gelo, uma pequesa "casa" de cristal. Dentro dela, um sarcófago dourado pequeno e, ao seu lago, Drew.
Ele tremia violentamente, estava completamente coberto por suas longas asas brancas, mas deixava uma parte do terno preto visível, o que faclitava seu reconhecimento.
Serenna socava o gelo com força descomunal, mas a grossa camada tornava seus golpes inaudíveis. Ao lado do túmulo de Serennity, haviam inúmeras griaturas: peixes grandes e pequenos, tubarões, baleias e criaturas estranhas e desconhecidas.
- A força do mar levou o túmulo de minha irmã para muito fundo... Será impossível conseguirmos tirá-lo de lá. Eu ainda não domino muito bem a técnica de teleporte...
- CALA A BOCA!!! - Gritava Serenna desesperada. - Cala a boca, tá legal? A gente vai tirar o Drew dali! Nem que eu tenha que quebrar esse gelo todo com a unha!!!
Ela continuava a socar e a quebrar o gelo com ainda mais força. Em pouco tempo, suas mãos arroxeadas pelo frio começavam a sangrar. Ela teria continuado até não poder mais aguentar de dor se Frederick não tivesse imobilizado suas mãos rapidamente. Serenna gritava e lutava para continuar quebrando o vidro, embora seu trabalho fosse inútil.
"Ele não pode morrer...", pensava Serenna. "Então, vai ficar sofrendo e congelando aos poucos se não o tirarmos de lá rápido... O pior, é que vai sempre sentir dor e agonia, sem poder morrer! Eu não posso deixar isso acontecer com ele!".
- Na verdade... - Disse Ylua. - É possível matar um Anjo...
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27/05/2007 17:42

Capítulo 19

"Drew... Está me ouvindo? Vamos logo, anjo estúpido! Responda! Drew, se isso for uma brincadeira, juro que vou te bater quando chegar!"
Sem resposta. Drew parecia inconsciente. Serenna não conseguia comunicar-se pela mente, segundo Frederick, o barulho na praia havia cessado e Ylua não captava suas ondas espirituais.
"Se...Serenna..."
- DREW!!! - Ela gritou. Todos estavam pálidos e a voz fraca do Anjo ecoava por todo o corredor:
"A...Ártika..."
- Ártika! - Exclamou Ylua. - A mais nova entre as três irmãs Ninfas!
- O que quer dizer? - Perguntou Serenna.
- Diz a lenda que o colar que estamos procurando é a prisão de três Ninfas, os seres malignos: Ártika, a mais nova, aquela que domina o gelo. Kennedy, a do meio, a que domina a solidão e Tundra, a mais velha, aquela que domina a morte. Tundra é capaz de iludí-lo, fazê-lo pensar que estar morto, sendo assim, você desiste de viver, o que causa a morte real do espírito. - Explicou Frederick. Ylua começava a se desesperar:
- Se Ártika foi libertada, significa que o colar foi rompido! Deve haver muita energia negra nas pessoas que atacaram a praia. Ártika alimenta-se da impureza das almas mortais, com certeza, ela foi atraída, alimentada e liberta!
- E ela está com o Drew... - Sussurrou Serenna. Ela sentia o ódio subir até o nível mais elevado de seu espírito:- Ártika escolheu um péssimo dia para me irritar... Vai ser muito difícil encontrá-la?
- Eu creio que não, já que ela domina o gelo e provavelmente quer que a encontremos, acho que vai ser bem fácil. - Disse Frederick vasculhando alguns papéis em seu quarto. Ele voltou alguns minutos depois com um pergaminho em mãos.
- É esse o artefato que foi rompido.





Ylua segurou a mão de Serenna, mostrando os três pontos. No momento em que Serenna encostou no pergaminho, o colar assumiu forma e textura. Serenna analisou o colar cuidadosamente e disse:
- A prisão de Ártika deve estar com as pessoas que atacaram a praia...
- Então, vamos procurá-los! - Disse Frederick.
Ylua tentou impedí-los, mas os dois correram em direção á saída imediatamente.
- Agora sim, Senhor Drew... A nossa guerra começou...
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27/05/2007 13:48

Capítulo 18

- O que está acontecendo? Por que paramos?
- Talvez seja porque a Ylua raramente faz algo certo...
- Bom, eu não entendo muito de escolher quartos de hotel, então eu fui na sorte, e você concordou, Senhor Drew!
- Mas quem pegou as chaves foi você! Eu soh registrei os nossos nomes!
- Querem calar a boca e me explicar o que está acontecendo?
- Serenna, você não vai querer saber...
- E por que não, Frederick?
- Porque vai ser bem desagradável...
"Você fez isso de propósito, garota!"
"E se eu fiz? Agora não tem mais saída, eram os únicos quartos vagos e você tem que fazer as pazes com a Serenna!"
"Mas nós nem brigamos!"
"Isso porque você não viu o jeito que ela ficou!"
Discussões entre mentes, vozes e espíritos sobre algo que Serenna não sabia. A verdade era que Ylua havia separado três quartos: um para ela, outro para Frederick e o outro, na esperança de que Serenna e Drew se acertassem e parassem de discutir tanto.
- Acho que eu já entendi... E, Ylua, Drew, aprendam a bloquear suas mentes quando estão conversando, ok? Não se esqueçam que essa é uma das únicas coisas que eu consigo fazer...
"Ylua, depois que quero conversar sério com você", dizia Serenna em sua mente, o que fez Ylua engolir seco nervosamente.
Serenna ainda estava irritada com Drew, entre muitas outras coisas. Talvez estivesse irritada com ela mesma, por não conseguir enxergar...
"Eu tenho que superar isso...", ela pensava, "eu não sou inválida, posso fazer tudo o que eu fazia antes, mesmo que não consiga ver... Muitos conseguem viver assim pela vida inteira, eu também conseguirei!".
Serenna e Drew tentaram conversar, mas não tinha geito, seriam aqueles os quartos, sem direito á mudança. Akeles eram os únicos quartos restantes, e não havia forma de Drew conseguir trocar magicamente com outra pessoa, afinal, ambos os Anjos estavam exaustos e precisavam da energia da próxima lua cheia para recuperarem completamente seus poderes e devolverem a visão de Serenna.
- Bom, é melhor eu entrar no meu quarto e tomar um banho, ainda sinto cheiro de sangue nas minhas roupas... - Disse Serenna, irritada.
- Você pode trocar de roupa usando a mente, é só imaginar o que quer vestir! - Gritou Ylua enquanto Serenna batia e trancava a porta do quarto.
- Ei! E eu? Como é que eu fico? - Gritou Drew.
- Se vira!
Drew encostou na porta e deixou-se cair até o chão:
- Olha só o que você fez, Ylua...
- Você tem que aprender que nem tudo faz parte de uma Guerra Celestial, Senhor Drew. Você está tratando a Serenna de uma forma muito errada.
- Ahh... Tanto faz. Eu vou andar um pouco, talvez eu volte a noite.

Drew saiu com passos firmes do hotel e foi para o mais longe possível de tudo, porém, próximo ao mar. Ele sentou-se na areia em sua costumeira posição de lótus, respirou fundo e, de olhos fechados, passou a meditar.
Aos poucos, as pessoas chegavam. Algumas estranhavam um jovem vestido de preto em um dia ensolarado, porém, Drew não sentia calor ou frio, nunca.
Por mais mortal que parecesse, ele evitava liberar todos os sentimentos e características mortais, a fim de manter a névoa em seu passado.
Ele estava completamente em transe, uma grande sensação de paz invadia seu espírito. Algumas crianças foram ver se o jovem estava acordado, antes que qualquer uma delas falasse algo, ele disse:
- Não se preocupem, as pessoas não morrem enquanto meditam, agora me deixem em paz.
As crianças assustaram-se. Como aquele homem podia saber o que elas pensavam em perguntar? Lentamente, elas afastaram-se, empalidecidas.
Famílias iam e vinham, brincavam e espirravam água. A praia lotava aos poucos, ocasionalmente haviam algumas brigas e discussões, mas nada parecia incomodar Drew. De repente, pessoas começaram a gritar e a correr, desesperadas. Pela primeira vez em horas, Drew abriu os olhos.

Enquanto isso, no hotel, Serenna obtivera sucesso trocando de roupa com a força de sua mente. Ela mantinha a cabeça para fora da janela, sentindo a brisa fresca e ouvindo os barulhos da cidade.
- Anjo idiota... - Ela comentou, pensando em Drew com desgosto. - O pior de tudo é que eu não consigo odiá-lo... Onde será que ele está agora?
Por acidente, Serenna esbarrou no controle da televisão quando sentava-se na cama. Ela ligou no momento exato de uma mensagem urgente sobre algo que acontecia perto do hotel:
"As pessoas que encontram-se na praia próxima ao hotel 'Beija Flor' devem retirar-se o mais rápido possível, pois foi informado que um ataque teve início há alguns minutos atrás..."
- Um ataque? Não, não é possível que o Drew esteja naquela praia!
Ela abriu a porta de seu quarto rapidamente, chamando por Ylua e Frederick. Eles foram ao seu encontro rapidamente, parecendo assustados.
- Se estou certa, o Drew pode estar correndo perigo!
- O que quer dizer com isso? - Perguntou Frederick.
- Parece que está havendo um ataque em uma praia aqui perto, aquela em que nós nos encontramos pela primeira vez!
- Não se preocupe, ele sabe se defender. - Disse Ylua, tentando tranquilizá-la.
- Então por que sinto tanto medo com relação á isso?
enviada por ºMaah!º



26/05/2007 20:02

Capítulo 17

- Acho que a nossa única saída é ficar no hotel de que a Ylua tanto falou. - Disse Drew, parecendo extremamente despreocupado. Ele olhava para o céu com as mãos na nuca. Talvez tentasse ver o Templo das Sombras, talvez tentasse achar um lugar calmo, ou algo que o ajudasse a descobrir os próprios sentimentos.
Todos concordaram. Drew e Ylua recolheram suas asas, assumindo novamente suas formas humanas.
Serenna andava lentamente, ajudada por Ylua. Ela fitava o chão e não falava nada.
- Você está bem? - Sussurrou Ylua.
Serenna assentiu com a cabeça, murmurando apenas um "um-hum!", sempre com o mesmo sorriso triste.
- Chegamos. É este? - Perguntou Drew, indiferente.
- É, é esse sim. - Disse Ylua, entrando no hotel.
O tempo passava rápido. Serenna e Frederick esperavam impacientes, ambos andando de um lado para o outro na calçada.
Uma hora se passou e os Anjos não voltavam. Frederick concluiu que seria melhor entrar e ver o que acontecia. Serenna concordou rapidamente com a idéia.
Frederick puxou-a pelo pulso pela rua que começava a ganhar movimento. Já na porta do hotel, o Elfo parara bruscamente, parecendo surpreso e assustado.
- O que houve? - Perguntou Serenna, preocupada.
- Bom... Drew está deitado no chão enquanto Ylua está estirada em cima de uma mesa...
- O quê?! E você fala uma coisa dessas com essa naturalidade?
- Oras, é que não dá para saber se estão concientes ou não!
- Ahh... Parece que um bando de guepardos dos desertos de Crystal passaram por cima de mim... - Resmungava Ylua com a mão na cabeça.
- Você tem sorte, comigo foram dois bandos! - Disse Drew, com uma careta de dor.
- Mas afinal, o que aconteceu?! - Disse Serenna, incrédula.
- Muita gente na recepção. - Dizia Drew com dficuldade. - Usamos muita energia...
- Mas, pelo menos, agora temos quartos por tempo indeterminado por aqui... - Disse Ylua, atirando á Frederick duas chaves. - Eram os únicos quartos por aqui, tomara que sirvam...
- Eu não entendo muito disso, mas creio que vão servir. - Comentou Frederick animado.
- Olha só... Eu recomendaria um corte no seu cabelo, Elfo. - Disse Ylua, sorrindo.
- Eu sei. - Comentou Frederick. Ele segurou seus cabelos longos com uma das mãos, cortando-os com um único golpe com a outra.
- Está feliz agora?
- ... É, tô! - Comentou Ylua, com os olhos arregalados.
Serenna apenas sorria. Ela não vira a façanha de Frederick, mas ouvira o golpe e sentira o vento do impacto:
- Acham que ainda tem poder suficiente para andar?
- Engraçadinha. - Comentou Drew, levantando-se. - Vamos logo!
enviada por ºMaah!º



26/05/2007 19:15

Capítulo 16

Os pais de Serenna abriram a porta violentamente. Ambos estavam pálidos e a mãe chorava desesperadamente.
- Onde você estava, garota? - Gritou o pai de Serenna, abraçando sua esposa. - Você passa o dia e a noite fora, não fala nada para ninguém. Quase matou Eleanora de preocupação! O que faz aí parada? Entre agora!
- Eu sinto muito, papai. - Dizia Serenna, tristemente. - Mas isso tudo é necessário.
Neste momento, Drew saiu de trás da casa, ele ainda mantinha as asas expostas. Eleanora e Adward o fitavam, pasmos:
- É... É um anjo?! - Exclamava Eleanora. Sem tentar manter segredo, Ylua também mostrou suas asas.
- I... Isso é alguma piada? - Exclamava Edward. - E o que houve com seus olhos?
- Mamãe, papai. Eu prometo que, um dia, vocês saberão de tudo mas, agora, isso pode por em risco a vida de vocês... - Serenna fitava o chão, envergonhada por não poder vê-los. Drew e Ylua aproximaram-se lentamente, seus olhos brilhavam e uma grande energia se expelia de seus corpos.
Uma ventania gélida teve início, Frederick abraçou Serenna, cobrindo seu rosto. As folhas das árvores cercavam os Anjos em um bonito redemoinho.
- Drew... de Nibelumbo!
- Ylua... de Negadir!
- Nós agora invocamos os poderes ocultos de nossa raça abençoada, para que assim possamos proteger as mentes destes mortais que encontram-se em frente á nós. Que eles não se lembrem dos últimos acontecimentos e preocupações, e que saibam que sua filha Serenna encontra-se em segurança, sob a proteção divina dos Anjos!
Com movimentos leves de mão, em perfeita cincronia, toda a luz que os cercava foi para o casal de mortais que, aos poucos, atordoavam-se.
Em pouco tempo, os pais de Serenna estavam adormecidos, silenciosos e despreocupados. Drew os levou até o sofá da sala, calado.
Do lado de fora, Serenna procurava não chorar. Ela tinha de entender, tudo aquilo era necessário.
- Um dia eles saberão de tudo. - Comentou Fredererick. - É para o bem deles...
- Eu sei mas... Acho que nunca escondi algo tão grande assim dos meus pais. Não me sinto bem fazendo isso. A minha vontade é de acordá-los e contar tudo á eles!
- Isso colocaria em risco suas vidas. - Disse Drew. O Anjo passou sério por Serenna e Frederick, parando há poucos centímetros de distância, fitando o infinito. - Se eles soubessem, isso se tornaria uma grande fraqueza para todos nós, afinal, eles não sabem se proteger de um poder como o que temos que enfrentar aqui. Seriam facilmente capturados e nós não poderíamos fazer nada. Entenda que é melhor assim.
A brisa fresca da manhã soprava na direção de um grupo peculiar. Todos estavam atentos aos sons, mas a cidade inteira parecia conspirar ao favor deles, impedindo a todos que os vissem.
Uma sensação de paz... Algo que seria impossível prolongar, pois, no futuro, um grande maremoto atingiria Serenna e os outros.
enviada por ºMaah!º



26/05/2007 11:37

Capítulo 15

O Sol desaparecia no horizonte quando Serenna e Frederick foram ao chão com dificuldade. Drew e Ylua tiveram que pousar há alguns metros de distância da casa da garota, pois era difícil e doloroso voar carregando alguém.
Serenna despensava a ajuda de Drew, sabia onde estava e para onde tinha que ir:
- Drew, estou cega, é verdade, mas não quero ser tratada como uma inválida por você ou por qualquer outra pessoa. Mesmo não vendo o que fasso ou quem está ao meu redor, eu posso me virar sozinha.
- Mas... Eu só quero te ajudar! Será que é tão difícil entender isso? Se tento te ajudar é... É porque... Eu me preocupo com você, tá legal?
Drew ficara vermelho com o comentário de Serenna, e desejava sumir após o comentário que havia feito.
"Eu não devia ter dito aquilo...", ele pensava, procurando algum lugar para se esconder. Porém, seu orgulho era maior, ele engoliu seus sentimentos e disse:
- Não duvido que você não precise da minha ajuda! Porém, fique feliz agora, Serenna, pois não vai mais tê-la!
Ele andou depressa, passando por todos os outros, sem olhar para ninguém.
- Drew, espere!! - Gritou Serenna, tentando segui-lo, mas foi segurada por Frederick, que dizia:
- Não se preocupe. Você está derretendo todo o orgulho dele, é algo novo para Drew. Logo ele volta, eu prometo.
- Eu fui muito estúpida! Não devia ter sido tão grosseira com ele, ele só estava preocupado comigo... E eu disse aquelas coisas terríveis...
- O Senhor Drew sempre foi assim. - Disse Ylua, sorrindo. - Ele sempre foi orgulhoso por ser o melhor dos Anjos Guerreiros e comandar os exércitos durante as Guerras Celestiais mas, ás vezes, ele deixa os próprio sentimentos aparecerem descontroladamente. Ele luta contra isso há muitos anos, pois acredita que, se todos souberem de seus sentimentos, poderão atingir suas fraquezas mais profundas...
"Eu não tiro sua razão, Senhor Drew. Eu sou a única que conheçe o seu segredo, mas creio que está na hora da verdade. Eu já entendi o que sente pela Serenna, agora, basta que você entenda...", pensava Ylua, suspirando.
- Eu não queria ter que fazer isso... - Disse Serenna triste, caminhando em direção á sua casa. - Mas precisarei que você plante imagens nas mentes dos meus pais, para que ele não se preocupem. Seria demais para mim e para eles a reação quando descobrirem que fiquei cega, e não há hipóteses de contarmos sobre os Anjos, Elfos, etc. Eles precisam pensar que eu estou em uma viagem da escola, coisas assim...
- Mas isso não é certo. - Comentou Frederick, tentando alcançá-la.
- Eu sei, mas é necessário. Eu não suportaria vê-los preocupados...
- Muito bem. - Disse Ylua. - Estamos chegando.
Serenna apressou o passo e parou de repente, dizendo:
- Chegamos.
De fato, ela estava parada bem em frente á sua própria casa. Frederick e Ylua estavam chocados:
- Co... Como sabe que aí é a sua casa? - Perguntou Frederick. Serenna sorriu tristemente para o nada e disse:
- Eu moro aqui a minha vida toda, estou acostumada á ir e vir. E depois, que escutei as ondas do mar se distanciando, o mesmo som que ouço há 17 anos. Nossa vizinha tem um poddle escandaloso, eu posso ouvir seus latidos, então, pude concluir que moro aqui.
Apesar de manter seu singelo sorriso, Serenna estava destruída por dentro. Fora privada de ver as belezas desse mundo, podendo apenas sentí-las na pele e ouví-las. E, agora, teria que enganar os próprios pais.
"As vezes, eu queria que nada disso tivesse acontecido comigo", ela pensava. Serenna respirou fundo e chamou por seus pais.
enviada por ºMaah!º



20/05/2007 00:24

Capítulo 14

Serenna encontrava-se apoiada no chão, á sua frente, um verdadeiro mar de lágrimas frias escorria de seu rosto. Seus olhos agora estavam completamente brancos e arregalados, como se ela procurasse qualquer luz, qualquer faísca de visão que tivesse sobrado... Nada.
Drew correu em seu encontro e abraçou-a com força enquanto Ylua abria a cela de Frederick, que encontrava-se imóvel na escuridão, ela também chorava em silêncio.
- Não, não, não... - Murmurava Drew, abraçado á Serenna.
- Drew... Eu estou cega. - Ela sorria nervosamente, incrédula. - Não vejo nada, absolutamente nada!
- NÃO! - Ele gritou, separando - se dela. - Sua idiota! O que foi que você fez?
Apesar de Serenna não poder vê-lo, ela imaginava como era sua expressão naquele momento. A garota enchugou suas lágrimas e dirigiu-lhe um sorriso sincero, abraçando-o novamente.
- Me desculpe... - Ela susurrou em seu ouvido.
Dentro da cela, Frederick agora, tinha bonitos olhos azuis arregalados. Ele chorava, não por conseguir ver, mas por culpa, por ter privado outro da visão. Ele aproximou-se cambaleante e amparado por Ylua:
- Me desculpe... Eu não tinha como saber que ela seria capaz de fazer algo assim! Se eu soubesse, eu juro que não teria permitido!
- Não se culpe. Nada disso foi culpa sua. Quando estamos dicididos de algo, fazemos coisas insensatas, nos comportamos como crianças inconsequentes, e, na maioria das vezes, alguém termina derramando lágrimas... - Lamentou-se Ylua. - Mas... Acho que há algo que eu possa fazer nesse caso.
Serenna soltou-se dos braços de Drew, ela seguia a voz da Anjo atentamente:
- O que quer dizer com isso?
- Com uma fusão de uma parte de seu poder e o meu poder de cura, acho que poderei absorver a Magia Negra usada para tirar a visão de Frederick, que deve ter sido bastante diminuída, considerando que foi transferida para outro corpo. Se eu estiver certa, talvez metade dessa energia tenha se perdido no ar durante a transferência.
- Signifia que Serenna vai voltar a ver? - Perguntou Drew, lvantando-se.
- Isso é apenas uma tese e, se for possível, um ritual complicado deverá ser realizado na meia noite, durante a próxima lua cheia mortal. - Continuou Ylua. Serenna disse pensativa:
- É daqui á três dias... Talvez eu tenha alguma chance de voltar a enxergar!
- Os ingredientes são comuns... Eu acho. De qualquer forma, devemos tentar!
Próximo á eles, Frederick examinava cuidadosamente todos os cantos do calabouço, dizendo para si mesmo:
- Nove mil anos... E esse lugar continua o mesmo...
- Pode nos tirar daqui? - Perguntou Drew.
- É claro que sim. Por mais tempo que eu tenha ficado preso e completamente cego, eu nunca esqueçeria esse lugar, eu só precisava ver onde estava, e seria muito fácil. Nosso único obstáculo serão os guardas que, provavelmente, estão por toda parte.
- Vai ser um enorme prazer acabar com eles. - Disse Drew, furioso. - Eu só preciso de um material interessante para forjar uma espada.
- Talvez isso aqui ajude. - Frederick retirou um colar de seu pescoço, atirando-o á Drew. Ele era feito de um cristal um pouco diferente, avermelhado e mais resistente que os cristais normais.
- Perfeito. - Disse Drew, sorrindo maldosamente.
Em poucos minutos, uma lâmina afiada fora forjada com base no medalhão de Frederick, a bainha da espada era formada por uma corrente extremamente resistente, uma possível "evolução" da corrente do medalhão.
Drew tomou Serenna pelo pulso e correu em direção á saída.
Eles percorriam rapidamente inúmeros corredores do Castelo. Frederick parava momentaneamente uma vez ou outra, lembrando de alguns detalhes que podiam ser úteis. Para a surpresa de todos, o Castelo estava deserto, ao passar pelo Salão de Runiões principal, souberam o motivo.
Havia um grande alvoroço no Salão. Anjos e Elfos discutiam entre si, comentando a incrível fuga dos Anjos, da mortal e do Elfo cego.
- Tantos amigos, seguidores... E todos me traíram. - Comentou Frederick, observando-os.
- Assim como os Anjos Manipuladores traíram a própria raça. - Disse Drew, empunhando a espada com firmeza.
- O que eles dizem...? - Perguntou Serenna abaixando-se para escutar melhor a discussão.
Todos falavam mil coisas ao mesmo tempo, pragas, ameaças e lamentos. De fato, pareciam assustados. Serenna imediatamente reconheceu uma das vozes:
- Parece que Harmonny tenta acalmá-los... Mas não há nada que nos interesse aqui, é melhor seguirmos em frente!
Eles retomaram a corrida. Aos poucos, Ylua e Serenna sentiam-se exaustas, aquele Castelo era muito maior do que aparentava.
- Chegamos! - Exclamou Frederick, parando de repente em uma grande porta de ferro. - Aqui fica a nossa única chance de sair daqu com vida...
Drew quebrou o cadeado com um golpe violento de sua espada, abrindo a porta com um chute, deparou-se com o grande mar azul.
- O que é isso? Não há nada aqui!
- Exatamente. - Disse Frederick. - A única maneira de escaparmos é voando.
- Humpf! Ótimo - Resmungou Drew. - Como se já não bastasse, ainda temos isso...
- Não reclame, Drew! Vamos logo! Ou você prefere ficar aqui e ser torturado até a última pena da sua asa ser arrancada? - Disse Ylua, passando o Braço de Frederick por seu ombro e liberando suas asas azuladas.
- Eu gostava mais quando você me chamava de "senhor"... - Disse Drew, pegando Serenna delicadamente.
Em pouco tempo, os dois Anjos levantaram vôo e, pela primeira vez, um Elfo e uma mortal experimentaram a maravlhosa sensação de voar para a liberdade.
enviada por ºMaah!º



18/05/2007 20:46

Capítulo 13

Serenna e Ylua corriam rapidamente até a porta da saída daquele horrível calabouço, mas Drew havia parado no meio do caminho, ele encontrava-se sentado no chão, sério.
- Não vai dar certo... Não há como encontrarmos a saída neste Castelo...
- Pela "Espada Proibida!" Você têm razão! - Exclamou Ylua, levando a mão á testa. Em troca, reebeu um olhar terrivelmente gélido de Drew. Serenna olhou os dois por alguns momentos, mas achou melhor não perguntar nada, afinal, ela saberia de tudo em algum tempo, eles não deveriam ter segredos entre si.
"Não, segredos não", pensava Serenna, "é como Drew diz, eu apenas ainda tenho muito que aprender...". Combatendo o olhar gélido de Drew, Ylua continuou:
- Infelizmente, nem mesmo uma mente calculista como a sua pode nos tirar dessa, se continuarmos assim, estaremos perdidos...
- Você está me provocando garota... - Disse Drew, levantando-se. - Não se meta na minha vida...
- Vocês dois, parem agora! - Disse Serenna. - Se continuarem a brigar como crianças, logo nos escutarão!
- Não estamos brigando. - Disse Ylua rispidamente.
- Há coisam que só dizem respeito aos Anjos... - Completou Drew, mais frio que o normal.
Serenna tentou entrar nas mentes dos dois, mas ambas estavam bloqueadas por uma energia muito pesada. Pela expressão dos dois, havia uma grande discussão, algo que Serenna não conseguia ouvir.
Drew respidrou funo, voltando á sua posição de lótus.
Serenna olhou em volta, algo a incomodava.
- O que foi agora? - Resmungou Drew.
- Há algo estranho aqui... Algo que deveríamos saber, algo que deveríamos ver...
Drew a olhou curioso. Serenna fechou os olhos lentamente, respirou fundo e esperou, uma grande energia concentrava-se ao seu redor.
- Há alguém aqui... Alguém que pode nos ajudar, mas... Não consigo identificar quem... Ou o quê...
De repente, um gemido quase inaudível foi emitido de uma cela próxima, toda a energia desapareceu rapidamente, Serenna ameaçou um desmaio, mas logo reergueu-se. Ela prestou atenção aos gemidos, caminhando lentamente para a cela mais escura.
- Quem está aí? - Ela perguntou.
- Q... Quem são vocês? São amigos?
- Se somos amigos, eu não sei. Revele-se!
Lentamente, um Elfo saiu da escuridão. Ele estava muito machucado, magro e extremamente fraco. Sua palidez tinha um ar espectral, e seus machudados revelavam tortura constante. Seus cabelos castanhos claros atingia suas canelas, ele era alto e, apesar dos ferimentos, era bonito. A prisão não afetava em sua aparência, parecendo assim, muito jovem. Mas o que mais chamou a atenção de Serenna, era o fato de não haver vida em seus olhos.
- Sua visão foi tirada por uma quantidade inacreditável de Magia Negra... - Comentou Drew, aproximando-se.
- Vo... Vocês são Elfos? - Perguntou o Elfo, recuando.
- Não, não somos Elfos... - Disse Serenna calmamente.
- Então eu sou amigo, por favor, não tenham medo, me ajudem! Eu imploro!
- Não estamos com medo. - Disse Ylua. - Queremos apenas sair deste castelo. É possível?
O Elfo sorriu:
- Meu nome é Frederick. Estou preso aqui há nome mil anos, mas, antes disso, eu planejei, construi e governei neste castelo, até ser traído por meu próprio povo. Os Elfos haviam se unido aos Anjos Manipuladores, planejando, então, um rande ataque. Eu era contra, por isso, fui cegado e mantido aqui até hoje. Mas, se conseguisse, de alguma forma, ver, talvez eu soubesse como ajudá-los. Mas eu sinto muito, não há esperança...
- Está enganado... Há uma esperança. - Comentou Serenna, suspirando demoradamente. Ela olhou para Drew, como se aquele fosse o "adeus". O Anjo logo entendeu o que se passava na cabeça da mortal. Ele agarrou-lhe pelo braço violentamente:
- Serenna, o que pensa que está fazendo? Ficou louca?! Não sabemos nem se ele é confiável!
- Então, confie em mim! - Gritava Serenna, chorando. - É um únic jeito! Por favor, não fassa com que a última coisa que eu veja seja você sofrendo, Drew...
Ela soltou seu braço rapidamente, agarrando Frederick pelo pulso, impedindo assim outra ação de Drew.
Rapidamente, Serenna colocou suas duas mãos com força sobre os olhos de Frederick. Em alguns instantes, os dois brilhavam. Serenna chorava e gritava de dor.
Quando tudo acabou, a garota deixou-se cair, assim como Frederick, que voltara á escuridão, cambaleante.
Drew gritava, ele também chorava. Tudo mudaria dali em diante.
enviada por ºMaah!º



06/05/2007 15:53

Capítulo 12

De fato, Serenna era aparentemente respeitada por todos que estavam no Castelo, porém, não tinha como saber se o respeito era real, ou se era mais uma ilusão. A grandiosidade do Castelo era real apensa em algumas salas, em outras, era pura decadência.
- Por favor, para que lado fica o calabouço?
- Senhorita. O calabouço não é lugar para alguém como você, por favor, volte para o seu quarto. - Disse um dos Elfos que passavam por um grande corredor.
- Por favor, senhor, responda minha pergunta.
O Elfo pareceu um pouco sem jeito perante a arrogância de Serenna:
- B... Bem, Milady, é muito simples. Siga para o corredor Oeste, a partir de lá, você encontrará o caminho...
Serenna agradeceu e partiu, preocupada. Talvez ela estivesse correndo para uma armadilha, talvez os Elfos tivessem descoberto sua encenação. Mesmo assim, ela continuava avançando para o Oeste.
Felizmente, o Elfo fora sincero. Serenna lembrava-se de ter passado por aquele corredor quando foi ver Drew e Ylua com Harmonny.
Quando Serenna abriu a porta que levava á escadaria do calabouço, percebeu que o cheiro de mofo era ainda pior. Algo que as ilusões haviam escondido eram a presença de inúmeras ferramentas de tortura, Serenna estava horrorizada.
Um dos Elfos Arqueiros guardava a cela de Drew e Ylua:
- Senhorita! O que faz aqui? Não é seguro alguém como você perambular por aqui, na presença dessa gente!
- Eu não vejo nada de errado com essa gente, meu caro. - Disse Serenna, com um olhar gélido. - Harmonny me deu permissão para falar com Drew...
- No momento, ele está desacordado, senhorita...
- Creio não ter perguntado qual era o seu estado, Elfo. Por favor, abra a porta, exijo falar com ele.
- Mas, senhorita...
- É tão difícil assim para você entender um simples comando?
Sem ação, o Elfo fitou-a por alguns instantes, abrindo a porta da cela logo em seguida. Serenna continuou com sua arrogância:
- Saia daqui! Não preciso de ninguém me vigiando.
Novamente, o Elfo tentou discutir, mas viu que não adiantaria nada competir com toda aquela frieza e arrogância. Sem mais o que fazer, ele deixou a cela em silêncio.
- Drew! Drew, você precisa acordar! Eu não posso tirar a gente daqui sozinha! - Ela correu até onde Ylua estava adormecida: - Ylua, pode me ouvir? Por favor, acorde! - Sem querer, Serenna enconstou em um dos ferimentos do pulso de Ylua. O Anjo soltou um gemido cansado. Serenna afastou sua mão rapidamente do pulso da garota. Lentamente, seu ferimento desaparecia.
- Uau... - Murmurava Serenna, olhando para suas prórpias mãos. Seu pulso ardia violentamente. - Eu... Transferi a dor dela para mim!
- Aahh... O quê? - Disse Ylua, recuperando a consciência. - O que houve aqui?
- Ylua! - Exclamou Serenna.
- Shhh! Faça silêncio, por favor! Está tudo girando! Agora, o que você disse sobre transferir meu ferimento para você?
- É, é isso mesmo. Não sei como aconteceu, mas eu encontei em um dos ferimentos do seu pulso e ele sumiu. Um tempo depois, o meu pulso estava assim. - Serenna mostrou á amiga o pulso ferido. Ylua estava boquiaberta:
- Serenna! A "Transferência de Ferimentos" é algo extremamente avançado para um Anjo da Cura! Co... Como conseguiu?
- Eu... Eu não faço a menor idéia, talvez o Drew saiba responder assim que ele acordar. Cara, isso aqui tá doendo muito!
- Me dê seu pulso, acho que agora posso curá-lo.
De fato, Ylua passou a mão por cima do pulso de Serenna. Aos poucos, seu ferimento cicatrizava.
- Obrigada.
- Não precisa agraceder. Agora vá, acorde o Senhor Drew.
Serenna aproximou-se de Drew. Ela ergueu sua manga até o ferimento em seu braço ficar completamente visível. Com uma careta de dor, ela lamentou:
- Isso vai doer muito...
Com força, Serenna colocou as duas mãos sobre o ferimento de Drew, que brilhava e aquecia rapidamente. Serenna chorava de dor enquanto o braço de Drew era completamente cicatrizado. Ao terminar, correu desesperada até Ylua, dizendo:
- Vai rápido. Tira logo esse negócio de mim, tá doendo muito!!!
Novamente, Ylua passou as duas mãos sobre o ferimento profundo do braço de Serenna. Este, porém, demorou alguns minutos para cicatrizar por completo.
- Meu Deus do Céu, como o Drew consegue aguentar uma ferida desse jeito?
- Você fala isso porque nunca esteve em uma Guerra Celestial...
Serenna e Ylua olharam para trás, assustadas. Drew havia recuperado a consciência e olhava para Serenna sorridente:
- Vejo que seus poderes começaram a aparecer. Primeiro, aprende a comunicação mental, depois aprende a transferir ferimentos de terceiros para o próprio corpo, muito bem. Mas seria melhor que tivesse aprendido a curá-los ao invés de transferí-los para você.
- Da próxima vez, prometo de esqueçer inconsciente. - Disse Serenna irritada. - Agora, como vamos tirar essas correntes?
- Isso é fácil. - Disse Drew, tentando levantar. Ele fechou os olhos, uniu as mãos em uma nova posição e, rapidamente, forjou uma espada feita de pedra e metal afiado. Ele entregou a espada á Serenna, dizendo:
- Agradeceria se não cortasse minha mão...
A espada era muito pesada, apesar de Drew manobrá-la com facilidade. Serenna conseguiu levantá-la com grande dificuldade:
- Só espero não fazer muito barulho...
As correntes de Drew foram cortadas facilmente, assim como as correntes de Ylua. Infelizmente, o Elfo que guardava a cela dos dois ouvira o pouco barulho que a espada fez. Rapidamente, a espada desapareceu e os dois Anjos assumiram suas posições iniciais.
- O que está havendo aqui?
- Eu que lhe pergunto, Elfo. Pensei que havia deixado bem claro que não desejava ser vigiada...
O Elfo analisou a cela por alguns instantes, olhou para Serenna que colocava toda sua inocência em seu rosto e saiu.
"Muito bem, como faremos para sair daqui?"
"Vai ser mais difícil do que eu esperava. Alguma idéia?"
"Acho que eu tenho uma... Serenna, Senhor Drew, me escutem com atenção..."
-SOCORRO! - Gritou Serenna. Não demorou muito para que o Elfo que guardava a cela dos Anjos chegar, assustado.
Os olhos de Drew estavam negros, assim como a espada que ele segurava. Tentando manter a calma, o Elfo entrou na cela, deixando a porta aberta, na tentativa de acalmar o Anjo. Drew segurava Serenna pela cintura, mantendo a espada próxima ao seu pescoço. Serenna chorava, desesperada, o Elfo - sem saber o que fazer - sacou algumas flechas envenenadas - as mesmas flechas usadas para deixar Ylua inconsciente.
O Elfo estava preparado para atirar quando ouviu a porta da cela ser trancada. Ele olhou para trás, tendo uma grande surpresa: do lado de fora da cela, Drew, Ylua e Serena divertiam-se:
- E então, Serenna, o que achou dessa ilusão? - Perguntou Drew.
- É... Não está nada mal. Grande idéia Ylua. Eu não sabia que vocês também eram capazes de criar ilusões que aparecessem de verdade. Eu pensava que isso só funcionava na mente dos mortais.
- Você ainda tem muito a aprender, garota. - Dizia Drew, orgulhoso.
Serenna guardou a chave da cela em seu bolso, dizendo:
- Agora, só precisamos sair daqui...

enviada por ºMaah!º



06/05/2007 13:49

Capítulo 11

Harmonny levou Serenna de volta para seu quarto.
- Harmonny... Por quê eu não estou presa como Drew e Ylua? Por quê eu estou em um lugar assim, tão bonito?
- Porque, apesar de você ser mortal e Anjo, você não deixa de ser um Elfo também. Ou seja, você é respeitada por todos nós. Você não fez nada para prejudicar nenhum dos Mundos, portanto, não é uma traidora. Nada mais justo do que tratá-la com o respeito que merece.
Serenna desejou ficar sozinha no quarto, o que foi atendido imediatamente. Assim que ela ouviu a porta ser trancada por fora, começou a pensar, na esperança de acordar a mente de Drew através da comunicação mental:
"Drew! Drew, por favor acorde! Ylua! Está acordada? Álguém pode me ouvir?".
Silêncio. De fato, algo naquela cela drenava a energia dos dois Anjos completamente.
- O que Drew havia me dito noite passada? O que era?
Serenna jogou-se com forma sobre a cama, ela esperava cair sobre algo macio, mas a cama - aparentemente confortável - era dura como pedra. Serenna saiu rapidamente, olhando para a cama assustada, um flash rápido passou por sua mente:
"Eu e Ylua somos capazes de projetar imagens nas mentes mortais...", se eles podiam enganar os olhos mortais com imagens, Harmonny também poderia!
Serenna jogou-se de joelhos no chão, concentrando-se o máximo que podia.
- Eu posso ser mortal... Mas também tenho poder! Mostre-me a realidade que vivo agora!
Ela abriu os olhos lentamente. O bonito quarto em que estava era, na verdade, uma cela com apenas uma cama de pedra. As únicas coisas reais era a jarra com água e as frutas ao lado da cama.
"Maldita...", pensava Serenna, furiosa. "Se Harmony quer uma ilusão, ela terá sua ilusão!".
Ela aproximou-se das grades, onde outrora tinha uma porta e chamou por Harmonny, que logo entrou na cela:
- Precisa de algo?
- Eu estava refletindo um pouco sobre o que você havia me dito antes. Realmente, é tentador dominar tanto poder, mas... Eu estou aqui apenas para ficar sabendo disso?
- Na verdade, não. Como sabe, há Guerras Celestiais. Se elas continuarem na intensidade que estão agora, talvez Anjos e Elfos sejam completamente dizimados e, com eles, os mortais também serão. Os Elfos querem sua ajuda para vencer a próxima Guerra, obrigando os Anjos á unirem-se a nós, mostrando que os Elfos são os mais poderosos.
- Entendo. Outra coisa. Só por curiosidade, por quê eu fui trancada? Não confiam em mim?
Harmonny franziu a testa, demonstrando certa preocupação:
- Nã... Não é nada disso, senhora. É tudo pela sua segurança...
Serenna sentou na cama de braços cruzados, insatisfeita:
- Quer dizer que vocês querem que eu vire uma arma de batalha e depois fique aprisionada em meu próprio quarto? Sinto muito, mas nada feito. Se realmente querem meu poder, eu quero ter, pelo menos, liberdade.
Harmonny refletiu por alguns instantes. Ela entava crente que Serenna jamais desconfiaria que ela era, na verdade, uma prisioneira, portanto, não haveria mal nenhum em aceitar aquela pequena condição.
- Se é o que deseja... - Disse Harmonny, entregando a chave á Serenna. Harmonny saía da cela lentamente, deixando a porta aberta.
Alguns minutos depois, Serenna deixou o quarto apressada, com um sorriso de satisfação.
"Harmonny pensa que tem em mim uma aliada. Por enquanto, estou segura. Agora só preciso libertar Drew e Ylua. Mas... Como eu farei isso?", pensava Serenna, dirigindo-se ao calabouço.
enviada por ºMaah!º



06/05/2007 12:59

Capítulo 10

"Por favor, escutem isso"
"Estamos ouvindo"
"Não sei onde estou. Sinto algum movimento, não posso me mexer ou abrir meus olhos..."
"Isso é um feitiço de paralização, logo vai acabar."
"E vocês, onde estão?"
"Presos. Pelo cheiro de mofo, deve ser em alguma parte do subsolo. Há barulho de correntes em toda parte. Também fomos detidos pelo mesmo feitiço... E posso supor de drenaram temporariamente nossa energia."
"E não há nada que possamos fazer?"
"Por enquanto, não. Podemos apenas esperar."
"Estou com medo, Drew..."
"Eu também..."
Serenna reunia todas as suas forças para abrir os olhos, mas parecia impossível. Ela estava deitada sobre um tipo de superfície lisa, talvez estivessem carregando-a para algum lugar.
"Será que estou sonhando?", ela pensava. "Mas... A voz do Drew foi tão nítida na minha mente... Só ele falou, talvez Ylua ainda esteja inconsciente. Por favor, estejam bem...".
Um estalar de dedos. De repente, Serenna abriu os olhos, como se tivesse acordado de um terrível pesadelo. Alguns Elfos - Estes com os cabelos castanhos - saíam do quarto.
A visão de Serenna estava embaçada, ela piscou algumas vezes.
Serenna estava em um bonito quarto, havia um grande guarda-roupa com muitos vestidos de festa. Um dos Elfos havia depositado em uma pequena mesa ao lado da cama uma jarra com água e algumas frutas.
"Drew. Drew, está me ouvindo?", pensava Serenna. Silêncio. Seu coração estava acelerado, ela olhou pela janela, pensando em uma possível fuga, mas era tudo cercado por água.
- É claro. - Ela murmurava. - Seres que possuem mortais e grande magia devem ter algum meio de ir á diferentes lugares sem sair deste castelo.
- Brilhante dedução.
Serenna olhou para trás, assustada. Em meio a escuridão, estava Harmonny, que sorria maldosamente. Serenna recuou alguns passos, dizendo:
- Quem?... O que é você?
- Uma amiga. - Disse Harmonny aproximando-se.
- Ah, é claro. Uma amiga que quase mata o Drew...
- O Drew é um outro problema. Você já deve saber o que Anjos e Elfos procuram. Nós, os Anjos Manipuladores, resolvemos nos unir para libertarmos as Três Ninfas, mas, para isso, precisamos da sua ajuda...
- Da minha ajuda?
- Só o mortal da Profecia é capaz de dominar o poder das Três Ninfas. Só você poderá domar o poder daquele colar. Parte do poder do Plano Celestial está dentro de você. Agora, cabe a você decidir como vai usar este poder.
Serenna sentou-se na cama. Seus olhos fitaram o chão por alguns instantes, pensativos. Com um longo suspiro e tentando conter a raiva, ela apenas perguntou:
- Onde estão Drew e Ylua?
- Ora, francamente! - Disse Harmonny gesticulando com os braços. - Você tem todo esse poder em mãos e fica se preocupando com dois Anjinhos idiotas? Ylua nem sabe controlar os poderes direito! Os Elfos estão te dando a opção de crescer, garota, você tem idéia do poder que tem em mãos?
- Eu quero ver Drew e Ylua!
Harmonny suspirou, irritada:
- Venha.
Elas percorreram o castelo inteiro. Tudo era muito bonito, muito arrumado. Porém, ao chegarem no primeiro andar do subsolo, o cheiro de mofo predominou. Harmonny também se mostrava desconfortável com o odor.
- Eu odeio esse lugar. - Ela disse, tapando o nariz com a mão.
Como Drew havia dito, havia correntes em toda parte. Todos os andares do subsolo eram prisões e calabouços. Haviam inúmeros prisioneiros, todos violentamente feridos, maltratados, sobevivendo apenas a pão e água.
- É aqui. - Disse Harmonny, indicando uma sela no fundo do grande corredor. Em algumas celas haviam ossos e pessoas mortas. Em outras, elas imploravam para morrer. Era horrível.
Serenna correu em direção á cela. De fato, Drew e Ylua estavam lá, ambos extremamente feridos. Serenna ocultou um grito, sentia que as lágrimas se aproximavam. Ylua encontrava-se deitada em cima de uma espécie de banco, preso á parede. Ela tinha pesadas correntes nos tornozelos feridos.
No outro canto da cela, Drew encontrava-se encolhido em um canto, tinha ferimentos por todo o corpo. Seus pulsos e tornozelos estavam acorrentados, não havia como ele se mover.
- DREEW!!! - Gritou Serenna, chorando.
- Acalme-se, garota. - Murmurou Drew, com as forças que lhe restavam. - Nós sairemos daqui, pode ter certeza... Não se preocupe conosco.
- Eu sei, vocês são imortais...
- Nem sempre ser imortal é bom... Há coisas muito piores do que a morte... Serenna, lembra-se do que eu te disse ontem a noite? Os Anjos podem... As mentes mortais... Eles podem...
Sem conseguir terminar a frase, Drew caiu, inconsciente. Serenna gritava seu nome, em prantos. Mas ele estava fraco e muito ferido, assim como Ylua.
Harmonny colocou a mão em seu ombro, dizendo com o olhar triste:
- Eles reagiram á prisão de forma violenta. Eu não queria que eles fossem castigados dessa forma, mas... Foi o único jeito.
- Eu quero ir embora. - Murmurou Serenna, soluçando. Seus olhos estavam inchados, agora, mais do que nunca, ela sentia-se perdida.
Mas nem tudo estava perdido. A única chance de eles escaparem, estava na frase que Drew não conseguira terminar. Mas o que ele queria dizer? O que ele havia dito noite passada? Serenna tinha de lembrar, naquele momento, o destino dos três corria perigo.
enviada por ºMaah!º






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FicWriter

Nome: Marcela
Idade: 14
Cidade: Uma ai
Signo: Peixes
Cor: Um monte
Coisas que adoro: M�sica, ler, escrever, meus amigos, ver TV, etc.h
Coisas que odeio: Mentira, falsidade, gente chata, crise de criatividade, etc.

A Hist�ria

Sinopse da historia. O Templo das Sombras � o lar de todos os Anjos, tanto bons quanto maus. Ele fica acima do Sol e da Lua, mas nunca acima das estrelas. Pois � observando as estrelas que Drew, um Anjo de Guerra, descobre que um mau antigo est� para ser libertado e que toda a exist�ncia corre perigo. Auxiliado por sua aprendiz e fiel seguidora: Ylua, uma Anjo de Cura em treinamento, eles parte para a terra � procura de Serenna: a mortal que, segundo uma antiga profecia, ser� respons�vel por devolver a paz � todos os reinos, Terrestres e Celestiais.

Imagens dos Personagens 1, 2, 3, 4; Preview da Segunda Serie da Historia.

Cap�tulos

Cap. 1, Cap. 2, Cap. 3, Cap. 4, Cap. 5, Cap. 6, Cap. 7, Cap. 8, Cap. 9, Cap. 10, Cap. 11, Cap. 12, Cap. 13, Cap. 14, Cap. 15, Cap. 16, Cap. 17, Cap. 18, Cap. 19, Cap. 20, Cap. 21, Cap. 22, Cap. 23, Cap. 24, Cap. 25, Cap. 26, Cap. 27, Cap. 28, Cap. 29, Cap. 30, Cap. 31, Cap. 32, Cap. 33, Cap. 34, Cap. 35, Cap. 36, Cap. 37, Cap. 38, Cap. 39, Cap. 40, Cap. 41.


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